Vamos ajudar? 14 March,2009
Poderiam ajudar uma mãe com um filho que tem uma alergia alimentar raríssima? O Governo de Goiás não liberou as latas de leite à criança desde janeiro/09.
O leite é caríssimo, chama-se Aminomed, custa R$360,00 cada lata, e, pelo relato da mãe, na 5a. feira, 12/03 foi aberta a última lata que tinham e a criança não pode ingerir nenhum outro alimento. Por ser a única fonte de alimento de João Vithor, cada lata dura cerca de 1 dia e meio, no máximo.
Se quiserem averiguar a veracidade do que digo, eis o link do perfil da mãe da criança:
http://www.orkut.com.br/Main#Profile.aspx?uid=14217182057586132730
Abaixo, tópicos criados na comunidade Pediatria Radical, com mais de 10 mil membros, com posts que podem mostrar a seriedade do pedido de ajuda:
http://www.orkut.com.br/Main#CommMsgs.aspx?cmm=1651309&tid=5312221873613134205
http://www.orkut.com.br/Main#CommMsgs.aspx?cmm=1651309&tid=5312289446244670761&start=1
Procurem ajudar essa mãe como puderem, porque é uma criança sem alimento e o Governo simplesmente deixou de enviar o leite sem que houvesse qualquer justificativa. A mãe possui inclusive, MANDADO DE SEGURANÇA, que não está sendo cumprido pelo Governo.
Endereço: Rua 207 n° 481 casa 4 – Setor Leste – Vila Nova – Goiania – Goiás – Cep:74640-110
Para depósito:
Banco: Caixa Econômica Federal – Agência nº 2256 – Conta Poupança 00011998-9 – Operação 013
João Vithor Lourenço Rios
Ítens de necessidade:
- leite aminomed
- fralda soft touch M (p/ 1 ano) e G ou EG (só noturna)
- Predsin xp
- Label x
Quem quiser colaborar através da PAGSEGURO, o link é:
http://www.agenciadenamoro.com/joaovithor.htm
Ajudem a divulgar!
*** Obs: podem clicar sem medo que não é vírus.
*** Obs2: o site agenciadenamoro serve apenas para hospedar o botão de doação da PagSeguro. Ao clicar no botão vc será redirecionado.
Mamãe canguru (ou “reaprendendo a andar pela cidade”) 13 March,2009
Já que ainda não tenho carteira de motorista, tenho que depender de ônibus pras minhas bateções de perna com a Valentina. Alguns lembram do rolo que foi logo na primeira vez, né?
Bom, depois disso resolvi que não vou mais pegar aquela linha se o ônibus for do modelo antigo, com degraus. Tem certas coisas que não dá pra estressar. Nisso eu tenho duas opções: pegar outra linha que me deixa no skytrain ou carregar a baixinha no canguru.
Semana passada experimentei a façanha. Fui até downtown visitar uma amiga e carregando a Valentina a tiracolo, literalmente. Apesar do cansaço depois, até que é gostoso ir com ela agarradinha.
Agora, uma coisa que eu notei: o quanto um bebê faz com as pessoas sejam mais educadas. Quando estava grávida, muito raramente alguém me dava lugar. Com o carrinho, então, o povo até faz careta porque tem que levantar dos bancos especiais. Agora, com o canguru, todo mundo queria me dar lugar. Ônibus lotado (quem conhece a linha #22 MacDonald sabe do que estou falando) e várias pessoas (até uma velhinha!) levantaram-se pra me dar lugar.
Pra compensar, hoje que eu queria ter ido de canguru, não deu, pois ia me encontrar com o Kam no final do dia pra voltarmos de carro. Mas eu juro que nunca desejei tanto não usar o carrinho…. pra começar o elevador estava travado pois tinha gente se mudando. Lá vou eu deixar o carrinho em casa, descer as escadas, procurar a mulher, subir de novo, pegar o carrinho pra perder o ônibus por 1 minuto. Passa o segundo ônibus: é dos antigos, raios. Espera mais um. Finalmente. Consegui chegar no skytrain. Quase chegando em downtown, entra um pai com duas crianças, sendo que o mais novo estava dentro do carrinho IMENSO (sabe aqueles de 3 rodinhas? Imagina a versão monster daquilo) que só fazia atravancar tudo. Chego na Granville Station e onde raios é o elevador? Lááááá do outro lado e vou ter que dar a volta no quarteirão depois. Ai.
Tô no shopping, já visitei as lojas que eu queria mas aí resolvi dar uma passada na loja da Apple. Coisa simples, só que fica no 2o. andar. Cadê elevador? Taca procurar elevador que, claro, tava lááááááááá do outro lado também….
Amanhã quero ir na Toys’r'Us e vou de canguru, tá decidido. Não tô afim de me estressar procurando ônibus decente, nem nada…
Alguns comerciais que eu adoro 4 March,2009
De vez em quando a propaganda norte-americana dá uma trégua e consegue vir com alguns comerciais excelentes. Estes são alguns dos meus favoritos. Quais são os seus?
PFIZER
Be brave – morethanmedication.ca
GERBER
Start healthy stay healthy
http://www.draftfcb.com/viewing_room/gerber/vow/
PAMPERS
Peace on Earth
Forever Young
E só pra não perder o costume, fotos saindo do forno da baixinha:



E o bolso, como fica? 25 February,2009
Uma das coisas que mais custei a entender foi como a licença-maternidade e benefício-família funcionam aqui no Canadá. A Ana Paula fez um post excelente sobre isso lá no blog dela.
A licença aqui é de 1 ano. Os três primeiros meses são para a mãe (maternity leave) e o restante pode ser dividido entre os pais (parental leave): a mãe pode tirar toda a licença, o pai tirar toda ou dividirem, uma das opções.
O valor pago é até 55% do seu salário, até o teto de CAD$435 por semana, dependendo da sua renda. Aqui em casa, consegui receber o teto. Você tem que entrar com o pedido após sair de licença e as duas primeiras semanas não contam no benefício. Em tese, é 1 ano. Na prática, 50 semanas. Geralmente leva um tempo para começar a receber o dinheiro. Pra mim levou 1 mês e meio, mas o pagamento é retroativo.
O pedido pode ser feito online, onde você tem que preencher zilhões de perguntas e criar um profile. É lá que você vê a quantas anda o pedido, os pagamentos feitos e qualquer outra informação referente ao benefício.
Depois que o bebê nasce, há outros 2 benefícios. Um é Universal Child Care Benefit, onde o Governo paga CAD$100 para todas as crianças de até 6 anos. O outro é o Canada Child Tax Benefit and BC Family Bonus, onde o benefício é pago de acordo com a renda da família. Para ser elegível ao valor todo, a renda familiar deve ser abaixo de CAD$37.885 (não me perguntem o porquê deste número exdrúxulo).
Nós enviamos os pedidos 1 semana após a Valentina nascer. Recebi o dinheiro ontem, 8 semanas depois. Pelo menos é retroativo.No meu caso, tive direito a CAD$42,12 por mês. Dá pra uns 2 pacotes de fraldas…rs
Há dois meses atrás…. 17 February,2009
Já se passaram 2 meses desde que você nasceu. Um dia eu ainda estava imaginando como você seria e hoje te vejo aqui, crescendo, ganhando peso, mostrando sua personalidade forte (já sei o que me espera!).
Você sabe o que quer, quando quer. E se não tem na hora, temos uma sirene de ambulância aqui em casa. Às vezes, é um choro bem bravo, de raiva mesmo. Às vezes, é um chorinho miado mas tão infeliz que preciso até tirar foto da careta que você faz. Mas não, não te deixo chorando não.
E nem disso eu posso reclamar. Você chora pra dizer o que quer, mas não fica horas a fio chorando e tem um ótimo humor. Quer dizer, quando não tem fome nem sono, claro.
Você está sorrindo mais, reconhecendo nossas vozes, mostrando alegria. Tem até uma tentativa de rir mas que ainda não sai. Logo logo, Valentina, logo logo.
Você normalmente acorda às 3 da manhã e depois só às 6. Aí você fica comigo na cama, depois que seu pai saiu pra trabalhar.
Já descobriu que bater perna na rua é tudo de bom e nunca reclama quando te coloco no carrinho. Já pegamos ônibus, trem, skytrain, já andamos horas no frio, na chuva, no sol. Mal posso esperar o verão. Aí é que a gente não pára em casa mesmo, né?
Você está começando a criar a sua própria rotina, quase como um relóginho, acordando a cada 3 horas pra comer. O único problema é pra voltar a dormir a cada 3 horas, rs. Tem dias que você vai lindamente e só acorda uma vez pra mamar, às 3 da manhã. Em outros, como na noite retrasada, você acorda a cada meia-hora, quer comer a cada 10 minutos e não tem santo que te faça dormir. E não, você não fica chorando [muito].
Hoje vamos no posto de saúde e você vai pesar e tomar as suas primeiras vacinas. Já vi que vou morrer de pena do seu choro na hora. E sei que vai ser um choro bravo, como quem diz, “eu odeio isso. Estava quentinha no meu carrinho, dormindo, balançando e aí vocês me acordam pra me espetar”….
Agora estamos planejando a sua primeira viagem de avião. Quando vai ser? Ainda não sabemos, mas logo logo!


Quase 2 meses 9 February,2009
Valentina tá crescendo linda, ganhando peso e se comportando muito bem. Foi na consulta com a nossa médica de família na 5a. feira e já está com quase 4kgs. Na médica, ela ficou MUITO brava pois tive que acordá-la… tava num soninho tão bom no carrinho, quentinho…. ficou tão brava que fez xixi na enfermeira (ops) e não foi pouca coisa, foi um jato, ha ha…
Encomendei o baby carrier (o tal do canguru) pelo ebay. O modelo que eu queria custa quase CAD$200 aqui e nos EUA, um usado me saiu por CAD$80. Deve chegar na 2a. ou 3a. feira…estou doida pra estrear. Será que assim eu tenho menos problema com motorista imbecil?
Ela tá começando a sorrir de verdade. Hoje ficou o dia todo assim e soltando os “uh-oh” dela. Engraçado como ela já está começando a responder de volta os sorrisos e os sons. E teve um esboço-tentativa de risada. Sabe quando faz a cara de quem quer rir, abre a boca pra rir mas não sai som? Ou melhor, sai. Um miado, rs.
Dia 17 ela toma as primeiras vacinas e aí está oficialmente autorizada a bater perna com a mãe, rs. Depois das vacinas, vou levá-la pra colocar brinco. A vovó deu um par de brincos fofíssimos e ela tem que usar. Claro que o pai não vai conosco, ou corro o risco dela voltar pra casa com um furo só.

Os olhos estão cada dia mais lindos. Só a cor que não se decide, rs.
De tiara, parece uma bonequinha….
Tentando começar uma rotina… 2 February,2009
…e quem disse que tenho ânimo?
Quando penso em começar a sair com a Valentina pra dar uma volta, chove/neva e fica aquele tempo que ninguém merece. Quero ir pro centro e é um caos só de pensar em enfrentar motoristas de ônibus.
Pelo menos, a casa tá começando a ficar arrumada, rs.
Certas coisas me tiram do sério… 28 January,2009
Semana passada fomos para downtown de ônibus, Valentina, Kam e eu. Como ele voltou a trabalhar esta semana e eu (ainda) não tenho carta, vou depender de transporte coletivo pra ir pra cima e pra baixo com a baixinha.
Os ônibus aqui são equipados com lift (espécie de elevador) ou rampa, próprios para cadeiras de rodas e carrinhos de bebê. Há espaço reservado e normalmente as pessoas respeitam.
Como foi a primeira vez que eu estava pegando ônibus com a Valentina, o Kam resolveu ir comigo para vermos como é, se é viável, seguro, etc.
O problema começou antes mesmo de entrarmos no ônibus pois o motorista simplesmente se recusou a baixar o lift para mim, pois segundo ele “como estamos em dois”, podemos muito bem levantar o carrinho dois degraus acima, sendo que eu ainda estou me recuperando do parto, detalhe. No começo achamos que lift estava quebrado ou algo assim para o motorista não baixar. Quando chegamos em downtown, o Kam perguntou pra ele o motivo e ele disse que o Kam, como meu marido, “tem a obrigação” de carregar o carrinho. Fala sério! :@
Obviamente que o Kam virou bicho, né? Os dois começaram a discutir até o Kam ameaçar chamar a polícia pois o cara não parava de gritar e xingar. Quando finalmente resolveu baixar o raio do lift (que é só apertar um botão e leva 1 minuto, se muito!!!), ele virou para os outros passageiros e soltou a pérola: “senhores passageiros, nós iremos demorar mais do que o planejado pois ele (Kam) não quer ajudar a mulher e eu terei que baixar o lift” e ainda mostrou “as costas” pro Kam. Só sei que o Kam ficou xingando ele no meio da rua pra todo mundo ouvir.
Gente, a Valentina só tem 1 mês e meio! Ainda não tem o menor controle do pescoço e da cabeça. E se algo acontecesse quando estávamos levantando o carrinho, quem seria responsável??? Ficamos tão bravos que, ao chegarmos em casa, ligamos pra Translink e deixamos recado reclamando do cara. E mandamos também um email pelo form disponível no site e ainda mandamos uma carta de quase 4 páginas, registrada, para o Board da Translink, diretamente para o responsável pela segurança no transporte.
Pelo menos já tive retorno da Translink sobre a reclamação. Passei todos os dados -horário que pegamos o ônibus, número do ponto, número do ônibus, descrição do motorista, o que aconteceu- e eles ficaram de repassar para o supervisor da área em que a linha circula. Entre 7 e 10 dias devo ter uma posição sobre isso. E quer saber? Tomara que este cara seja demitido. É o mínimo, né?
Pra compensar, no mesmo dia pegamos outro ônibus e o motorista foi SUPER prestativo. Baixou o lift sem termos que pedir, cumprimentou com um bom dia, sorriso no ônibus e me ajudou a sair. E sobre este motorista, eu fiz questão de falar quando fiz a reclamação. Quando o serviço é bom, acho que devemos sempre falar pois pra reclamar é um 1 segundo mas são raras as vezes que ouvimos alguém elogiar, né?
Amanhã pego ônibus de novo, quero só ver como vai ser….
5 semanas – e o tempo passa! 19 January,2009
Parece que foi ontem que eu postei da última vez. Valentina é uma bebê bem calma, dorme bem e só chora quando tá com fome ou sono (toc toc toc!), mas sendo que ela tá sempre com fome, então acabo ficando super atarefada.
Minha mãe veio no natal e foi embora na semana passada. Foi muito rápido e pena que não deu pra aproveitar tanto com aquele monte de neve que desabou por aqui. Óbvio que já avó-coruja e está morrendo de saudades da netinha. Pra ajudar, tento tirar o máximo possível de fotos. E cada segundo é um motivo para uma foto diferente. Um suspiro, um bocejo, a perna esticada, a mão no rosto, dormindo com um sorriso na cara (deve estar sonhando com leite, só pode!).
Eithor já está super protetor com ela. Quando o choro começa, ele é o primeiro a chegar perto dela, como quem diz “fica fria que eu te ajudo!”. E não desgruda do lado dela. Ele ainda não entendeu muito bem o que está acontecendo mas sabe que é importante.

No quesito sono, não posso reclamar pois por enquanto o Kam tem acordado à noite pra ficar com ela. Sei que a partir da semana que vem já não vai ser tão fácil pois ele volta a trabalhar e é claro que não vou deixá-lo acordar a cada 2-3 horas à noite, sendo que ele tem que acordar às 5h30 da manhã pra ir pro trabalho. De alguma maneira a gente se resolve, afinal, todos os casais que eu conheço sobreviveram (ou quase) pra contar a história.
Ela ganhou peso e hoje está com 3,50kg, praticamente 1kg a mais de quando saiu do hospital. E cresceu 4cm, ou seja, logo logo ela me passa (e aí minha mãe me interrompe dizendo que não precisa muito pra me passar…só 1 metro!). O cabelo está clareando e há controvérsias sobre com quem você se parece mais, eu ou o Kam, que jura que ela é cópia de mim e eu vejo muito dele nela….acho que só o tempo pra dizer. A grande dúvida agora é a cor dos olhos. Cada dia tá de um jeito: cinza, azul-acizentado, castanho-claro, castanho-acizentado. Que cor a gente pôe no pedido do passaporte?
A midwife acha que ela não tem ganhado peso suficiente então tive que aumentar a quantidade de fórmula, infelizmente. Estava deixando somente à noite, quando o Kam fica com ela, e tentando amamentar ao máximo durante o dia. Amanhã vou tentar contactar o pessoal da La Leche League para uma orientação porque é muito ruim esta sensação de não poder dar o que a bebê precisa.
Semana que vem temos a última consulta com a midwife e, depois disso, volto para a minha médica de família. Embora as minhas midwifes sejam as mesmas que ficaram com a Ana, acho que tivemos experiências diferentes e confesso que fiquei um pouco desapontada pois esperava mais, pelo menos com uma delas, a Annie (que foi quem fez o parto). Estava torcendo para que fosse a Ruth mas não era dia de plantão dela. Acho que o que foi mais desgastante para nós não foi nem a questão do parto, mas o fato de ela ter se recusado a ir até a minha casa na 1a. semana pois era muito longe pra ela. Óbvio que o fato de que eu tive que sair de casa com a Valentina com apenas 4 dias de vida (e eu com muitas dores da laceração e dos pontos) embaixo de um frio absurdo (consegui que fosse o dia mais frio de Vancouver dos últimos não-sei-quantos-anos) de menos 15 graus não conta nada, né? :-X
No hospital também foi muito chato pois ela veio pra começar a indução, voltou pra casa, veio à noite quando pedi uma epidural (pois a dor estava absurda), voltou pra casa novamente e só apareceu depois da 1h30 da manhã quando eu já estava com dilatação completa. O Kam ficou passado, pois se era pra ser assim, qual a diferença para um obstetra (que aliás, foi o que fez o parto efetivamente, pois precisei de fórceps)? Quando estava tentando amamentar a Valentina, tive muita dificuldade no começo e ela até ajudou. 5 minutos. Quando questionei alguma coisa que ela sugeriu, tive que ouvir “se você quiser que eu ajudo, eu ajudo, mas se não, vou embora já que não tenho nada mais pra fazer”. Pena que eu estava exausta, passada, com efeito da medicação e sem conseguir pensar direito, porque senão tinha falado um monte. Que raiva na hora!
Em compensação, quando fui na consulta com a outra midwife, a Ruth, foi outra coisa, mil vezes melhor. Ela sentou comigo, mostrou onde eu estava errando, deu sugestões e ouviu meus desabafos. Não podia ser assim sempre?

16 de dezembro de 2008, 5:17 da manhã 24 December,2008
Valentina chegou.
Uns imprevistos no meio do caminho mas, depois de 15 horas de trabalho de parto, uma menininha de olhos lindos chegou. Chorando muito, pedindo colo, tentando entender o que estava acontecendo.
Muita gente ligou, escreveu, mandou mensagens, querendo saber de você, que dormiu o dia todo. Também, depois de tanto trabalho, precisa, né?
A primeira noite foi difícil. Não sabíamos porque você chorava tanto. Tentamos embalar, sem resultado. Até percebemos uma fralda molhada. Como que não vimos isto antes? No mesmo instante que trocamos, você ficou quietinha e dormiu.
Ficamos uns dias a mais no hospital pra nos conhecer melhor. Estamos com um pouco de dificuldade com a amamentação e, com a ajuda super providencial e maravilhosa das enfermeiras, estamos começando a entrar nos eixos.
Chegamos em casa na 5a. feira à noite. Muito frio e neve. Você escolheu a semana mais fria do ano pra chegar. Deve ter pensado: “hum, já que sou canadense e vou nascer no inverno, que pelo menos seja um inverno de verdade, né?”.
O Eithor te estranhou um pouco no começo. Na verdade, ele te cheirou e saiu correndo. E me ignorou por uns dois dias. Hoje, ao primeiro sinal de choro, ele vai ao seu lado ver o que está acontecendo. Quando você está tomando o seu leite, ele fica sentado ao lado da poltrona, como se quisesse te proteger.
Seu pai está fascinado por você e se sente como se tivesse ganhado na loteria, apesar do cocô que você fez no shorts dele. Claro que ri muito, pois sei que isso ainda vai acontecer muitas outras vezes.
As primeiras noites em casa foram complicadas pois não consegui te deixar naquele berço imenso e ir para o meu quarto. No sábado, compramos uma caminha para colocar na nossa cama, assim você dorme conosco e a gente dorme bem.
Hoje você fez 1 semana de vida e tem se mostrado um bebê muito calmo. Adora dormir (como eu, claro!), come bem e chora pela fralda, pelo frio/calor e de fome. Adora ficar deitada na minha barriga e dormir lá mesmo. E quem disse que eu tenho coragem de te tirar de lá, vendo a sua carinha feliz dormindo?
Quando você está acordada, nosso principal passatempo é descobrir qual a cor do seu olho. Parece um azul bem escuro, meio cinza. Dependendo da luz, fica verde ou castanho. Acho que você vai ter olhos castanhos, mas quem sabe?
A sua avó está chegando daqui a pouco. Você é nosso presente de natal, o melhor que já poderia ter ganhado. Ela está super ansiosa pra chegar e te conhecer, mas já te ama desde o primeiro minuto.
Bem-vinda, Valentina. Você tem um mundo a descobrir.

38 semanas e um ligeiro desvio de rota 13 December,2008
Começando do começo:
Em novembro, começamos a ver um seguro de vida aqui. Como é de praxe com a maioria das companhias, tivemos que fazer exames médicos. Até aí, ok, né?
Bem, semana retrasada recebi uma cartinha deles, dizendo que “obrigado, mas não podemos te aceitar agora” e o resultado dos exames. Aparentemente há uma alteração nas enzimas do fígado, que pode ou não, ser relacionada à gravidez. Bom, dia seguinte, na 3a., levei os exames pra minha midwife, que na mesma hora soltou a antena.
Ela pediu outro exame de sangue pra confirmar os números, que fiz no mesmo dia. Na 3a. feira à noite, ela me liga pra dizer que, sim, os números continuam iguais e que é para eu ir no hospital na 5a. feira, fazer monitoramento fetal (cardiotoco). Cheguei lá, fiz o monitoramento, ela estava lá, pediu mais uma montanha de exames pra eu fazer a cada dois dias, e marcou ultrassom pra 6a. feira passada. Fui no laboratório na 5a., no sábado e na 2a. feira. Na 3a. tinha prenatal, então ok.
Fiz outro monitoramento, que também tava ok, e a obstetra começou a falar da necessidade de indução, caso o problema no fígado seja relacionado, embora ela achasse muito improvável, pois vêm junto outros sintomas (hipertensão, edemas, dor-de-cabeça forte, etc) e eu não tenho nada.
Bom, na 6a. feira (ontem) fiz o tal do ultrassom. O que era pra levar 20 minutos, levou mais de 1 hora. A técnica ficava medindo 10 vezes alguns números e, claro, sem me explicar. Acabada a ultra ainda tive que esperar pelo relatório pra levar pro obstetra no andar de cima. A curiosa aqui abriu, obviamente, e não dizia nada de mais, aparentemente.
Levei pra OB, que pediu pra eu fazer outro monitoramento (é, mais um!!). Daqui a pouco vem a enfermeira tirar pressão, medir temperatura e eu, já com aquela cara de “qq acontece?”. O OB veio explicar que o fígado não tá tão complicado quanto parecia e que um especialista iria me ver no mesmo dia.
Porém, a ultra mostrou também que o líquido amniótico está baixo e a placenta não tá funcionando como deveria. Que o quadro apresentado é visto normalmente quando já passou da data prevista, 1 semana, 10 dias. E no meu caso, ainda tem 2 semanas pra chegar lá. Explicou que vou ter que fazer monitoramento todos os dias e começar a pensar em indução. Mas primeiro, ele queria ver o especialista do fígado pra decidir o que fazer.
Bom, cheguei no hospital às 10 pra ultra e, àquela altura já eram 2 da tarde. Liguei pro Kam pra ele ir me encontrar lá no hospital. Uma enfermeira maravilhosa lembrou que eu ainda não havia comido nada e arranjou um almoço pra mim
.
O tal do especialista veio, fez um monte de perguntas, saiu. Voltou com a chefe e mais 5 médicos, que também trocentas outras perguntas, pediu OUTRO exame de sangue, que deu na mesma e quer que eu ligue pra ela após a Valentina nascer, pra marcar uma consulta, já que só assim tem como excluir a gravidez como causa do problema. E deixou pedido pra mais um exame de sangue (a esta altura, imagina o meu braço…).
Tá, ok.
Daqui a pouco chega a minha midwife, que o OB chamou. Ela olhou os exames, concordou com ele e avisou. Indução na 2a. feira, se tiver lugar na maternidade. Enquanto isso, continua o monitoramento…..
Agora, imagina a minha cara. Totalmente despreparada pra isso…. fisiologicamente, eu tô. Valentina tá encaixada, estou com 2cm de dilatação, quer dizer, neste ponto tá ok. Mas emocionalmente, tô morrendo de medo. Já avisei a minha mãe e alguns dos meus amigos aqui.
A idéia do trabalho de parto, ao meu ver, é te preparar, começa com as dores, a bolsa, tampão, etc, tudo gradual. Mas numa indução, não dá pra saber, né?
Ai ai. Mas sim, eu posto aqui se for pra indução na 2a., na 3a, etc….
E dona Valentina vai chegar no frio! Aqui tá com sensação térmica de -6C hoje…
O carro, o carrinho e o car seat – 37 semanas 7 December,2008
Ontem fomos no BCAA checar o car seat (eles fazem car seat inspection clinics, só marcar horário e é de graça).
Qual não foi a surpresa ao descobrirmos que o nosso car seat não serve pro carro?? 
A alça do bebe-conforto (é isso em português, né?) é muito grande, e pra deixá-la travada na posição baixa, os bancos têm que ir totalmente pra frente. Eu, que tenho esse monte de perna (no alto dos meus 1.59m), quase não consegui entrar no carro (desconta a barriga!!)….
A gente comprou o travel system da evenflo em julho, ou seja séculos atrás. Hoje lá fomos pra Sears pra chorar pra tentar trocar, já que os 90 dias tinham passado há muito tempo e nem caixa tínhamos mais.
Não é que a moça abriu uma exceção? 


Mesmo sem caixa nem nada. Ela viu a barriga e acreditou quando dissemos que nunca tínhamos usado o stroler, nada (tinha até o plástico na alça)….
Chequei os da Graco, que a mulher do BCAA sugeriu e escolhi o rosa
. Chegando no caixa pra fazer a troca, descobrimos que esse, além de mais bonito, mais leve, mais prático, é ainda por cima, mais barato! Ganhamos $65 de reembolso….
Pra quem já tava pesquisando preços de um novo travel system, até que foi uma boa troca, né?
Portanto, fica a dicas para as (futuras) mamães: cheeeeequem quando for comprar o car seat. Testem no carro, levem em um car seat clinic. ANTES DO TÉRMINO DA GARANTIA, claro!
36 semanas e de licença-maternidade! 28 November,2008
Ufa, demorou mas chegou!! Hoje foi meu último dia no trabalho. Não posso dizer que não estou feliz. Apesar de adorar lá, já estava no meu limite físico. Só o pouco que eu tenho que andar até o ponto já tá me matando….
Passei a semana naquela loucura típica: terminando projetos, organizando arquivos, limpando a pilha de papel, terminando de responder todos os milhares de emails e treinando a pessoa que vai fica no meu lugar até eu voltar.
Hoje então, só sai no último minuto. Aliás, depois do último minuto porque cheguei no trem com 2 minutos pra partir. Se perdesse esse, teria que esperar 1 hora…
O melhor é que meu projeto principal ficou pronto:
http://consbrasvancouver.org
Sim, agora o Consulado tem a própria página e email. ![]()
Não ficou grandes coisas porque a webmaster aqui não tem nada de profissional.
Na 2a. feira, vou dar entrada no meu pedido maternity leave, pelo Governo. Aparentemente o que vou ganhar vai ser praticamente a metade, mas nada compara a poder ficar 1 ano em casa…. depois que fizer o pedido, eu coloco aqui o passo-a-passo mas, pelo que ouvi, não é nenhum bicho de 7 cabeças, não…
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Em tempo: minha ciática dói, meus ligamentos doem!!! Eu não consigo me mexer ![]()
Por que tinha que doer tanto? Mal dá pra me virar na cama sem dor, chuif.
O que dizer? – 33 semanas 7 November,2008
“Para mudar o mundo é preciso mudar a forma de nascer” – Michael Odent
Perfeito.
De molho em casa ou “cadê o quadril que estava aqui II?” – 32 semanas 3 November,2008
Você já ouviu em “Symphysis pubis dysfunction” ou SPD? Eu nunca tinha ouvido falar até engravidar. Lembra que eu já tinha reclamado de dores na área pélvica que estavam me fazendo andar feito pato? Pois é. Elas mesmas.
Na 2a. feira passada, por conta disso, eu travei no meio da rua. Aliás, no meio do ônibus, da onde eu mal consegui descer. Estava saíndo da otorrina (uma loooooonga história que inclui a minha cigarra auditiva de estimação, conto depois) e vi que o ônibus se aproximava. Sabe quando você dá aquele impulso pra não perder o bendito? Foi o que eu fiz. Na hora, só senti uma fisgada perto do quadril. Começou a doer, mas tava ok. Consegui sair do ônibus, atravessar a rua e pegar o seguinte que me deixaria na porta do trabalho. Era só atravessar a rua.
Quando fui sair do ônibus, quase que não consigo me mexer de tanta dor, quanto mais descer as escadas. Pensei comigo mesma: “bom, tá doendo muito, vou pro trabalho e peço pro Kam me encontrar aqui e a gente volta pra casa de taxi”. E quem disse que eu consegui chegar no trabalho? No máximo, foi da porta do ônibus até o banco do ponto. Tive que ligar pro Kam de lá mesmo, que, claro, saiu correndo do curso que ele tava fazendo.
Ele ficou em pânico, tadinho, na mesma hora já achou que eu tivesse caído, que a bolsa tivesse rompido ou qualquer coisa do gênero. Enfim, na mesma hora, pegamos um taxi e ele me levou até o hospital.
Chegando lá, fui atendida na mesma hora e levada pra área da maternidade, onde já me atenderam em 5 minutos. Não tenho o que reclamar do atendimento. Mas quem disse que eu conseguia sair da cadeira de rodas pra sentar na cama? Precisou o Kam e a enfermeira pra me levantarem, de tanta dor.
Só sei que na mesma hora checaram a Valentina, que não estava nem um pouco abalada. Muito pelo contrário, não parava de pular. No meio tempo, minha midwife (Ruth) chegou (o hospital ligou pra ela) pra checar se tava tudo ok. Acabou que tive que tomar morfina e ser admitida pra passar a noite por lá mesmo. O Kam acabou indo pra casa (a muito custo, de tanto que insisti) pra cuidar do Eithor que, tadinho, devia estar tendo um treco pra sair…
No dia seguinte, mais exames, ultrassom, monitoramento da mocinha aqui dentro, mais morfina e outra noite no hospital.
No fim, fiquei lá até 4a. feira à noite. E de molho em casa. Na 5a. feira, a midwife (Annie) ligou pra ver como eu tava depois que saí do hospital e me obrigou (como se eu não soubesse) a ficar de cama o dia todo, claro.
Na 6a. feira, saí pra ir na fisioterapeuta e na médica. 1 quadra de distância. Mas mesmo assim já tive que parar umas 3 vezes por conta da dor…
A Ruth (midwife) ligou no sábado à noite pra ver como eu estava e resultado: de molho até 4a. feira.
Nesse meio-tempo, enquanto a data prevista para Valentina chegar vai se aproximando, aos poucos a gente tem arrumado o quartinho dela. Terminamos (vide o Kam) a pintura no final de semana e montamos (vide o Kam II, eu só fiz ler o manual e separar os parafusos) a cômoda e o berço. Agora ele tá lá, aspirando o quarto e pondo tudo no lugar. No sábado tem o chá-de-bebê que as meninas fofas estão preparando.
Dona Valentina vai ser beeeeem mimada pelas tias canadenses, pelo jeito.





















