A barriga

Valentina anda super interessada em assuntos do corpo. Provalvemente, porque aprendeu sobre mamíferos e agora está aprendendo sobre o corpo humano. Ela sabe que estava na minha barriga e que a barriga era grande. Sabe que os mamíferos tomam leite do peito da mãe e que humanos, cachorros, gatos e cavalos são mamíferos.

Outro dia, estávamos deitadas na cama, lendo um livro. Ela começa a cutucar minha barriga e solta:
- Mami, I love sua barriga!
- Por quê, Valentina?
- Because I was inside there! (porque eu estava lá dentro!)

Ainda bem que não perguntou como entrou lá nem como saiu, ufa!

Matemática aos quatro anos

Valentina, amanhã nós vamos num lugar diferente! Vamos conhecer sua escola nova!
-Por quê? É minha kindergarten?
-Sim! Porque a mamãe tem que levar uns papéis lá e você vai comigo pra gente conhecer.
-Eu tenho TRÊS escolas!
-Três? Por quê três?
-Miss Emma escola (o daycare), minha kindergarten e minha art class! Três escolas!

E adianta explicar mais agora que ela não vai ter mais a Miss Emma?

No Brasil

Felicidade de mãe é ver sua filha -que tem pânico de molhar a cabeça e gruda em você numa piscina- finalmente se soltar e se permitir relaxar e descobrir como é bom estar na piscina (com bóia) sem se segurar em ninguém. As risadas de felicidade dela e o orgulho (chamando todo mundo pra ver) vão ficar pra sempre.

Você está gostando tanto, querida. Seu português melhorou um monte, você acorda com um sorriso lindo no rosto, está conhecendo sua família, perguntando pelos tios e primos, se empanturrando de arroz com feijão, morrendo de calor, percebendo as diferenças do português pro inglês…. Acho que essa viagem vai ficar na sua memória pra sempre, né?

4 anos

Hoje você não é mais minha pequena de 3 anos. Você já tem QUATRO anos! Sim, tudo isso! Eu sei que você está um pouco decepcionada, afinal, você queria mesmo era ter cinco e ir pro “kindergarten” igual à sua amiga Sophia. Mas calma, aproveita enquanto você vai pra escola brincar, dormir, ouvir música, correr. É a melhor fase, sabia?
Você já sabe muita coisa. Se troca sozinha, tenta escova os dentes, escolhe suas roupas (estamos melhorando nas combinações), ajuda a pôr a mesa, levar a louça pra cozinha, sabe o nome de todas as Princesas Disney.
Na escola, adora quando é escolhida para ser a ajudante do dia: vem correndo me contar: “Mamãe, I was the SPECIAL helper today!”. Aliás, você está amando a escola. De manhã, dá tchau correndo e à tarde, sempre pede mais “5 minutos” para brincar. Semana que vem vai fazer 1 ano que você comecou lá e fico surpresa o quanto você se desenvolveu. Está tão independente… vai ao banheiro sozinha, termina de comer e guarda suas coisas na lancheira, faz seus desenhos, vive brincando com os meninos (e briga quando eles dizem que bombeiro e batman é coisa de menino, porque não é, não!). Não, você não tem lição de casa, não aprende a escreve letrinhas nem números. Em compensação, deve saber mais de veados do que eu. Conhece os animais que são mamíferos e tem uma tartaruga na sala para cuidar. Já aprendeu tudo sobre bombeiros, policiais e paramédicos, que foi o seu interesse há uns meses. Mês passado vocês viram um veado no parque num dos seus passeios matinais e desde então, estão aprendendo tudo sobre eles.
Você está cada dia mais carinhosa. Adora um abraço – quando quer, claro – e ainda pede colo. Está cada dia mais difícil, claro, com seus 20kgs. Mas num momento de chamego, por que não, né? Está super ansiosa para a sua viagem ao Brasil. Vive falando na vovó, nos cookies e no sorvete na casa da vovó. Está aprendendo o nome dos seus primos, tios, todo mundo. E eu mal posso esperar para te ver lá. Entende tudo em português e o português está saindo cada vez mais. Essa viagem vai ser excelente para você ouvir todo mundo falando na língua da mamãe.
Aliás, falando em língua, você já sabe direitinho as diferenças. “Mamãe says obrigada and Baba says thank you”. Quando estamos lendo um livro, pede que eu leia em português. Suas músicas favoritas são “Ursinho Pimpão” e, pasme, “Batendo na Porta do Céu”, do Zé Ramalho. Outro dia, ouviu uma professora conversar em farsi e disse, espantada, que era igual ao Baba.
Adora brincar de faz-de-conta. Principalmente de escola ou então, de princesa. E você quer ser s professora ou a rainha-mãe. Sempre no comando!
Agora está numa fase artística. Adora uma canetinha, um lápis, uma tinta guache. Está fazendo aulas de arte numa escola aqui perto, todo domingo. Foi a primeira aula sua sem mamãe ou papai e você ama. Sai de lá com tinta de cima a baixo, feliz da vida. Gostou tanto da experiência que já renovei sua matrícula lá.
Você está naquela fase deliciosa das pérolas. Pena que nem sempre dá para anotar o que você fala, mas sempre que eu lembro anoto aqui. As suas misturas do inglês resultam em coisas do tipo “vovó is linguing for us”, como você me avisou outro dia.
Ah, minha menina linda. Você está crescendo tão rápido! Queria poder te congelar no tempo para te curtir mais. Feliz aniversário, minha querida. A mamãe e o papai te amam muito, muito.

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Uia, milagres acontecem!

E Valentina interrompeu o jantar para informar que queria tomar banho. Milagre 1.

E disse que deixava eu lavar o cabelo dela em 5 minutos. Milagre 2.

Me belisca porque tô sonhando!

Coisas de Valentina 2

Ontem ela teve a visita de um professor diferente na escola. Ele foi falar sobre ursos. Como você mora no meio do mato, volta e meia escuta de um urso que achou uma lixeira aberta e fez a festa no quintal de alguém. Por isso, importantíssimo saber, desde criança, sobre segurança “ursal” (como é que se traduz “bear safety”?). Dentre as coisas mais importantes estão 1) lacrar seu lixo antes de deixar na porta por caminhão pegar e 2) nunca correr quando topar com um urso.

Então, eles tiveram a aula com o instrutor especialista em vida selvagem. À tarde, na hora de buscar, a primeira pergunta que você faz:

-Valentina, o que você faz quando vê um urso?

-You run as fast as you can! (você corre o mais rápido que puder!)

-Tem certeza? Não é pra ficar quietinho?

-Não! You call papai and run! (você chama seu pai e corre!)

 

Hum… acho que alguém trocou as bolas. Devo reclamar na escola? :grin:

O desfralde

Primeiro, foi por volta dos dois anos. Comprei um peniquinho, que ela adorava ficar pondo na cabeça. Mas na hora do vamos ver era um tal de tacar o penico pro outro lado do banheiro, dizendo que não queria. Resolvi deixar de lado e esperar o verão, quando ela teria 2 anos e meio.

Chegou o verão e, em agosto, começamos a tentar de novo, com as fraldas pull-ups da Dora e das Princesas Disney. Pra ajudar, comprei outro penico, o das Princesas, todo rosa.

Depois de ler “The No-Cry Potty Training Solution“, da Elizabeth Pantley, vi que ela estava me dando todos os sinais. Comprei alguns livros pra ela também:

O primeiro foi o “Lilly’s Potty“, sobre uma menininha que foge pela casa porque não quer ir ao banheiro, mas que no fim, vai e fica super feliz.

Depois, comprei um outro com fotos de menininhas e penicos/redutores reais. Ela adorou porque tem um monte de  “big girls” dizendo que não usam mais a fralda.

Fomos devargazinho… deixava ela com a pull-ups e alternava com a calcinha, em casa, aumentando o tempo com calcinha. Foi quando notei que ela quase nunca molhava a fralda à noite. Foi o sinal de que ela estava pronta!

De uma semana pra cá, acho que deu um “click” nela e simplesmente aposentamos qualquer fralda ou pull-up, nem pra dormir. E ela fica tão orgulhosa! :razz: :razz:

Agora, estamos saindo de casa sem fralda também. Já fomos no supermercado, sem acidentes! E realmente, quando a criança tá pronta, o desfralde é rápido, simples e não, não é sofrido.

É, minha menininha tá crescendo…..


 



É cada uma…

Cena 1:

Fiz pão de queijo em casa. Valentina, olhando as bolinhas na assadeira, decidiu que eram ovos.
Ela: Ovo!
Eu: Não, Valentina. É pão de queijo, não é ovo.
Ela: Páo queso?
Eu: Isso. Pão de queijo!
Ela: ovo queijo!
Eu: …..

 

Cena 2:

Com a chegada do friozinho, tirei do armário as meia-calças da Valentina, para que ela possa continuar usando os vestidos que tanto adora.

Mostrei pra ela e perguntei o que era isso. Ela disse que era calça.

Eu se não parecia uma meia. Ela olhou e disse “meia”.

Aí expliquei era uma meia-calça. Ela não teve dúvidas: todo dia pede pra pôr a “calça-meia”…. ;-)

Pavor de lavar a cabeça. O quê eu eu faço?

Cá estou eu precisando de ajuda com dona Valentina. De um tempo pra cá (quase 1 ano) tem sido cada vez mais difícil lavar a cabeça dela. Ela simplesmente tem um ataque de nervos toda vez que tento lavar. Não estou falando de manha simples, mas de pavor. Hoje mesmo, foi ela sentir a água encostando no cabelo dela, que ela PULOU da banheira, gritando, chorando muito, completamente agarrada em mim, tentando sair da banheira (escalando a parede). A muito custo consegui acalmá-la, mas não consegui lavar a cabeça. Já tentei um monte de coisas mas nada deu certo:

  • entro na banheira com ela pra tomarmos banho juntas
  • deixo ela lavar a minha cabeça
  • damos banho e lavamos a cabeça dos brinquedos dela
  • mostrei livros sobre o assunto (inclusive um que comprei semana passada sobre um bebê que adora banho mas chora na hora de lavar a cabeça)
  • mostro desenhos e comento quando o personagem favorito dela tá lavando a cabeça
  • uma amiga minha já tentou dar banho

E em todos os casos, só de comentar isso ela já fica completamente tensa, para de falar de falar na hora.

Ela tava dando trabalho pra entrar na banheira, agora melhorou, brinca numa boa no banho. O problema é na hora de lavar a cabeça. Hoje o stress foi tão grande que chorei de nervoso. Não sei mais o que eu faço.

 

UPDATE: Continuamos na mesma. Já tentei de tudo quanto é jeito, chuveirinho, chuveirão, baldinhos, deixar ela mesma molhar, o pai, outro banheiro, outro horário, conversar, mostrar vídeos, música, livros.

Da última vez, ela decidiu molhar o cabelo sozinha. Chorando HORRORES, mas molhou e passou o shampoo. Agora nem isso. Levei na piscina e se divertiu um monte, nem parece a mesma criança. Vai entender?

Cortei o cabelo da minha filha

Tivemos um “acidente” dia destes e precisei fazer uma franja nela. Ficou aquela coisa linda de mãe com coordenação motora zero. :razz:

Claro que salvei, né?

Mamãe, eu te amo, mas não corta meu cabelo sozinha de novo, não, tá?

Aí hoje criei coragem e fomos pro cabelereiro pela primeira vez na vida. E não é que ela nem chorou?

Terminando de cortar... ainda tava de bom humor!

Ai, eu sofro

Tô me preparando pra ir deitar, agora há pouco, quando vejo, atrás da mesa de jantar umas “coisas esquisitas”. Cegueta e sem óculos, achei que eram folhas secas (pensa!). Fui ver e vi que tinha sido premiada. Tinha cocô espalhado no chão, na parede, no rodapé branco!!

Aaaaaaaaaarghhhhhhhhhhh!

A Valentina tinha feito um cocô imenso no final do dia, que realmente, saiu da fralda (e sujou a capa do sofá que eu lavei ontem). Mas daí a ir parar cocô do outro lado da sala?
Ou vazou um monte e eu não vi ou, ECA, ela mesma tirou.

Agora, quase meia-noite, voltando pro trabalho depois das férias no dia seguinte, ninguém merece ficar passando pano na sala pra tirar cocô seco. ECA ECA ECA ECA ECA ECA!

730 dias

Num dia frio de 5a. feira, chegamos em casa com um embrulhinho. Sentamos no chão e te apresentamos pro seu irmão. Você só tinha 2 dias de vida. Ele cheirou de longe, mas não quis chegar perto. Aliás, ficou com ciúmes e me ignorou por 2 dias. Nem olhava na minha cara.

Você, em compensação, só queria colinho. Colinho de mãe, colinho de pai. Tem coisa melhor? E você foi crescendo tão rápido! Quando menos esperava, estávamos cantando parabéns pra você!

Esse ano você aprendeu a andar e agora, corre, sobe pelas paredes, foge de casa, brinca de pega-pega. Você já tem a sua rotina na creche. Depois de umas semanas passando por uma crise de separação, agora você me expulsa de lá. Chegamos, você diz “tau mami” e me leva até a porta. Fica dando tchau até fechar a porta pra mim. Fico feliz em saber que você adora lá.

Você cresceu tanto! Quem te conheceu quando você era recém-nascida, lembra de como era pequetita. Demorou muito pra você começar a ganhar peso. Com 6 meses, você tinha uns 6kgs. Agora, já pesa 14kgs (um chumbo!) e está super alta. Sim, você já passou da metade da altura da mamãe. Mais meio metro e você já me passa!

É, minha pequena, o tempo passa muito rápido! Você fala mais que a boca, apesar de não entendermos nada, rs. Você gosta de cantar “pintinho amarelinho”, “twinkle twinkle little star”, “happy birthday to you”, “abc”…tem gosto musical apurado e adora quando papai pôe rock no youtube pra você assistir.

Come sozinha, adora uma comida! Adora “nanas”, “agi” e “nham nham” (bananas, oranges e almoço/jantar). Sabe sinalizar leite (usando linguagem de sinais) e “quer”. Diz “ei quei” (eu quero), “pis” (please), “wow”, “oh-oh”, “ush-ush” (brush), “eiou”(thank you), “tau”, “bye”, “aiii” (pode ser oi ou bye, ainda não descobrimos), “dola” (Dora), “éuo”(Elmo), “náu” (não) e yeah. Fala os números em inglês, numa ordem totalmente aleatória (two, five, three, ten). Tenta repetir tuuuudo o que falamos e sai umas coisas engraçadas. Agora deu de repetir quando digo “hum-hum” (sai algo como u-u).

Você é carinhosa, adora dar um abraço e beijos. Mas também tem seus momentos de “terrible twos”, distribuindo tapas. Pode ser em mim, no papai ou até mesmo no espelho. Graças a Deus, ainda não esbofeteou ninguém na creche e estamos trabalhando pra que esses episódios diminuam.

Você adora ajudar. De manhã, sentamos no chão pra pôr os sapatos e você me ajuda a levantar. Quando chegamos na creche, você guarda seus sapatos e pega os outros pra vestir lá dentro. Já sabe onde colocar seu casaco. Está super independente.

Dois anos, numa 5a. feira, tenho aqui comigo uma menininha linda. Alegre e faceira, adora uma farra. Vamos ao Aquarium para comemorar seu aniversário de 730 dias de vida.

Feliz aniversário, minha princesa.

Te amamos muito,
Mami, Baba e Eithor

Carta pra Valentina – 23 meses

Minha menininha linda, você chegou aos 23 meses. Já! Parece que foi ontem que papai e mamãe chegaram do hospital com você, debaixo de uma tempestade de neve.

A primeira coisa que fizemos, foi apresentá-la ao Eithor. Não foi uma recepção muito calorosa, assim digamos. Ele me ignorou por uns dias.

Hoje, você sai pela casa chamando “Eitiii”. Acha os pedacinhos de ração escondidos pela casa e leva até ele. Tenta abraçá-lo e pegá-lo, como se fosse um ursinho de pelúcia. Mas ele não é ursinho de pelúcia e não gosta muito desse seu jeito meio estabanado de ser. Então, de vez em quando, tenho que apaziguar as coisas: “Valentina, pára de correr atrás do Eithor” e “Eithor, pára de rosnar pra Valentina”.

Você anda falando pelas paredes, apesar de ainda não formar frases. O seu “não” é em português e o “sim”, é em inglês. Isso porque o “não” é muito mais difícil que o “no” (seu pai que o diga, quando tenta falar e sai um “nón”).  E sim, o “não” é sua palavra favorita ultimamente, só perde pra Dora. Você sabe dizer que quer descer do cadeirão, quando quer ver seus desenhos da Galinha Pintadinha, quando quer comer “nana” (banana), “api” (apple), toast. Entende tudo o que eu falo em português, embora de vez em quando tenha que usar uma ou outra palavra em inglês (time-out, por exemplo). Fala oi e hi, tchau e bye. Sabe o que é beijo, buz bede e kiss. Sabe os nomes de todos os seus amiguinhos da creche. Sua amiga favorita é a Aram. Ela já tem quase 4 anos e te adora.

Continua comendo um monte e dou graças que você não é nem um pouco chata pra comer. Come de tudo e com gosto. Só não gosta de mamão, blueberries e salmão defumado. Até pickles, se deixar, você come um monte. Outro dia, seu pai estava fazendo a salada dele e você quase comeu metade: pepino, alface, queijo de cabra. Não é à toa que você está tão grande! Na última vez que a medimos, você estava com 89cm e uns 14kgs. Grandona. E pensar que você era um toquinho de gente quando chegou em casa!

Você entrou na fase de que tudo é seu. Vive falando “this is mine!” e tira os brinquedos dos outros. Aos poucos, tem aprendido que não é bem assim, que todo mundo pode brincar também. Mas é difícil, né? Conto até dez e mentalizo que é só uma fase e que vai passar. Até o coitado do Eithor já entrou nessa. Ele estava dormindo no sofá, ao lado do seu urso. Quando você viu, saiu correndo, gritando “this is miiiiiiiine” e arrancou o urso de perto do Eithor. Não, isso não é legal, mas a gente tem tentado te ensinar como as coisas funcionam.

Anda cheia de opinião, quando quer algo e não damos é choro na certa. Outro dia, porque a mamãe teve que trocar a sua blusa, você ficou sentada no chão por quase 10 minutos, de braços cruzados e cara feia, dizendo “não,não,não,não,não,não,não,não,não,não,não,não,não”. Eventualmente você esqueceu e voltou a fazer palhaçada.

Aliás, se tem uma coisa que não posso reclamar, é do seu bom humor. Você está sempre rindo e se divertindo. Sempre acha algo pra brincar aqui em casa e, quando menos esperamos, vem correndo pra nos abraçar. Se a mamãe está andando, você pega na minha blusa e faz “bi-bi” e vamos brincar de trenzinho. E você morre de rir.

Estou impressionada o quanto você já entende muita coisa. Se você joga algo no chão, peço pra pegar do chão e me dar. E você faz isso! Quando vamos sair, você escolhe seu sapato e tenta calçá-los. Depois de uns minutos, eu pergunto se você quer ajuda, e você sempre diz “yes”. Depois disso, você pega o sapato que a mamãe vai usar (escolhido por você!).

Se tem algum papel pra jogar fora, você vai até a cozinha, abre o armário e joga no lixo. Claro que muitas vezes, você quer pegar de volta e tenho que te explicar que não pode.

Outro dia, você pegou um saco plástico, pôs a mãozinha dentro e ficou brincando de “catar” coisas no chão. Exatamente como a gente faz quando sai com o Eithor. Depois muita gente fica pensando em como vocês aprendem as coisas, né?

Mês que vem é o seu aniversário. 2 anos! Decidimos não fazer festa. Vovó não está aqui esse ano, e nós vamos viajar pra casa da tia Lu no natal. Então vamos fazer um bolinho aqui em casa mesmo. Você ainda não sabe o que é festa de aniversário e nem pede brinquedos. Resolvemos que faremos festa mesmo, só quando você pedir e já souber o que é isso. Dá pra se divertir igual!

Minha pequena, você está cada dia mais linda e mais esperta. É uma criança carinhosa e está sempre ligada nos 220v. Apesar disso, é tranquila, não é de chorar, dorme super bem! Feliz 23 meses!

20 meses

Tenho uma tagarela em casa! Repete tudo o que a gente fala. 96% é ininteligível, claro, mas ela tenta! :-)

Tá super independente, acorda de manhã, desce da cama e vai me acordar. Sobe e desce do sofá a vontade.

Aprendeu a apontar pro bumbum quando faz cocô. E fala “mumumum” (bumbum).

Aliás, tá falando:

mami, dadai, tata (vovó) gimepi (give to me please), dank (thank), mine, eiti (eithor), pis (please), nán (não, not), êqué (eu quero), iwa (I want) e os gibberishes que ela fala e tem certeza que é algo (na cabeça dela, claro). Ontem foi assim: arros (“aoo”), carne (“aca”) e batata (“atata”). Valentina é “didi”.

Corre pra cima e pra baixo, ligada no 220v 24hrs por dia!

Deu pra odiar lavar a cabeça. Antes chorava horrores pra tomar banho, agora tá curtinho. Descobri que ela gosta de água mais fria que quente (ao contrário da mãe que ama um banho bem quente!). Hoje mesmo chorou porque viu a piscina e queria entrar (tá resfriada, não pode!).

Dá a mãozinha na rua, principalmente na garagem.

Tem um cobertor favorito, mas não é único. Se não tiver ele por perto, não tem problema.

Consegue se divertir sozinha. Tá sempre achando algo pra fazer em casa. Ou pra destruir, depende do ponto de vista.

Outro dia mesmo, destruiu a casa em 10 minutos. Primeiro, arrancou a bonequinha de madeira que fica na parede dela. Tava arrumando e ela virou o humidificador de ar no carpete. Encharcou tuuuuuuudo. Fui secar e ouvi barulho na cozinha: ela pegou toda a ração do Eithor, virou no pote de água dele, virou o pote de água no chão e comeu metade da ração. Catei com a boca cheia de ração molhada/mastigada. Eca! Tô secando a cozinha e ela sobe na mesa de centro. Fica em pé lá gritando a la Leonardo di Caprio em Titanic…

Ouve uma música e sai dançando. Dá tchau pra tudo e todos (até pro carro passando do outro da rua).

Adora os bichos de pelúcia e carrega-os para cima e para baixo. Um deles é maior que ela, outro parece o Eithor.

Falando em Eithor, ela acha que ele é boneca pra ser agarrado. Claro que ele não gosta e dá um “chega-pra-lá” nela. Agora, ela dá tchau  e manda beijo pra ele antes de saírmos de casa.

Em 4 meses essa mocinha vai fazer 2 anos. Alguém pára o tempo por favor?

Não dá vontade de morder?

Slow parenting – já ouviu falar?

Achei interesante e resolvi compartilhar…

Pais Sem pressa!
Por Ana Esteves

O movimento Slow Parenting defende que «menos é mais»: menos coisas, menos actividades, menos pressa, menos pressão, menos expectativas. Mais tempo para crescer fará as crianças mais felizes.

Quem teve uma casa na árvore, leu a Pipi das Meias Altas e ainda se lembra dos dias intermináveis das férias grandes sabe do que se trata. A infância das crianças de hoje é bastante diferente da dos pais: pela pressa constante, pela falta de disponibilidade para estar com elas, pelo tempo todo controlado, pela pressão de serem os melhores em qualquer coisa. Mas há quem tente pôr um travão neste frenesim, desacelerar um pouco e devolver às crianças o que a infância tem de melhor: tempo para crescer e descobrir o mundo.

O movimento Slow, que defende e procura um abrandamento do ritmo de vida actual e faz o elogio da lentidão como forma de melhor apreciar as coisas boas, também chegou à educação. «Trees makes the best mobiles» (As árvores são os melhores mobiles) foi o livro que mudou a forma de encarar a maternidade de algumas estrelas de Hollywood: Gwyneth Paltrow descobiu-o quando a sua filha Apple era bebé e a partir de então oferece-o a todas as amigas que vão ser mães. As formas mais simples de educar num mundo tão complexo atraíram também Laura Dern, Heidi Klum, Courtney Cox e Susan Welsh. Como resistir à pressão de comprar demasiadas coisas que se tornam ruído para um bebé e à tentação de estar sempre a mostrar-lhe coisas novas, a acelerar o seu desenvolvimento e as suas descobertas, são algumas das propostas deste livro.

Outra obra que contribuiu para o movimento Slow Parenting foi «What Mothers do: Especially when it looks like nothing» (O que fazem as mães: especialmente quando parecem não fazer nada), de Naomi Standler. Segundo a autora, as mães não devem encarar o bebé na lógica de mais uma lista de «coisas a fazer». Quando estão apenas a contemplar o seu filho pode parecer que estão a fazer nada, mas afinal estão a fazer o mais importante: descobri-lo, conhecê-lo e deixá-lo ser ele mesmo.

Brinquedos simples
Substituir brinquedos electrónicos cheios de ruídos e estímulos por simples pauzinhos, folhas, pedras ou conchas é um dos mais importantes conselhos do Slow Parenting. Não devemos apressar as crianças e os defensores da lentidão abominam especialmente os brinquedos que prometem ensinar-lhes rapidamente muitas coisas, seja vocabulário, uma segunda língua, ou como somar e subtrair. Não devemos esperar nem agir como se os nossos filho fossem pequenos génios que têm de fazer tudo antes dos outros. Depressa não é forçosamente bem. Cada coisa a seu tempo e sobretudo, no ritmo certo, afirmam os «slow parents».

Tempo para brincar e estar sem fazer nada
Gastar dinheiro em múltiplas actividades quase desde o berço é outras da realidades do mundo moderno contestadas pelos defensores da filosofia da lentidão e do «menos é mais» aplicada à educação. É mais importante que as crianças tenham tempo para actividades livres, não organizadas, do que tenham os dias todos ocupados com actividades estruturadas. Informática e ballet aos três anos parece muito apelativo, mas na verdade não tem vantagens nenhumas, é mais uma despesa e rouba tempo ao que é realmente importante: brincar e interagir, sobretudo com os pais.

Aliviar a pressão de pais hiper-activos
Mais recente foi a pulbicação de «Under Pressure: Rescuing Our Children from the Culture of Hyper-Parenting» (Sob Pressão: como Salvar as Crianças da Cultura dos Hiper-Pais), de Carl Honoré, um dos gurus do movimento Slow. O jornalista e autor de «In praise of Slow» (O Elogio da Lentidão), dedicou-se a analisar a forma como são educadas as crianças na nossa sociedade de consumo, onde a pressa é constante. Honoré considera os pais de hoje hiper-activos e defende que é preciso salvar as crianças desta vertigem constante e devolvê-las à infância – que deve ser um lugar de calma e de tempo a perder de vista.

Alguns dos conselhos de Carl Honoré:
# Deixar as coisas acontecer em vez de estar sempre a programar

# Deixar as crianças correr alguns riscos em vez de os transportar numa agenda sem intervalos de uma bolha de segurança para outra.

# Não pretender controlar tudo. Deixar tempo livre às crianças para que possam desenvolver a sua criatividade. Carl Honoré pretendia inscrever o filho em aulas de expressão plástica, depois de a professora o informar que a criança era muito dotada para as artes. O filho, com sete anos, disse-lhe: «Pai, porque é que os adultos têm de controlar tudo? Eu só quero desenhar e pintar, não preciso de aulas para isso».

# Recusar a pressão de ter de oferecer aos filhos uma infância perfeita. Isso não existe, tal como não existem pais perfeitos.

# Dê aos seus filhos espaço e tempo para explorar o mundo à sua maneira. É assim que as crianças aprendem a pensar, a inventar e a socializar, a ter prazer nas coisas que fazem, a desenvolver o que são em vez de tentarem apenas cumprir as expectativas dos pais.

# Dê muito amor, atenção e disponibilidade. Sem condições.

O autor afirma que a principal razão para escrever este livro foi pessoal, pois precisava de arrumar as ideias de forma a alterar a sua forma de ser pai. Um dia descobriu um livro que resumia histórias infantis clássicas para que os pais pudessem lê-las em 60 segundos, na hora de deitar. A sua primeira reacção foi pensar «Boa ideia!» Então percebeu a loucura em que os pais de hoje andam, ele incluído. Era preciso mudar, a bem dos seus filhos.

Nas sua investigação, visitou creches em Itália e na Escócia, um laboratório de pesquisa de brinquedos na Suécia, escolas na Finlândia e em Hong-Kong, colégios em Inglaterra e nos Estados Unidos, clubes desportivos um pouco por todo o lado. Chegou à conclusão de que a ambição desmedida dos pais que pressionam os filhos, em todas as idades, é um fenómeno global.

O livro procura mostrar como é possível encontrar um equilíbrio no ritmo de vida familiar de modo a que a infância deixe de ser uma corrida para o sucesso. A tentativa constante de dar aos filhos tudo o que há de melhor corta-lhes a possibilidade de aprenderem a tirar partido daquilo que têm. E essa é a melhor lição de vida que podem ter.
Tendo em conta o investimento de tempo, energia e dinheiro que se faz hoje em dia nos filhos, a geração de crianças actual devia ser a mais saudável e feliz de todos os tempos. Mas tal não acontece. Carl Honoré aponta a obesidade por um lado e as crianças que praticam desporto de forma demasiado intensa, por outro. Nem uns nem outros são saudáveis e felizes. E por isso nunca como hoje houve tantas crianças depressivas, ansiosas e com baixa auto-estima. Adoptar um estilo parental mais descontraído, sem pressão e sem pressa, pode parecer difícil. Mas é possível. As férias são decididamente uma boa altura para pensar no assunto.

Para saber mais:
# «Trees makes the best mobiles: simple ways to Raise your child in a complex world», Jessica Teich e Brandel France de Bravo, St. Martin’s Griffin, 2002

# «What Mothers do: Especially when it looks like nothing», Naomi Standler, Piatkus Books, 2004

# «Letting Go, as Children Grow», Deborah Jackson, Bloomsbury Publishing PLC, 2003

# «Do Not Disturb: Benefits of Relaxed Parenting for You and Your Child», Deborah Jackson, Bloomsbury Publishing PLC, 1993

# «In praise of Slow», de Carl Honoré, 2004. Tornou-se a bíblia do movimento Slow. Em Portugal, o livro foi editado pela Estrela Polar sob o título «O movimento Slow».

# «Under Pressure: Rescuing Our Children from the Culture of Hyper-Parenting», Carl Honoré, HarperOne, 2008

puttingfamilyfirst.org

Sobre o movimento slow:
http://www.slowmovementportugal.com/movimentos-slow/saude-e-medicina/http://www.rituaismaternos.com/page/18/

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