O filho dos outros

Você ouve sua amiga falar dos filhos quinhentas vezes por dia. E nas quinhentas vezes, você dá algum palpite, lembrando de como sua mãe fez com você, com sua irmã, ou como a tia da filha da vizinha trata os afilhados do ex-marido.
Acha que sabe tuuuudo. Afinal de contas, criança é tudo fácil, né? Quando você era pequena, não tinha destas de “estilo de criação” isso ou aquilo, milhares de fóruns no Orkut para discutir se o castigo A é melhor que o B e se não vai criar traumas. Trauma? Que é isso? “Na minha época”, pensa, era tudo muito mais fácil. A gente ia pra escola, voltava pra casa, fazia a lição e dá-lhe TV o resto da tarde.
Tudo bem que de vez em quando tinha uma natação aqui, uma aula de inglês ali, mas era tão raro isso! Aí você escuta sua amiga falar, pela 500a. vez, que a filha mostrou a língua, mas que não queria brigar com ela pra menina não ficar traumatizada.
[...acelera o relógio em uns 10 anos...]
Um dia, você se descobre grávida. Tá, nem foi tanta surpresa. Você já tava casada/juntada há uns anos, estavam planejando e já tinham mandado a camisinha e a pílula pras cucuias. Mas enfim, você se descobre grávida.
E descobre que não entende nada de gravidez nem bebês. E aqueles conselhos todos que você dava praquela amiga? Esqueceu tudo, passou branquinho!
Começa a devorar quinze mil livros sobre gravidez semana-a-semana. Todos falam a mesma coisa: “a partir da 6a. semana começam os enjôos”; “você entrou no 2o. trimestre de gravidez e os enjôos são coisa do passado” (embora a lata de lixo do trabalho continue a ser a sua melhor amiga de manhã).
Conforme as semanas vão passando, passa a devorar quinze mil livros sobre parto e cuidados com o recém-nascido. Entra em pânico porque descobre que nunca fez idéia de como se limpa umbigo de bebê. Fralda? Xi….
Aí chega o bebê, bebê cresce e vira uma criança. Aos dois anos é praticamente independente. Sabe abrir a geladeira e pegar o pote de iogurte pra te dar. Aprendeu a pôr a bota de chuva e o casaco. Dá tchau pra você e sabe abrir a porta. Dá aqui a pouco já tá até pedindo a chave do carro, antes dos três anos, claro.
E com a chegada do bebê, você passa a ligar pras suas amigas 500 vezes ao dia contando tudo que ela fez. Ela sorriu pra mim, conta, emocionada com o primeiro sorriso do bebê. Ela aprendeu a morder o pé. Ela fez xixi na casa toda. Sim, porque amiga que é amiga tem ouvido pras coisas mais escatológicas que sejam, desde que vindos do bebê, porque ninguém merece ouvir que você teve uma diarréia de perder 10kgs em duas horas.
E todos aqueles conselhos que você dava antes, agora parecem horríveis. “Não deixa muito no colo não senão a criança fica viciada e NUNCA mais vai querer outra coisa”. “Nossa, ela dorme com você? Conheço adolescente que dorme com os pais e nunca dormiu no próprio quarto!”.
Com a chegada dela, você descobre que tem intuição e que nunca consegue ficar longe dela. Sofre horrores quando resolve colocá-la na caminha dela (sim, a caminha que ela adora e dorme a noite inteirinha), porque os roxos nos braços depois de uma noite insone numa cama com três pessoas já não parecem tão atrativos.
Descobre que aquele berço que fez tanta questão de comprar não serviu pra quase nada. Foi um ótimo porta-roupa. A idéia de que bebê tem que dormir no próprio berço desde pequenininho lhe parece tão errada que não entende nem como é que pôde pensar assim.
E enquanto o bebê cresce, toda uma série de idéias pré-concebidas e palpites descabidos vão mudando e você vai se tornando uma mãe totalmente diferente daquela que imaginava que seria, dez anos antes.
Sim, agora é sua vez de falar pras suas amigas tudo que sua filha fez durante o dia. E ouvir os conselhos, os palpites, as dúvidas, tal qual dez anos antes. E o melhor, isso sempre com um sorriso no rosto.
A amiga? Continua te ligando quinhentas vezes ao dia para contar das peripécias dos filhos, agora já triplicados.

Você não precisa ser Perfeita

do livro “Orientações para as Futuras Mães” (Marta e Willian Sears)

Algumas mulheres nascem perfeccionistas ou adquirem esta qualidade logo na infância. Para elas as coisas têm de ser feitas de determinada maneira, elas dão duro para ser as melhores alunas da classe, para conseguir empregos importantes, para casar com homens importantes, para ter lindas casas.
Outras mulheres tornam-se perfeccionistas quando tem filhos. Amam os filhos, e junto com muitas outras circunstancias, dirigem tudo. Elas querem que seus filhos tenham o melhor, tenham as coisas que elas próprias jamais tiveram, tenham uma mãe que elas desejaram ter tido. Elas se empenham em fazer tudo “direito”, acreditando que assim vão assegurar que os seus filhos tenham saúde e felicidade no futuro.
Elas querem que seus bebês tenham o melhor começo na vida, por isso comem bem durante a gestação. Elas planejam um trabalho de parto perfeito e o nascimento deve acontecer dentro do horário predeterminado. Elas amamentam porque sabem que é o melhor. Elas devoram livros especializados e entram em pânico se a criança não está alcançando o mesmo progresso no desenvolvimento que sua priminha da mesma idade.
Paga-se um preço alto pela perfeição. Você pode estar se encaminhando para a loucura ao tentar ser uma mãe perfeita, mesmo que seja apenas de um bebezinho; observe o barulho que fazem algumas crianças em idade escolar quando estão sozinhas. Mesmo que você siga absolutamente tudo que o livro manda (até mesmo este livro), ainda não haverá garantia de que os pequenos se comportem da maneira que você quer. De fato, a perfeição é prejudicial aos filhos. As crianças perfeitas nunca terão a oportunidade de aprender a aceitar os próprios erros.

A boa nova é você não ter de ser perfeita. Não precisa estar certa o tempo todo. Não tem de se torturar constantemente sobre o que é melhor. Tudo o que você precisa ser é uma mãe boa o suficiente, boa a maior parte do tempo, acima de tudo boa. O que conta é o sentimento que predomina no relacionamento com seu filho, não a contagem de pontos do placar de acertos e erros.

Amamentar, por exemplo. O leite materno é melhor para as crianças e é um afortunado o bebe cuja mãe opta por amamentá-lo. Entretanto, a amamentação não deve ser uma experiência estressante, um caso de vida ou morte. Decida-se por ela apenas por causa de suas vantagens cientificas. Se você se decidir pela amamentação motivada apenas pelas recomendações dos especialistas, logo vai descobrir que a vontade de ser perfeita não é motivação forte o bastante para enfrentar todos os problemas que surgem. Felizmente, a natureza criou algumas salvaguardas. Amamentar é relaxante e agradável para a maioria das mulheres e, ao descobrir isso por si mesma, você pode deixar de lado a atitude “Farei isto por meu filho”. Tudo na amamentação, inclusive as reações do bebê, serão muito mais naturais, boas o suficiente para ajudá-lo a progredir e crescer e manter você feliz e confiante (se isso não acontecer e você sinceramente se sentir muito infeliz amamentando, nesse caso acredito que a mamadeira será melhor, pelo menos seu filho poderá ver um rosto mais feliz na maior parte do tempo. Quem sabe da próxima vez vai ser mais fácil, se é que você vai ter outro filho).

É uma boa idéia comer bem enquanto estiver amamentando, até por causa de sua própria saúde e bem-estar. Porém, não se declare perfeita – uma tarde você não resiste à vontade e faz uma farra, acaba com o estoque de batatas fritas e depois liquida aquele pavê de chocolate cheio de creme. Você está querendo intoxicar seu leite? Não, claro que não. Seu leite ainda assim será nutritivo e maravilhoso para seu filho, mesmo não seguindo a dieta perfeita. Amanhã é outro dia e provavelmente você vai preferir uma salada na hora do almoço.

O choro do seu filho é outra área em que você deve abandonar as idéias de perfeição. Sempre será possível ajudar seu filho a parar de chorar. Ser uma mãe receptiva não significa que tenha de silenciar as emoções negativas de seu filho. Você o acalma e ampara e, na maioria das vezes, isso pára o choro. Se isto não acontecer você continuara confortando seu filho, tentando novas formas de ajudá-lo, mas não se responsabilize por suas dores e sensibilidades. Uma boa mãe sempre vai tentar ajudar o filho quando ele esta chorando, entretanto, mesmo a mãe “perfeita” não pode evitar completamente o choro e se ela tentasse poderia prejudicar o desenvolvimento emocional do bebê.

Também não é preciso ter uma casa perfeita, a menos que você ou seu marido queiram. Sendo confortável, um pouco de desordem pode até ter alguma praticidade; mas quando você está devotando a maior parte do seu tempo a cuidar de seu filho, baixar o padrão de manutenção da casa não é apenas inevitável, é saudável. Se você está usando o pouco de tempo que lhe sobra correndo de um lado para o outro atrás de grãozinhos de pó, lavando vidraças ou trocando as cortinas do banheiro, rapidamente esgotará todas as suas energias. Você se tornará uma pessoa rabugenta, atormentada pelas manchas no espelho, obcecada em manter arrumadas as almofadas do sofá após a última sessão de amamentação. Em breve estará no centro de um conflito sobre como gastar seu tempo: limpar e polir versus cuidar e brincar com seu filho enquanto recarrega suas próprias baterias. Agora, sinceramente, o que você acha mais importante?

Não é que não deva mais limpar; alguma ordem é necessária para manter a higiene. Mantenha o ideal de uma casa perfeita só neste item. Talvez precise encorajar seu marido a baixar seu padrão de exigência ou realizar um grande remanejamento do trabalho, ou as duas coisas juntas. Os dois devem ter em mente que todas as casas deslumbrantes que vêem nas revistas e todos aqueles jardins tão bem cuidados que admiram quando estão a caminho do supermercado provavelmente não pertencem a pessoas que estão tentando o malabarismo de cuidar da casa e de um recém-nascido com a mesma presteza. Tente imaginar o futuro. Um dia, quando seus filhos crescerem e forem embora, poderá ter uma casa perfeita – se ainda quiser uma. Ninguém em seu leito de morte jamais desejou ter gasto mais tempo limpando a casa, e ninguém em seu leito de morte jamais se arrependeu de ter gasto muito tempo com os filhos.

Se suas tendências perfeccionistas estão vindo à tona agora que você se tornou mãe, relaxe e liberte-se. Tenha em mente que está fazendo o melhor que pode dentro das circunstancias do momento e de acordo com os recursos que dispõe. Não caia na armadilha de acreditar que não é boa o suficiente. Se você ama o seu filho e sente que realmente o conhece e compreende, definitivamente você alcançou o sentido da maternidade. Saboreie cada instante da vida do seu filho da forma como ele acontece, em vez de ficar achando que algo mais poderia ser feito. Se, na maior parte do tempo, você está em sintonia com seu filho, então será da mãe que ele necessita – de longe a melhor coisa a que se pode aspirar, melhor do que uma visão distorcida de perfeição.

Orientações para as Futuras Mães (Marta e Willian Sears) -

20 meses

Tenho uma tagarela em casa! Repete tudo o que a gente fala. 96% é ininteligível, claro, mas ela tenta! :-)

Tá super independente, acorda de manhã, desce da cama e vai me acordar. Sobe e desce do sofá a vontade.

Aprendeu a apontar pro bumbum quando faz cocô. E fala “mumumum” (bumbum).

Aliás, tá falando:

mami, dadai, tata (vovó) gimepi (give to me please), dank (thank), mine, eiti (eithor), pis (please), nán (não, not), êqué (eu quero), iwa (I want) e os gibberishes que ela fala e tem certeza que é algo (na cabeça dela, claro). Ontem foi assim: arros (“aoo”), carne (“aca”) e batata (“atata”). Valentina é “didi”.

Corre pra cima e pra baixo, ligada no 220v 24hrs por dia!

Deu pra odiar lavar a cabeça. Antes chorava horrores pra tomar banho, agora tá curtinho. Descobri que ela gosta de água mais fria que quente (ao contrário da mãe que ama um banho bem quente!). Hoje mesmo chorou porque viu a piscina e queria entrar (tá resfriada, não pode!).

Dá a mãozinha na rua, principalmente na garagem.

Tem um cobertor favorito, mas não é único. Se não tiver ele por perto, não tem problema.

Consegue se divertir sozinha. Tá sempre achando algo pra fazer em casa. Ou pra destruir, depende do ponto de vista.

Outro dia mesmo, destruiu a casa em 10 minutos. Primeiro, arrancou a bonequinha de madeira que fica na parede dela. Tava arrumando e ela virou o humidificador de ar no carpete. Encharcou tuuuuuuudo. Fui secar e ouvi barulho na cozinha: ela pegou toda a ração do Eithor, virou no pote de água dele, virou o pote de água no chão e comeu metade da ração. Catei com a boca cheia de ração molhada/mastigada. Eca! Tô secando a cozinha e ela sobe na mesa de centro. Fica em pé lá gritando a la Leonardo di Caprio em Titanic…

Ouve uma música e sai dançando. Dá tchau pra tudo e todos (até pro carro passando do outro da rua).

Adora os bichos de pelúcia e carrega-os para cima e para baixo. Um deles é maior que ela, outro parece o Eithor.

Falando em Eithor, ela acha que ele é boneca pra ser agarrado. Claro que ele não gosta e dá um “chega-pra-lá” nela. Agora, ela dá tchau  e manda beijo pra ele antes de saírmos de casa.

Em 4 meses essa mocinha vai fazer 2 anos. Alguém pára o tempo por favor?

Não dá vontade de morder?

Sites da semana

Como Dia das Mães está chegando (viu, marido-esquecido-que-não-deu-sequer-parabéns-no-ano-passado?!), pensei em alguns blogs e sites que eu adoro acompanhar:

- Simples Como Viver

Mãe e Muito Mais

Entre Fraldas e Livros

- Nasce uma Nova Mamãe

Kids Vancouver

- My Life as a Mommy

- Lu Brasil

Boa leitura! :razz:

Semana Mundial da Amamentação

Há muito tempo venho querendo escrever sobre a minha experiência com amamentação.

Desde sempre tive comigo que amamentar é o melhor para qualquer bebê. Seja pelos anticorpos passados, pela nutrição, pelo vínculo que se forma, tudo. Quando engravidei, não passou pela minha cabeça a possibilidade de não amamentar. Afinal, pensava, toda mulher tem leite, só não amamentava quem não quer ou não teve a orientação correta.

Durante a gravidez, li muito, vi vídeos, participei das aulas de pré-natal, de fóruns. Enfim, fiz a minha lição de casa. Por volta dos 6 ou 7 meses já tinha colostro, ou seja, tudo indicava que eu não iria ter problemas.

Quando a Valentina nasceu (14 horas de trabalho de parto e fórceps no final) não tive nem colostro. A primeira noite, com ela chorando horrores, nada de nada no peito, imaginem meu estado. Veio a enfermeira, me ajudou a expressar 2 gotas de colostro e foi só o que saiu. Ela me ensinou a usar a bomba de leite e mesmo assim, não saía nem 5ml. E a Valentina com fome. Eu já tava lá a dois dias e ainda não tinha conseguido dar de mamar direito.

A parteira não ajudou muito, só fazia explicar as posições e nada mais. Até que na 3a. noite outra enfermeira veio com 40ml de fórmula que a Valentina tomou em 2 segundos e meio.

Na hora me deu um troço que desandei a chorar. Foi muito frustante tentar dar o peito, ela pegar e não sair nada, e ainda vê-la chorar de fome.

Quando saí do hospital, passamos na farmácia para alugar uma bomba e tínhamos 4 latinhas de fórmula (cada uma para 1 mamada). Em casa, tentava tirar leite e nada. Tomei remédio, deixava ela no peito o tempo todo e fazia livre demanda.

Quando resolvi não complementar o tempo todo e “forçar” a amamentação, ela não ganhou peso nenhum. Estava dando mamadeira 1x por dia só.  Pra ajudar nenhuma das duas parteiras que me acompanharam no pré-natal foram de muita ajuda. A que eu gostava mais me saiu com essa: “É, tem mãe que não tem leite mesmo, você vai ter que complementar”. Buscar alguma alternativa? Checar a pega? Verificar a mamada, se ela tá tomando o leite gorduroso também? Não, nada disso.

E eu, sozinha num país sem a família, primeiro filho, totalmente perdida, depressão pós-parto, tudo ao mesmo tempo, obviamente que ia fazendo o que ela sugeria.

Não podia ir em uma clínica de amamentação antes das 6 semanas porque teoricamente a parteira é quem tem que dar a orientação até lá. Finalmente, com 8 semanas e muita insistência, consegui ir em uma clínica em Coquitlam.  A consultora olhou, disse que a pega tava boa, sugeriu comprar concha (que eu já tinha!) e só. Mais uma tarde perdida… e nisso eu só de olho no peso dela. Foram 2 meses para ela ganhar 1kg, um toquinho.

Quando ela tinha mais de 3 meses, finalmente consegui ir numa outra clínica em Vancouver, que já tinha ouvido falar muito bem. Lá me ajudaram mais, e sugeriram a sonda de relactação. Com a sonda, pela primeira vez desde que ela nasceu, a Valentina MAMOU efetivamente e eu quase que não acreditei. E por quase 2 meses fomos indo aos trancos e barrancos. Às vezes ela aceitava, normalmente não. Mamava sem a sonda por 1 minuto e olhe lá.

Meus peitos nunca encheram efetivamente e continuo usando o mesmo número que usava antes de engravidar. Não mudou nem 1mm nem antes, durante ou depois da gravidez. Pra “ajudar”, não tive MUITO apoio em casa. Apesar da intenção ser boa (me deixar descansar), a iniciativa do marido de dar a mamadeira de madrugada também contribuiu para o não-sucesso. Ter que ouvir ainda da família que “isso também aconteceu comigo, é de família, etc” também me matava.

Quando fui pro Brasil, Valentina resolveu de vez que não queria mais e eu, tão frustada e estressada por conta dessa batalha de todos os dias (sim, era uma batalha) acabei não insistindo mais. Ela ficou só na fórmula, não teve rejeição de leite, não ficou ressecada/constipada, não teve refluxo, nada.

E eu me remoendo internamente. Via (e isso até hoje) as mães amamentando tranquilamente até 2-3 anos, outras precisando doar leite por conta da super-produção (500ml em 20 minutos de bomba? Aqui em casa é sonho até hoje! O máximo que eu consegui foi 30ml em mais de 40min de bomba), outras escolhendo não amamentar ou sequer tentando…. tudo isso dói. Fico me pensando no que fiz de errado, imaginando se não podia ter sido diferente, ter a baixinha amamentando até hoje ou até quando ela quisesse…

Ainda estou em processo de aceitação do fato de não ter conseguido amamentar. Já ouvi muita gente dizer que “no próximo filho você faz diferente”. Mas, e se eu não quiser outro filho? Não quero ter outro bebê para corrigir os erros da primeira viagem. Estou começando a aceitar isso e entender que não foi por falta de tentar. Vendo a baixinha linda, saudável e gorducha me dá forças pra entender que eu tentei e tenho hoje uma filha linda.

♥♥♥

Mas, sendo a Semana Mundial de Amamentação, queria deixar um presente para uma pessoa que admiro muito. Ela amamentou as filhas por mais de 5 anos, no total. Com cirurgia no peito, todo mundo dizendo que ela não ia conseguir, e sim, conseguiu. A mais nova parou de mamar agora, com 1 ano e meio, com calma, tranquilidade e muito amor.

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Por que querem que o bebê cresça tão rápido?

Começou de maneira inocente: “Ela tá com cólica, só pode. Tem que dar chazinho”, com 1 semana de vida. Depois, “Ela já dorme a noite toda?”, com 1 mês.

A cada conquista da baixinha, uma pergunta a mais. Quando ela começou a firmar a cabeça, “já tá sentando sozinha”. Quando começou a dormir mais, “já sabe dormir sozinha?”. Quando fez 4 meses, “já começou a dar papinha?”.

E por aí: “Ela já rola?”, “ela já come? “, “já deu papinha, chazinho, suquinho?”.

Às vezes fica parecendo que o bebê não pode ser bebê. Tem que ser como um filhote de cavalo que, ao nascer, já sai correndo com as próprias pernas. Esquecem que o bebê – humano – é único. É totalmente dependente e seu desenvolvimento leva um tempo. Não dá pra esperar que um bebê durma a noite toda ou siga uma rotina quando é recém-nascido. Fisiologicamente é impossível para eles (se você tivesse um estômago menor que uma uva, também iria acordar a cada 2 horas pra comer, né?).

Todo mundo diz, “aproveita que ela cresce rápido”, “aproveita enquanto ela ainda é pequena”, mas ao mesmo tempo, parece que todos querem que ela cresça antes do tempo. Com 4 meses, tem que comer, beber outras coisas além de leite (seja materno ou fórmula), rolar, sentar sozinha, dormir a noite toda, aprender que “manha não funciona” (como se um bebê dessa idade soubesse o que é isso), ser independente e não ficar grudado no colo. Ah, não esqueça da r-o-t-i-n-a. Sim, bebê que se preze tem que ter rotina antes de sair da maternidade “senão a mãe fica escrava das manhas”.

Aos poucos, vamos aprendendo a criar filtro e eliminando as intromissões desnecessárias.

Apesar de tudo isso, o bebê cresce, claro. Valentina fez 4 meses, tá ficando cheia de dobrinhas, cada dia mais esperta. Mas claro, não basta rolar de um lado. TEM que rolar dos dois lados, “como assim ainda não rola?”.

Minha filha tem seu tempo. Ela segura a cabeça sozinha e super bem, tá sentando com pouquíssimo apoio, sorri pra todo mundo, tá virando (DE UM LADO), segura os brinquedos, sabe que vai comer ao ver o babador, ajuda a segurar a mamadeira ou o peito, está dormindo de 7 a 9 horas seguidas à noite, presta atenção na conversa, fica tagarelando -do jeito dela- o dia todo, adora banho e mais um monte de outras coisinhas lindas que aparecem a cada dia.

Mas isso tudo não é o suficiente. “Será que ela vai falar cedo?”, “ela vai engatinhar logo”, “os dentinhos estão nascendo, olha a baba”, “já tá na hora de dar suco pra essa menina”. Para quê tanta pressa, eu pergunto?

Quando for a hora ela vai engatinhar, andar, falar, ter dente, comer comida. E eu quero aproveitar cada minutinho dessa vidinha tão nova. Me maravilhar com o presente, ver cada conquista da baixinha. Acertar o alvo ao tentar pegar o brinquedo, sentar. Coisas tão banais para nós, adultos, e tão árduas para eles.

Valentina tá crescendo :cool:. Tenho já saudades de quando ela era recém-nascida. Cada choro, movimento, minuto, tentando descobrir quem ela era. Mas estou vendo a pequena se desenvolver, ganhar peso, ficar cada dia mais “conectada” à nós. Sei os seus choros, sei quando é fome ou sono. Ou apenas cansaço ou querendo fazer algo diferente (como sentar!). Como é bom acordar de manhã e ser recebida com um sorriso tão inocente!

Sim, ela vai fazer tudo o que me perguntam hoje. Quando? Não sei. Em 1 mês, em 6 meses, quem sou eu para forçar o crescimento dela?

Por que querem que o bebê cresça tão rápido? Aparentemente porque, segundo alguns, bebês não podem ser bebês. São mini-adultos que têm que “entrar na rotina da casa” desde cedo, não podem fazer manha, devem ser deixados chorando para aprender a dormir sozinhos e por aí vai.

Um bebê é só um bebê. Ou alguém já viu algum adolescente chorando desconsolado porque os pais resolveram ir ao cinema num sábado à tarde? Ou um universitário usando fraldas, mamando e usando chupeta? :wink:

Mãe, eu ainda vou ser maior que você, viu?

Mãe, eu ainda vou ser maior que você, viu?

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