Que língua ela fala?

Essa é uma pergunta que sempre me fazem. A Valentina fala inglês ou português? Fala farsi? Acho que posso dizer que ela fala “valentinês”: é uma mistura de inglês e português que, a primeira vista, soa uma babel de sons.

A primeira língua dela é inglês, sem sombra de dúvida. As frases vêm primeiro em inglês, misturada com palavras em português. Na escola e com o pai, só inglês. Comigo, mistura tudo.
Outro dia, logo após o retorno da minha mãe pro Brasil, ela perguntou pro pai: “daddy, where’s grandma?” e, na mesma hora, virou pra mim “mamãe, where’s vovó?”. A construção é inglês, mesmo que as palavras sejam na língua da mamãe: “I want pôr roupa e go lá fora”.

É um trabalho de formiguinha mesmo… lemos muito em português, coloco músicas brasileiras, vou conversando sempre em português, mas quando ela passa quase 11 horas do dia dela ouvindo inglês, brincando em inglês, interagindo em inglês, é complicado imaginar ou mesmo supor que o português fosse a primeira língua. Outro dia, ela brigou comigo quando perguntou o que era tal parte do corpo. Eu disse que era cotovelo e ela retrucou com um “não, mami, it’s elbow!”. Expliquei que era elbow em inglês e cotovelo em português. Se ela entendeu? Não sei.
Estou começando a mostrar que existem duas línguas: inglês, que ela conversa com o mundo, inclusive o pai, e português, que é a língua da mamãe.

Não sei se é cedo pra isso, afinal, ela só tem 3 anos, mas confesso que a “predileção”, ainda que naturalmente esperada, pela outra língua chateia um pouquinho. É o lado afetivo do idioma, como a Flávia bem descreveu. É a minha cultura, minha vida, como eu me conheço.

Passo boa parte do dia falando em português, escrevendo em português que, quando vejo minha filha brigar que não é cotovelo, é elbow, me acende a luzinha vermelha. Já pensou ir pro Brasil e ela não entender os tios, os primos, a avó?

Já com farsi, vejo que ela entende alguma coisa e fala uma ou outra palavra. Marido não faz tanta questão que ela seja fluente quanto eu, então fala com ela em farsi mas não sempre. Na maioria das vezes, é em inglês mesmo. Ele mesmo decidiu que é “uma língua muito complicada”.

Estou aproveitando que ela está na fase dos “porquês” e de querer saber o que é tudo. Não basta dizer que o objeto tal é uma cadeira, tenho que explicar que aquele negocinho ali embaixo é o parafuso que segura a rodinha pra fazer a cadeira deslizar.

Me pego pensando nas palavras, em como explicar de modo que ela entenda e, ao mesmo tempo, dando a oportunidade de introduzir novas palavras no vocabulário dela. Às vezes, vejo que ela não entendeu tal coisa e preciso repetir tudo em inglês. E depois repito mais uma vez em português. Se ajuda eu não sei, mas acabou que virou um hábito de sempre que falo algo em inglês com ela, repito a mesmíssima coisa em português.

Acho que só o tempo vai dizer se estou acertando nisso ou não. Espero que sim.

IELTS

Descobri que precisava fazer a prova do IELTS….. já vinha enrolando há séculos pra isso, mas tudo bem.  Ai, comecei meu curso na UBC e vi que, entre os requisitos pra tirar a licença de immigration practioner está a proficência em inglês. E eles aceitam IELTS, Celpip (curiosamente, os únicos dois aceitos para imigração) e outros que nunca tinha ouvido falar: CAEL, Melab (da Universidade de Michigan) e Cantest e os para francês.

Como meu francês se resume a “bonjour, merci, au beaucop”, achei melhor nem me matar com aquilo…. deixo isso pro pessoal de Quebéc! :-)

O primeiro passo foi tentar descobrir mais sobre os testes, requisitos, dificuldade, cursos, etc. Um dos testes foi descartado na hora quando vi não tinha em Vancouver (CANTEST é feito somente na Universidade de Ottawa). Os outros foram, aos poucos, caindo no meu conceito pela dificuldade em achar material de estudo ou cursos.

Como eu estava estudando numa escola de inglês, nada melhor que juntar o útil ao agradável. Resolvi fazer 4 semanas de curso lá, pela manhã. Professora ótima (a Joy, indico pra todo mundo), com experiência na prova e tudo. Já que eu não fazia nem idéia de como era a prova, 1 mês foi ótimo para eu me familiarizar com o formato.

Depois de começar o curso, percebi que teria muita dificuldade na parte de listening, devido ao meu problema auditivo. A professora me sugeriu pedir headphones na prova (o que ajudou MUITO), contando que tivesse cartinha do médico. Cartinha conseguida, fiz a minha inscrição na própria SFU (Simon Fraser University, onde a prova é aplicada), e deu tudo certo. Depois de umas semanas recebi a confirmação via email e também a aprovação do meu pedido.

No dia da prova em si, eu estava tranquila. Ou mais ou menos, na medida em que dá. Me lembrou muito prova de vestibular, pelo número de gente lá e pelo rigor. Um dos examinadores era um professor da VEC, o que me deixou mais tranquilla. Embora ele não pudesse falar comigo, só a presença dele já ajudou. E vi que tinham uns 3 alunos da VEC também, inclusive uma ex-classmate minha (e vou te falar, que bafo esta menina tem, aaaaaffff. E adivinha quem que ficava SEMPRE como minha colega da parte do speaking)…. anyway…..

A prova em si não foi difícil, aliás foi mais fácil que eu achava que seria. Só espero que esta impressão corresponda à minha nota, rs rs. :P

Eles irão mandar as notas nesta 6a. feira. Quando sair, eu digo (ou não, né?)… por enquanto vai uma tabelinha de pontos para, quem quiser, ver como é feita a atribuição das notas:

Listening
40-39 = 9.0
38-37 = 8.5
36-35 = 8.0
34-33 = 7.5
32-30 = 7.0
29-27 = 6.5
23-26 = 6.0
20-22 = 5.5
16-19 = 5.0

ACADEMIC Reading
40-39 = 9.0
38-37 = 8.5
36-36 = 8.0
34-33 = 7.5
30-32 = 7.0
29-27 = 6.5
23-26 = 6.0
19-22 = 5.5
15-18 = 5.0

GENERAL Reading

40 = 9.0
39 = 8.5
38-37 = 8.0
36 = 7.5
35-34 = 7.0
33-32 = 6.5
30-31 = 6.0
29 – 27= 5.5
23-26 = 5.0
20-22 = 4.5
15-19 = 4.0

Pronúncia, acento, sotaque…

Não sei se meu inglês é tão ruim assim ou se meu marido é desligado mesmo….

O Kam me ligou ontem perguntando se precisava de alguma coisa do mercado. Pedi pra ele comprar bacon, já que estávamos sem e eu queria fazer um bife à rolê….

No meio das compras, ele me liga perguntando se eu quero bagel (um pãozinho redondo, com um furo no meio) grande ou pequena. Sem entender nada, pedi pra ele trazer a pequena já que tínhamos pão o suficiente aqui em casa.

Quando eu vejo, ele me chega com 1,5kg de bagel. Ainda me perguntando o que raios eu iria fazer com tanto pão, perguntei o que deu nele de comprar pão, e ele: “você quem pediu, achei que quisesse pro café da manhã”. E eu: “mas eu NUNCA pedi bagel. Pedi BACON!”

Pela cara de atrapalhado, percebi que o bacon virou bagel…. ou eu melhoro esta pronúncia ou vou correr o risco de qualquer dia ele vir com algo ainda mais inusitado.

Em tempo: separei 4 bagels e congelei o resto. Vai durar uns meses…..

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Pra quem pediu o endereço da loja do requeijão. É bom sempre dar uma ligada antes pra garantir que ninguém :-) acabou com o estoque:

Bisan Mediterranean Market
7749 6th street, Burnaby, BC – V3N 3M9
Tel: (604) 524-8757
Fale com Sammi

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