O desfralde

Primeiro, foi por volta dos dois anos. Comprei um peniquinho, que ela adorava ficar pondo na cabeça. Mas na hora do vamos ver era um tal de tacar o penico pro outro lado do banheiro, dizendo que não queria. Resolvi deixar de lado e esperar o verão, quando ela teria 2 anos e meio.

Chegou o verão e, em agosto, começamos a tentar de novo, com as fraldas pull-ups da Dora e das Princesas Disney. Pra ajudar, comprei outro penico, o das Princesas, todo rosa.

Depois de ler “The No-Cry Potty Training Solution“, da Elizabeth Pantley, vi que ela estava me dando todos os sinais. Comprei alguns livros pra ela também:

O primeiro foi o “Lilly’s Potty“, sobre uma menininha que foge pela casa porque não quer ir ao banheiro, mas que no fim, vai e fica super feliz.

Depois, comprei um outro com fotos de menininhas e penicos/redutores reais. Ela adorou porque tem um monte de  “big girls” dizendo que não usam mais a fralda.

Fomos devargazinho… deixava ela com a pull-ups e alternava com a calcinha, em casa, aumentando o tempo com calcinha. Foi quando notei que ela quase nunca molhava a fralda à noite. Foi o sinal de que ela estava pronta!

De uma semana pra cá, acho que deu um “click” nela e simplesmente aposentamos qualquer fralda ou pull-up, nem pra dormir. E ela fica tão orgulhosa! :razz: :razz:

Agora, estamos saindo de casa sem fralda também. Já fomos no supermercado, sem acidentes! E realmente, quando a criança tá pronta, o desfralde é rápido, simples e não, não é sofrido.

É, minha menininha tá crescendo…..


 



Carta pra Valentina – 23 meses

Minha menininha linda, você chegou aos 23 meses. Já! Parece que foi ontem que papai e mamãe chegaram do hospital com você, debaixo de uma tempestade de neve.

A primeira coisa que fizemos, foi apresentá-la ao Eithor. Não foi uma recepção muito calorosa, assim digamos. Ele me ignorou por uns dias.

Hoje, você sai pela casa chamando “Eitiii”. Acha os pedacinhos de ração escondidos pela casa e leva até ele. Tenta abraçá-lo e pegá-lo, como se fosse um ursinho de pelúcia. Mas ele não é ursinho de pelúcia e não gosta muito desse seu jeito meio estabanado de ser. Então, de vez em quando, tenho que apaziguar as coisas: “Valentina, pára de correr atrás do Eithor” e “Eithor, pára de rosnar pra Valentina”.

Você anda falando pelas paredes, apesar de ainda não formar frases. O seu “não” é em português e o “sim”, é em inglês. Isso porque o “não” é muito mais difícil que o “no” (seu pai que o diga, quando tenta falar e sai um “nón”).  E sim, o “não” é sua palavra favorita ultimamente, só perde pra Dora. Você sabe dizer que quer descer do cadeirão, quando quer ver seus desenhos da Galinha Pintadinha, quando quer comer “nana” (banana), “api” (apple), toast. Entende tudo o que eu falo em português, embora de vez em quando tenha que usar uma ou outra palavra em inglês (time-out, por exemplo). Fala oi e hi, tchau e bye. Sabe o que é beijo, buz bede e kiss. Sabe os nomes de todos os seus amiguinhos da creche. Sua amiga favorita é a Aram. Ela já tem quase 4 anos e te adora.

Continua comendo um monte e dou graças que você não é nem um pouco chata pra comer. Come de tudo e com gosto. Só não gosta de mamão, blueberries e salmão defumado. Até pickles, se deixar, você come um monte. Outro dia, seu pai estava fazendo a salada dele e você quase comeu metade: pepino, alface, queijo de cabra. Não é à toa que você está tão grande! Na última vez que a medimos, você estava com 89cm e uns 14kgs. Grandona. E pensar que você era um toquinho de gente quando chegou em casa!

Você entrou na fase de que tudo é seu. Vive falando “this is mine!” e tira os brinquedos dos outros. Aos poucos, tem aprendido que não é bem assim, que todo mundo pode brincar também. Mas é difícil, né? Conto até dez e mentalizo que é só uma fase e que vai passar. Até o coitado do Eithor já entrou nessa. Ele estava dormindo no sofá, ao lado do seu urso. Quando você viu, saiu correndo, gritando “this is miiiiiiiine” e arrancou o urso de perto do Eithor. Não, isso não é legal, mas a gente tem tentado te ensinar como as coisas funcionam.

Anda cheia de opinião, quando quer algo e não damos é choro na certa. Outro dia, porque a mamãe teve que trocar a sua blusa, você ficou sentada no chão por quase 10 minutos, de braços cruzados e cara feia, dizendo “não,não,não,não,não,não,não,não,não,não,não,não,não”. Eventualmente você esqueceu e voltou a fazer palhaçada.

Aliás, se tem uma coisa que não posso reclamar, é do seu bom humor. Você está sempre rindo e se divertindo. Sempre acha algo pra brincar aqui em casa e, quando menos esperamos, vem correndo pra nos abraçar. Se a mamãe está andando, você pega na minha blusa e faz “bi-bi” e vamos brincar de trenzinho. E você morre de rir.

Estou impressionada o quanto você já entende muita coisa. Se você joga algo no chão, peço pra pegar do chão e me dar. E você faz isso! Quando vamos sair, você escolhe seu sapato e tenta calçá-los. Depois de uns minutos, eu pergunto se você quer ajuda, e você sempre diz “yes”. Depois disso, você pega o sapato que a mamãe vai usar (escolhido por você!).

Se tem algum papel pra jogar fora, você vai até a cozinha, abre o armário e joga no lixo. Claro que muitas vezes, você quer pegar de volta e tenho que te explicar que não pode.

Outro dia, você pegou um saco plástico, pôs a mãozinha dentro e ficou brincando de “catar” coisas no chão. Exatamente como a gente faz quando sai com o Eithor. Depois muita gente fica pensando em como vocês aprendem as coisas, né?

Mês que vem é o seu aniversário. 2 anos! Decidimos não fazer festa. Vovó não está aqui esse ano, e nós vamos viajar pra casa da tia Lu no natal. Então vamos fazer um bolinho aqui em casa mesmo. Você ainda não sabe o que é festa de aniversário e nem pede brinquedos. Resolvemos que faremos festa mesmo, só quando você pedir e já souber o que é isso. Dá pra se divertir igual!

Minha pequena, você está cada dia mais linda e mais esperta. É uma criança carinhosa e está sempre ligada nos 220v. Apesar disso, é tranquila, não é de chorar, dorme super bem! Feliz 23 meses!

Comer bem para dormir bem

Artigo excelente, escrito pela Dra. Andréia Mortensen
Para quem se interessa em conhecer um pouco mais de alimentação infantil…

originalmente publicado no Guia do Bebê e também na Comunidade Pediatria Radical

“A alimentação do bebê e da criança pode influenciar seu sono? Certamente!
O que e quando você come interfere no sono.

Crianças são mais saudáveis e dormem melhor se tiverem uma dieta equilibrada, contendo uma variedade de alimentos de todos os grupos da pirâmide alimentar.

Uma das chaves para uma boa noite de sono é se alimentar de modo que o cérebro seja ‘tranquilizado’ e não ‘agitado’ antes de dormir.

Alguns alimentos contribuem para um sono restaurador enquanto outros contribuem para que fiquemos acordados

Alimentos que contêm triptofano (que é o aminoácido precursor da serotonina e melatonina, substâncias indutoras de sono) contribuem para sono. Exemplos: latícinios (leite, queijos, coalhada, iogurtes), produtos de soja (leite de soja, tofu, feijão de soja), frutos do mar, carnes, frango, grãos integrais, feijão, arroz, hummus (pasta de grão de bico com semente de gergelim), lentilhas, amendoim e outras nozes, ovos.

Melhor ainda se consumir carboidratos complexos (como grãos integrais) com alimentos ricos em triptofano. Esses carboidratos estimulam a liberação de insulina que auxilia a remoção da corrente sanguínea de substâncias que competem com o triptofano.

Refeições mais leves provavelmente conduzem melhor sono, ao contrário de refeições gordurosas e fartas, que prolongam o trabalho do sistema digestivo e produzem gases. Algumas pessoas observam que alimentos temperados e apimentados podem produzir azia e então interferir no sono.

Assim, os melhores jantares para o sono são ricos em carboidratos complexos e médios ou baixos em proteínas, como: macarrão integral com queijo parmesão, ovos com queijo, tofu, hummus com pão integral, frutos do mar, queijo coalhada, frango com legumes, sanduíche de atum, feijões (não apimentados), sementes de gergelim, saladas com pedaços de atum com crackers de trigo integral e outros.

Inclua alimentos ricos em vitaminas B: grãos integrais, legumes, fígado, sementes, cogumelos, peixes de fundo de mar, ovos e verduras escuras e alimentos ricos em magnésio: nozes, grãos integrais, semente de girassol, abacate e uva passa.

Por outro lado, refeições ricas em proteínas produzem o efeito contrário, pelo aminoácido tirosina que estimula o cérebro ao invés de relaxá-lo, ou seja, deixam as crianças alertas e energéticas. Portanto evite oferecer ao seu filho no jantar carne vermelha, bacon ou porco, linguiça e presunto.

Além disso as refeições energizam e aumentam o metabolismo e por isso deve-se evitar jantar cerca de duas horas (tempo médio para digestão) antes de ir pra cama. (1).

Os melhores lanchinhos antes de dormir

Se teu filho faz um lanchinho antes de dormir, que seja pelo menos meia hora antes de ir para a cama e que sejam ricos em carboidratos complexos e cálcio (que ajuda o cérebro a usar o triptofano e a fazer melatonina) e médio ou baixo em proteínas.

Exemplos: leite (o leite materno tem propriedades indutoras de sono para ambos, bebê e mãe!), leite de vaca (somente para maiores de 1 ano, não alérgicos à proteína do leite de vaca e sem adição de chocolate!), iogurte, coalhada, abacaxi, bananas, abacate, ameixas, peru, semente de gergelim, de girassol, cajus, amendoins (não ofereça nozes antes de 1 ano pelo menos pelo risco de engasgue), cereais de grãos integrais com leite, sanduíche de manteiga de amendoim ou hummus, sorvete, tofu, biscoitos integrais de aveia e uvas passa. (2).

Observações importantes sobre o leite de vaca

Mesmo sendo conhecido como indutor de sono, cabe frisar que muitos bebês de menos de um 1 ano têm dificuldade de processá-lo, mesmo as fórmulas especiais para lactentes (menores de 1 ano), e frequentemente podem causar gases.

Leites integrais não são recomendados pelas Sociedades de Pediatria Internacionais para bebês menores de 1 ano. Em caso de impossibilidade de aleitamento materno o bebê deve receber fórmulas apropriadas, pelos seguintes motivos:

- o leite de vaca (de caixinha, de fazenda ou em pó) é rico em gordura saturada que não é adequada ao bebê. Na fórmula infantil essa gordura é substituída por poli-insaturada de origem vegetal, adequada às necessidades do lactente;

- o leite de vaca possui proteínas de difícil digestão para o bebê. Além disso, é altamente alergênico e pode causar rinite, dermatite atópica e amoniacal (dermatite das fraldas), já que o seu excesso de proteínas é eliminado pela urina em forma de amoníaco que pode produzir dermatite na zona genital. Nas fórmulas pra lactentes essa proteína é reduzida e tem estrutura modificada;

- o leite de vaca é rico em minerais (como fósforo) que dificultam a absorção de cálcio e que podem sobrecarregar os rins do bebê. Nas fórmulas esses minerais são parcialmente retirados;

- a fórmula infantil é adicionada de ferro, algumas vitaminas e carboidratos inexistentes no leite de vaca;

- finalmente, a fórmula infantil recebe soro de leite pra tornar a sua composição mais adequada às condições fisiológicas do lactente;

- o leite de vaca pode provocar desidratações no lactente (pois necessitam utilizar mais água de seu corpo para formar urina do que os que se alimentam de leite materno); diarréias (já que o tipo de flora intestinal que se forma quando se alimentam com leite de vaca não os protege tanto quanto a flora formada com o leite materno), anemia (já que o ferro do leite de vaca não é absorvido de forma tão eficiente quanto o leite materno) e, finalmente, o leite de vaca produz microhemorragias intestinais nos lactentes, o que também pode favorecer a aparição de anemia. (3).

O que evitar nos lanchinhos antes de dormir

Alguns alimentos podem criar problemas de sono, por causar indigestão e gases, e agravar o refluxo nas crianças que sofrem desse mal. Outros têm efeito estimulador no sistema nervoso.

Evite antes de sonecas e no lanchinho da noite: bebidas cafeinadas, chocolate, hortelã, comidas gordurosas e apimentadas, suco de laranja ou outros cítricos, margarina e manteiga, alimentos com aditivos e conservantes artificiais, glutamato monossódico, bebidas carbonadas (como refrigerantes), carboidratos simples (arroz branco, batatas, pão branco, farinhas refinadas em geral) e açúcares refinados.

Os principais bloqueadores de sono

São cafeína, álcool e açúcar, que precisam ser regulados durante o dia e restringidos nas horas que antecedem o sono.

Café, refrigerantes (como as colas) e chás pretos são as bebidas campeãs em cafeína. Somente 15 minutos após uma xícara de café o nível de adrenalina no corpo sobe, o que causa um aumento na pressão arterial, respiração e produção de ácidos estomacais. Vale a pena notar que refrigerantes são fonte rica de cafeína e açúcar e não devem ser consumidos à tarde e à noite para não interferirem no sono.

A cafeína também promove elevação no humor e na energia logo pela manhã, seguido de cansaço pela tarde. Em outras palavras, os efeitos da cafeína no corpo são como a lei da gravidade: tudo o que sobe tem de descer. Basicamente, os efeitos da cafeína revertem os que você deseja se o objetivo é dormir.

Algumas crianças são altamente sensíveis a açúcares em sua dieta, podendo agravar muitos problemas como hiperatividade, nervosismo, irritabilidade e pouca concentração, todos fatores que podem levar a problemas no sono.

Comidas tipo ‘fast food’ são geralmente concentradas em gorduras e contêm sabores e corantes artificiais que são estimulantes e difíceis de digerir. Alimentos que são classificados como ‘baixo teor de gordura’ geralmente contêm açúcar adicional que afeta o sono.

Alguns medicamentos para resfriados e dores de cabeça que podem ser comprados sem receita médica têm alta concentração de cafeína. Leia o rótulo ou pergunte ao farmacêutico.

O que fazem os açúcares e carboidratos refinados: a montanha russa

Uma refeição de carboidratos, especialmente ricos em açúcares e gorduras refinadas, vai interferir no sono da seguinte forma: primeiramente se perderão todos os efeitos indutores de sono do triptofano; em seguida, começará a ‘montanha russa’ de açúcar no sangue, pois o organismo dá respostas afoitas face a uma subida rápida do nível de glicose (pois o açúcar é convertido diretamente em glicose e causa súbita elevação de açúcar no sangue, rompendo o delicado equilíbrio de glicose e de oxigênio na corrente sangüínea) e com objetivo de reduzir esses níveis de açúcar na corrente sanguínea, o pâncreas faz uma descarga de insulina no sangue. O nível de açúcar cai drasticamente na corrente sanguínea e isso é seguido de liberação de hormônios do estresse que manterão a pessoa acordada e, logo em seguida, precisará repor esses níveis de açúcar.

Se os níveis de açúcar baixam muito, o cérebro interpreta a informação que recebe como um pedido de socorro. Vem então a sensação de fome, dando assim origem a um novo ciclo. Ou seja, sucessivas operações desse gênero provocam uma montanha russa metabólica que, além de interferir negativamente no sono, podem favorecer a obesidade e a diabetes.
Isso leva à hipoglicemia, que então produz agressão, ansiedade e comportamento hiperativo como correr loucamente e escalar em tudo (4).

Essa mesma criança poderia brincar muito bem por algum tempo se tivesse comido uma refeição balanceada, que eleva os níveis de serotonina em seu cérebro, estabilizando seu humor.

Concluindo, só é possível intervir nestes altos e baixos níveis hormonais se tivermos uma resposta insulínica moderada, e para isso é preciso comer menos, mais vezes e melhor, para evitar chegar ao estágio da fome descomedida no qual só nos apetece comer um chocolate ou umas batatas fritas. Uma refeição desse tipo antes de dormir (ou no meio do sono, como mamadeiras engrossadas de farinhas refinadas) provocam mais despertares noturnos.

Cuidado com os sucos

O Ministério da Saúde recomenda, para que as crianças supram as suas necessidades energéticas, que os alimentos complementares oferecidos após os seis meses de idade tenham uma densidade mínima de 0,7kcal/g. Por isso sucos de frutas ou vegetais e sopas são desaconselhados, por possuírem baixa densidade energética. Ou seja, oferecer sucos para bebês menores de 1 ano não é apropriado, pois são líquidos com menor densidade energética e nutrientes que o leite, que deve ser o principal alimento do bebê até 1 ano (5). Em outras palavras, ocupa-se espaço na barriga do bebê que deveria ser do leite com um líquido menos nutritivo e concentrado em açúcar (pela preparação). Possivelmente sua ingestão interferirá no sono. Ainda, se oferecido na mamadeira, pode acarretar confusão de bicos e desmame precoce. O ideal é oferecer somente água ao bebê (ao início da alimentação complementar por volta do sexto mês, composta de frutas ‘in natura’, legumes e cereais integrais) utilizando-se um copinho.

Aditivos alimentares que tem impacto no cérebro

Pesquisas em bebês mostram que ômega-3 (presente em óleo de peixe) é essencial para o desenvolvimento normal do cérebro, pensamento e concentração. Também aumenta os níveis de serotonina. Um estudo mostrou que baixos níveis de ômega-3 estão associados com problemas de comportamento, de aprendizado e de sono (6).

Crianças são particularmente vulneráveis a aditivos alimentares porque seus organismos e cérebros são muito imaturos. Alguns aditivos reduzem os níveis de dopamina e noradrenalina no cérebro, resultando em comportamento hiperativo em algumas crianças (7-19). Então, se seu filho consome sorvete ou refrigerantes de cola e tem comportamento agressivo ou hiperativo, você já sabe a razão. Preste atenção especialmente nos seguintes corantes e aditivos:

- corante amarelo n. 6 tartrazina, que é usado em balas, gomas de mascar e gelatinas, pode provocar reações alérgicas, além de asma, bronquite e urticária (20).

- corante vermelho n. 3 ou carmim, usado em alguns biscoitos, geléias e doces, também é inibidor de dopamina a noradrenalina, e pode levar à perda de concentração e a comportamentos como desordem de atenção e hiperatividade (ADHD).

- benzoatos e parabenos, que são usados em refrigerantes, gelatinas e molhos de salada, são relacionados à asma e à hiperatividade.

- sulfitos (incluíndo dióxido de enxofre), encontrados em algumas sobremesas e sucos de frutas.

- nitratos, adicionados a alguns queijos e carnes em convserva como salsichas. Podem causar dores de cabeça e foram relacionados ao câncer em estudos com humanos.

- adoçantes e edulcorantes, são adicionados a refrigerantes, alimentos doces e sucos industrializados, podem reduzir os níveis de triptofano, que é vital para o cérebro sintetizar serotonina, e também podem produzir comportamento agressivo e hiperativo (21).

Idéias para implementar uma dieta que contribua para um sono melhor:

- Tenha comidas saudáveis em sua casa e não compre guloseimas ou alimentos pouco nutritivos. Assim, quando seu filho estiver com fome, você pode oferecer somente o que é saudável e nutritivo.

- Nunca use doces como recompensa ou consolo ao seu filho.

- Ofereça bastante água durante o dia, pois até uma desidratação leve pode trazer sentimentos de ansiedade e contribuir para problemas de sono.

- Coma mais carboidratos complexos do que processados (incluindo frutas e legumes crus). Grãos integrais devem ser parte diária da alimentação da família.

- Certifique-se de que seu filho consome cálcio suficiente. Baixos níveis de cálcio podem causar irritabilidade e nervosismo. As fontes de cálcio são leite, iogurte, queijo, brócoli, sementes de girassol, espinafre, entre outros.

- Prefira alimentos orgânicos sempre que possível.

- Evite gelatinas e outros produtos com aditivos alimentares que também são prejudiciais ao sono, como descrito acima.

- Sempre que possível, prepare refeições caseiras de ingredientes frescos, pois assim você saberá exatamente o que elas contêm.

- Ofereça frutas com farinha de aveia ou aveia em flocos finos, iogurtes naturais (que tal fazer em casa?), queijo branco. Sucos somente das frutas frescas, não ofereça sucos artificiais que têm açucares refinados e outros aditivos químicos, e preferivelmente não antes de 1 ano de idade.”

- Ao invés dos populares farinhas industrializadas e similares (como mucilon e farinha láctea, que contêm cereais refinados e açúcares, ambos prejudicam o sono), prepare um ‘super mingau’ com cereais integrais, como: arroz integral, milho, soja, cevada, aveia, farelo de aveia, malte, trigo integral, semente de linhaça. Compre os grãos e moa em um processador ou liquidificador, cozinhe em água e acrescente um pouco de leite no final. Não coloque açúcar. Os grãos moídos em casa podem ser estocados no congelador por longo tempo.

- Iogurtes prontos com adição de corantes e aditivos, bolachas açucaradas, maisenas e outros não são alimentos próprios para um bom sono. Esqueça a idéia de ‘engrossar’ o leite do bebê para dormir melhor, o efeito será provavelmente o inverso.

- Pode ser que algum alimento da dieta do seu bebê esteja atrapalhando o seu sono e a melhor forma de descobrir isso é observando muito bem os efeitos dos diferentes alimentos em seu humor e saúde.

- Uma idéia bonitinha: crianças se interessam muito mais em comer as refeições se ajudarem a prepará-las! Então invista num livro de receitas para crianças e se divirtam cozinhando juntos!

As Cem Linguagens da Criança

A criança
é feita de cem.
A criança tem
cem mãos
cem pensamentos
cem modos de pensar
de jogar e de falar.
Cem sempre cem
modos de escutar
as maravilhas de amar.
Cem alegrias
para cantar e compreender.
Cem mundos
para descobrir,
Cem mundos
para inventar,
Cem mundos
para sonhar.
A criança tem
cem linguagens
(e depois cem cem cem)
mas roubaram-lhe noventa e nove.
A escola e a cultura
lhe separam a cabeça do corpo.
Dizem-lhe:
de pensar sem as mãos
de fazer sem a cabeça
de escutar e de não falar
de compreender sem alegrias
de amar e maravilhar-se
só na Páscoa e no Natal.
Dizem-lhe:
de descobrir o mundo que já existe
e de cem
roubaram-lhe noventa e nove.
Dizem-lhe:
que o jogo e o trabalho
a realidade e a fantasia
a ciência e a imaginação
o céu e a terra
a razão e o sonho
são coisas
que não estão juntas.
Dizem-lhe:
que as cem não existem
A criança diz:
ao contrário, as cem existem.
(Loris Malaguzzi)

As primeiras papinhas

Depois de ler este post ótimo da Ana, me deu vontade de contar como está sendo a introdução da baixinha ao mundo dos alimentos sólidos.

Valentina e a papinha

"A batata-doce dá uma ótima máscara pro rosto, viu mãe?"

Fui na consulta dos 6 meses, peguei muito material pra ler e resolvi criar coragem. Mãe de primeira viagem é sempre assim, né? Quer fazer tudo perfeito e sempre acha que tá fazendo tudo errado….

Bom, fui atrás dos presentes do chá-de-bebê: pratinho, colher, até uma esteirinha emborrachada (essa tá na caixa ainda, calma!). Pus o babador nela e a coloquei no cadeirão. Picture perfect moment.
Aqui os médicos recomendam cereal de arroz por ser mais fácil de digerir, mas lembrando do Mucilon, não quis dar não. Se agi certo ou não, só o tempo mesmo.

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"Quero mais, quero mais, quero mais!"

Resolvi dar maçã. A careta que ela fez foi de rachar o bico. Até arrepiou, tadinha. Não insisti, depois de duas ou três colheradas e um chorinho, resolvi deixar pra depois. Ela ainda tinha aquele reflexão de pôr tudo pra fora com a língua…

Dois dias depois, catei o Kam e resolvemos dar outra coisa pra ela: batata-doce.
E não é que a menina AMOU? Comeu um mooooonte de batata-doce e nem passou mal! Não só reclamou quando parei como ainda tomou a mamadeira inteirinha, de 210ml! :shock:

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"Achei que era pra comer O prato, não NO prato..."

Claro que mamãe precavida aqui, já tirou o babador e a roupa. Afinal, bagunça com comida é muito mais gostoso pelada, né? rs rs rs

Depois dessa aventura gastronômica, fui introduzindo outras comidinhas. Banana amassada, kiwi, abóbora (outro sucesso de público), ameixa (perfeito pra ajudar no intestino dela, que anda meio preso).

Ela experimentou frango na 6a. passada, mas não deu certo não. Ela fez ânsia de vômito e não insisti. Resolvi esperar mais algumas semanas pra tentar de novo.

Mas notei que a baixinha prefere legumes a frutas. Hoje, por exemplo, comeu feijão verde. Adorou. O kiwi, em compensação tá lá na geladeira há uns dois dias….

Comprei uns dos livros que a Ana sugeriu, o “Blender baby foods”, que dá bastante sugestão de papinhas, dividido por mês. Fiz cenoura aqui em casa. Cozinhei 2 cenouras no vapor e depois bati no processador com água (difíciiiiiiiiiil:lol:).

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A papinha de cenoura no cubo. Nada mal, né?

Coloquei nos cubinhos de gelo e aí é só tirar e descongelar pra ela comer. Dizem que 1 cubo é suficiente pro começo, né? Pois é, no caso da esfomeada aqui, uns 2 cubos, no mínimo!

Mas uma coisa eu não deixei de reparar: as papinhas industrializadas daqui são beem diferentes das do Brasil. Além da papinha orgânica não ser tão mais cara que a normal, não vai sal, óleo, química, nada. É o legume e água, só. Por $0,89 (ou até menos) até ótimo, né? Duas únicas desvantagens, ao meu ver: não é a mesma coisa de uma papinha feita na hora, claro, e não dá pra brincar com a textura como podemos fazer com a comida feita em casa.

Com as papinhas de frutas é a mesma coisa. É a fruta e água. Alguns têm açúcar e outras porcarias, mas são os desserts, as sobremesas que, sinceramente, acho que não faz a menor falta, não é mesmo?

Notei que todas as papinhas no Brasil têm sal ou açúçar, mesmo que em quantidades mínimas. Uma amiga minha comentou que a sobrinha, acostumada às papinhas da Nestlé no Brasil, odiou as papinhas nos EUA, da Heinz ou Gerber (as mesmas que têm aqui no Canadá), provalvemente por não ter tempero nenhum.

Aos poucos, vou criando coragem e fazendo mais coisas de próprio punho. Até comprei abobrinha pra fazer, rs. Quando chegar na parte de pôr temperos é que eu quero ver, pois sou uma estabanada pra pôr sal e não sei usar temperos direito (só fico no cheiro-verde, sal e pimenta-do-reino, alho e cebola, o básico, né?)

Por que querem que o bebê cresça tão rápido?

Começou de maneira inocente: “Ela tá com cólica, só pode. Tem que dar chazinho”, com 1 semana de vida. Depois, “Ela já dorme a noite toda?”, com 1 mês.

A cada conquista da baixinha, uma pergunta a mais. Quando ela começou a firmar a cabeça, “já tá sentando sozinha”. Quando começou a dormir mais, “já sabe dormir sozinha?”. Quando fez 4 meses, “já começou a dar papinha?”.

E por aí: “Ela já rola?”, “ela já come? “, “já deu papinha, chazinho, suquinho?”.

Às vezes fica parecendo que o bebê não pode ser bebê. Tem que ser como um filhote de cavalo que, ao nascer, já sai correndo com as próprias pernas. Esquecem que o bebê – humano – é único. É totalmente dependente e seu desenvolvimento leva um tempo. Não dá pra esperar que um bebê durma a noite toda ou siga uma rotina quando é recém-nascido. Fisiologicamente é impossível para eles (se você tivesse um estômago menor que uma uva, também iria acordar a cada 2 horas pra comer, né?).

Todo mundo diz, “aproveita que ela cresce rápido”, “aproveita enquanto ela ainda é pequena”, mas ao mesmo tempo, parece que todos querem que ela cresça antes do tempo. Com 4 meses, tem que comer, beber outras coisas além de leite (seja materno ou fórmula), rolar, sentar sozinha, dormir a noite toda, aprender que “manha não funciona” (como se um bebê dessa idade soubesse o que é isso), ser independente e não ficar grudado no colo. Ah, não esqueça da r-o-t-i-n-a. Sim, bebê que se preze tem que ter rotina antes de sair da maternidade “senão a mãe fica escrava das manhas”.

Aos poucos, vamos aprendendo a criar filtro e eliminando as intromissões desnecessárias.

Apesar de tudo isso, o bebê cresce, claro. Valentina fez 4 meses, tá ficando cheia de dobrinhas, cada dia mais esperta. Mas claro, não basta rolar de um lado. TEM que rolar dos dois lados, “como assim ainda não rola?”.

Minha filha tem seu tempo. Ela segura a cabeça sozinha e super bem, tá sentando com pouquíssimo apoio, sorri pra todo mundo, tá virando (DE UM LADO), segura os brinquedos, sabe que vai comer ao ver o babador, ajuda a segurar a mamadeira ou o peito, está dormindo de 7 a 9 horas seguidas à noite, presta atenção na conversa, fica tagarelando -do jeito dela- o dia todo, adora banho e mais um monte de outras coisinhas lindas que aparecem a cada dia.

Mas isso tudo não é o suficiente. “Será que ela vai falar cedo?”, “ela vai engatinhar logo”, “os dentinhos estão nascendo, olha a baba”, “já tá na hora de dar suco pra essa menina”. Para quê tanta pressa, eu pergunto?

Quando for a hora ela vai engatinhar, andar, falar, ter dente, comer comida. E eu quero aproveitar cada minutinho dessa vidinha tão nova. Me maravilhar com o presente, ver cada conquista da baixinha. Acertar o alvo ao tentar pegar o brinquedo, sentar. Coisas tão banais para nós, adultos, e tão árduas para eles.

Valentina tá crescendo :cool:. Tenho já saudades de quando ela era recém-nascida. Cada choro, movimento, minuto, tentando descobrir quem ela era. Mas estou vendo a pequena se desenvolver, ganhar peso, ficar cada dia mais “conectada” à nós. Sei os seus choros, sei quando é fome ou sono. Ou apenas cansaço ou querendo fazer algo diferente (como sentar!). Como é bom acordar de manhã e ser recebida com um sorriso tão inocente!

Sim, ela vai fazer tudo o que me perguntam hoje. Quando? Não sei. Em 1 mês, em 6 meses, quem sou eu para forçar o crescimento dela?

Por que querem que o bebê cresça tão rápido? Aparentemente porque, segundo alguns, bebês não podem ser bebês. São mini-adultos que têm que “entrar na rotina da casa” desde cedo, não podem fazer manha, devem ser deixados chorando para aprender a dormir sozinhos e por aí vai.

Um bebê é só um bebê. Ou alguém já viu algum adolescente chorando desconsolado porque os pais resolveram ir ao cinema num sábado à tarde? Ou um universitário usando fraldas, mamando e usando chupeta? :wink:

Mãe, eu ainda vou ser maior que você, viu?

Mãe, eu ainda vou ser maior que você, viu?

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