A TV é só minha

Ontem, estávamos em casa. Você no meu iPad e eu, vendo um programa na TV. Daqui a pouco, começou a pedir pra ver seu desenho favorito, Toopy & Binou. Seu pai e eu argumentamos que você sempre vê TV e que agora era a minha vez. Sua resposta?
- I no vê TV. You vê all the time. I never have a turn!
- Valentina, você sempre assiste, agora eu estou vendo este programa e, quando acabar você pode ver.
- You not vendo TV. You are on your phone!

(não, não estava no telefone, estava fazendo o cachorro-quente dela do jantar).

Criança vê, criança faz.

Valentina, atazanando o dia todo. Correndo, dando piti, jogando coisa longe e por aí vai. Até que eu, no limite da paciência, falo:
- Eu estou de saco cheio de você fazer tudo isso. Vamos embora agora.
E ela solta:
-Estou de SACA CHEIA você também!

‘Bora ficar quietinha pra não falar coisa errada de novo?

Outros alguéns…

‎- “Valentina, quem vai chegar primeiro no banheiro, você ou o urso?” (minha estratégia pra ela sair da cama).
- “Nobody! Nobody chegar no banheiro!”
-”Ninguém? Ninguém vai chegar no banheiro?”
-”NOTguém!”

Calendário, que é isso?

Ontem estávamos passeando com o Eithor e Valentina notou uma varanda toda decorada pro Halloween.

- Mamãe, look! It’s halloween! It’s scary! – diz ela, brincando.

- É, Valentina, é halloween! Você sabe o que a gente fala no dia do halloween?

Ela gritando mais alto que pode:  - MERRY CHRISTMAS!!

Dia das bruxas, natal, páscoa, é tudo a mesma coisa, né?

Conceito de família é relativo

Valentina está aprendendo o que é família e quem faz parte dela. Tudo em preparação à nossa viagem ao Brasil. :razz:

Com isso, está super curiosa de tentar entender quem é família ou não.
- ‎”Valentina, a tia Lu tá vindo visitar a gente hoje!”
- “Tia Lu? Is tia Lu my família?”
- “Não, mas ela é uma amiga que gosta muito de você”
- “Mamãe, can I hug tia Lu?”

Mamãe fala português!

Outro dia a Valentina fez alguma malcriação qualquer comigo e o pai disse “Valentina, say sorry to your mommy”.

E ela: “No sorry! Desculpa! Desculpa, mamãe!”.

Trabalhando a independência infantil

Assim como na casa de muita gente, aqui é uma correria de manhã. É o tempo de pôr uma roupa e sair, praticamente. Todos os dias, mando o café-da-manhã da Valentina pra escola para que ela durma um pouco a mais. Ninguém merece acordar cedo, né?

Nesse corre-corre, o que mais me atrapalha normalmente é pra pôr roupa. Aqui tá um tal de “I do it myself” e “I don’t want it” que haja paciência, viu? É um desgaste que estava me tirando do sério.

Pois bem, essa semana estou de molho em casa por conta de uma cirurgia, então nossa rotina de manhã está mais relaxada. Ela tem ido todos os dias pra escola pois ainda me incomoda ficar me mexendo o tempo todo atrás dela, rs.
Estamos acordando mais tarde (hoje ela acordou às 8:00, viva!) e tomando o café aqui, antes de levá-la.

O que mudou na rotina? Ao invés de sentar com ela e escolher o que ela quer vestir, simplesmente disse, depois que ela comeu: “agora, você vai colocar uma roupa sozinha pra gent ir pra escola”. E ela foi, feliz da vida e em menos de cinco minutos estava vestida. Sem dramas. No 3o dia, a combinação de cores e estampas está sendo aprovada. E vai ficar assim que está muito bom. Aliás, roxo, laranja, rosa e salmão combinam?

Independente e curiosa

Outro drama aqui está a hora de escovar os dentes. Toda santa noite é um chororô de deixar qualquer um cansado. Resolvi mudar isso também e deixei que ela escovasse os dentes sozinha. Mas só de manhã. À noite, papai ou mamãe que escovam (claro que com choro, que é muuuuuito mais divertido, né. NOT).

Agora ela está super empolgada de escovar sozinha. Então, de manhã, escovamos juntas e ela vai vendo como eu faço e imitando (à medida em que a coordenação deixa, claro).

Foram duas pequenas mudanças na rotina que já ajudaram um monte. Hoje conseguimos ficar prontas em 50 minutos, contanto com o café-da-manhã. Se eu conseguir manter isso, dá pra sair de casa num bom horário, sem eu ficar me descabelando porque vou perder o trem (que tem horário certinho pra passar).

“mami, I like my daddy”
“ah, é, e por que?”
“baba gives me cookie… and…. I like my vovó too”  (papai me dá biscoito…e… eu gosto da vovó também)
“a vovó? Por que você gosta da vovó?”
“because vovó gives me hug!” (porque a vovó me abraça!)

 

É ou não pra amar uma pitoca que fala assim da vovó que mora tão longe?

A toalha mágica da Valentina

Há uns meses atrás, postei aqui sobre o pavor de banho que a Valentina tinha. Cada banho era uma tortura de tanto choro. Quando era dia de lavar a cabeça então, precisávamos ficar em dois pra segurá (e, principalmente, garantir que ela não ia cair e se machucar de tão agitada que ficava). Na época, até pensei em usar aqueles shampoos sem enxágue, mas não achei um que fosse pra crianças. Tentei de tudo, baldinho, chuveirinho, banheira, chuveiro normal, aula de natação…

Quando minha mãe veio pra cá, em dezembro passado, encarreguei-a de me ajudar nisso. Ela tinha duas semanas pra fazer a Valentina aceitar o banho. Não digo aceitar, mas pelo menos entrar na banheira sem gritar.

E as Princesas Disney entraram na história. Como ela anda numa fase princesa, minha mãe aproveitou o gancho pra mostrar como elas têm o cabelo lindo… como a Ariel adoooora ficar na água, e por aí vai. E sempre fazendo palhaçada. E não é que deu certo? Ela passou a curtir o banho, brincar com a água e ir sem chorar. Mas pra lavar a cabeça continua o drama.

Um dia, experimentei perguntar se ela queria cobrir o rosto igual ao do bebê que lemos num livro (Tubby, de Leslie Patricelli). E não é que ela aceitou? Isso porque já tinha tentado antes.
Peguei uma toalha qualquer que tinha em casa e expliquei que aquela era a toalha só da Valentina, e que era MÁGICA. Sim, a toalha especial dela, que vai proteger na hora de lavar a cabeça.

Bem, só sei que a tal da toalha tem nos acompanhado firme e forte nos banhos. Agora ela tem até aceitado o shampoo, um rosa das Princesas (claaaaro), fedido pra burro, mas que ela quem escolheu na farmácia.

Mas olha, até chegar onde estamos hoje (dela aceitar o banho foi uma batalha. Meses e meses nessa fase enquanto eu entoava o mantra velho conhecido de qualquer mãe ou pai “ooooohmmmmmm, vai passaaaaaaaaaaar… ooooohhhhmmmmmmm, é só uma faseeeeee”…..

Feliz Páscoa!

20120408-011346.jpg

Que a páscoa de vocês seja muito gostosa, com muito amor e chocolate! :)

Que língua ela fala?

Essa é uma pergunta que sempre me fazem. A Valentina fala inglês ou português? Fala farsi? Acho que posso dizer que ela fala “valentinês”: é uma mistura de inglês e português que, a primeira vista, soa uma babel de sons.

A primeira língua dela é inglês, sem sombra de dúvida. As frases vêm primeiro em inglês, misturada com palavras em português. Na escola e com o pai, só inglês. Comigo, mistura tudo.
Outro dia, logo após o retorno da minha mãe pro Brasil, ela perguntou pro pai: “daddy, where’s grandma?” e, na mesma hora, virou pra mim “mamãe, where’s vovó?”. A construção é inglês, mesmo que as palavras sejam na língua da mamãe: “I want pôr roupa e go lá fora”.

É um trabalho de formiguinha mesmo… lemos muito em português, coloco músicas brasileiras, vou conversando sempre em português, mas quando ela passa quase 11 horas do dia dela ouvindo inglês, brincando em inglês, interagindo em inglês, é complicado imaginar ou mesmo supor que o português fosse a primeira língua. Outro dia, ela brigou comigo quando perguntou o que era tal parte do corpo. Eu disse que era cotovelo e ela retrucou com um “não, mami, it’s elbow!”. Expliquei que era elbow em inglês e cotovelo em português. Se ela entendeu? Não sei.
Estou começando a mostrar que existem duas línguas: inglês, que ela conversa com o mundo, inclusive o pai, e português, que é a língua da mamãe.

Não sei se é cedo pra isso, afinal, ela só tem 3 anos, mas confesso que a “predileção”, ainda que naturalmente esperada, pela outra língua chateia um pouquinho. É o lado afetivo do idioma, como a Flávia bem descreveu. É a minha cultura, minha vida, como eu me conheço.

Passo boa parte do dia falando em português, escrevendo em português que, quando vejo minha filha brigar que não é cotovelo, é elbow, me acende a luzinha vermelha. Já pensou ir pro Brasil e ela não entender os tios, os primos, a avó?

Já com farsi, vejo que ela entende alguma coisa e fala uma ou outra palavra. Marido não faz tanta questão que ela seja fluente quanto eu, então fala com ela em farsi mas não sempre. Na maioria das vezes, é em inglês mesmo. Ele mesmo decidiu que é “uma língua muito complicada”.

Estou aproveitando que ela está na fase dos “porquês” e de querer saber o que é tudo. Não basta dizer que o objeto tal é uma cadeira, tenho que explicar que aquele negocinho ali embaixo é o parafuso que segura a rodinha pra fazer a cadeira deslizar.

Me pego pensando nas palavras, em como explicar de modo que ela entenda e, ao mesmo tempo, dando a oportunidade de introduzir novas palavras no vocabulário dela. Às vezes, vejo que ela não entendeu tal coisa e preciso repetir tudo em inglês. E depois repito mais uma vez em português. Se ajuda eu não sei, mas acabou que virou um hábito de sempre que falo algo em inglês com ela, repito a mesmíssima coisa em português.

Acho que só o tempo vai dizer se estou acertando nisso ou não. Espero que sim.

E a escola?

Com 3 anos, Valentina mudou de escola. Antes, ela ficava em uma creche, que funcionava na casa de uma senhora. Aqui, são chamadas de “home/family daycare”. São licenciadas, seguem toda uma série de regras do governo e são inspecionadas regularmente.

Na creche antiga, eram cerca de 10 crianças, entre 11 meses e 4 anos e meio. Turma mista, multi-série. 2-3 adultos (a dona, uma assistente e uma estudante de pedagogia) pra eles. A sensação é de casa mesmo. Todo mundo se conhece, turma pequena. Quando a Valentina começou lá, aos 10 meses e meio, era a solução ideal. Preço que cabe no bolso (embora caro, claro), um ambiente menor e sem a idéia de “escolinha”, que eu achava muito cedo. As vantagens eram grandes: perto de casa, fornecia toda a comida (de café-da-manhã e lanches ao almoço) e fraldas, então não precisava me preocupar com isso.

Valentina foi crescendo e, claro, super cheia de energia. Eu a pegava quase 6 da tarde e ela ainda a mil por hora, o que me fez pensar que eles não estavam gastando muita energia durante o dia. Juntando a isso, algumas coisinhas foram me incomodando (passeios ao McDonald’s sem avisar antes, foi lá que ela conheceu a pizza, o cachorro-quente e o miojo, alguns desentendimentos com a dona – me fazia sentir uma mãe de primeira viagem que não sabe de nada), e comecei a pensar que estava na hora de mudar.

Em dezembro começamos a adaptação na escola nova. Escolinha de verdade, nos moldes de como conhecemos no Brasil. As professoras são chamadas de Sra. (Miss Emma, Miss Suni e Miss Peache) e não é mais a “tia” (antes era a “tia” Noori). São bastante crianças, 25, o que implica em menos atenção individual e mais independência. Há um projeto pedagógico e tem muuita atividade, desenho, brincadeira livre, fantasia, circle time, passeios, playground. E sem TV (que era outra coisa que me incomodava também).

Tirei o mês de férias para poder me dedicar a isso. Lembro de como foi ruim a adaptação dela na primeira vez – Valentina estava em plena Ansiedade da Separação e eu não soube trabalhar isso direito; foram dois meses até o dia em que ela não chorou pela primeira vez ao deixá-la na creche.

As duas primeiras semanas foram péssimas, com ela chorando mesmo após a gente ficar praticamente a manhã inteira com ela. Depois vieram os feriados de natal e ano-novo e ela só voltou em janeiro. Mais uns dias de choro e no 3o. dia, ela simplesmente olhou pra mim e disse “tchau, mami”. Sem choro nem nada. E desde então tem sido assim, há um mês.

E tenho notado ela mais tranquila, com mais rotina… mais interessada em livros. Toda noite, temos lido de 3 a 4 livros antes de deitar, hábito que ela descobriu na nova escola. Ela mesma diz que gosta da escola. No final do dia, quando vou buscá-la, ela até briga pra não sair de lá (“I want to play with my amigos”). Claro que tivemos uns dois dias de meio-choro (coincidentemente nos dias em que ela não dormiu muito bem, acordou resfriada e de nariz entupido), mas depois passou, do nada.

Com sorte, lá ela ficará os próximos dois anos, pelo menos, até começar a escola “de verdade”…

O desfralde

Primeiro, foi por volta dos dois anos. Comprei um peniquinho, que ela adorava ficar pondo na cabeça. Mas na hora do vamos ver era um tal de tacar o penico pro outro lado do banheiro, dizendo que não queria. Resolvi deixar de lado e esperar o verão, quando ela teria 2 anos e meio.

Chegou o verão e, em agosto, começamos a tentar de novo, com as fraldas pull-ups da Dora e das Princesas Disney. Pra ajudar, comprei outro penico, o das Princesas, todo rosa.

Depois de ler “The No-Cry Potty Training Solution“, da Elizabeth Pantley, vi que ela estava me dando todos os sinais. Comprei alguns livros pra ela também:

O primeiro foi o “Lilly’s Potty“, sobre uma menininha que foge pela casa porque não quer ir ao banheiro, mas que no fim, vai e fica super feliz.

Depois, comprei um outro com fotos de menininhas e penicos/redutores reais. Ela adorou porque tem um monte de  “big girls” dizendo que não usam mais a fralda.

Fomos devargazinho… deixava ela com a pull-ups e alternava com a calcinha, em casa, aumentando o tempo com calcinha. Foi quando notei que ela quase nunca molhava a fralda à noite. Foi o sinal de que ela estava pronta!

De uma semana pra cá, acho que deu um “click” nela e simplesmente aposentamos qualquer fralda ou pull-up, nem pra dormir. E ela fica tão orgulhosa! :razz: :razz:

Agora, estamos saindo de casa sem fralda também. Já fomos no supermercado, sem acidentes! E realmente, quando a criança tá pronta, o desfralde é rápido, simples e não, não é sofrido.

É, minha menininha tá crescendo…..


 



É cada uma…

Cena 1:

Fiz pão de queijo em casa. Valentina, olhando as bolinhas na assadeira, decidiu que eram ovos.
Ela: Ovo!
Eu: Não, Valentina. É pão de queijo, não é ovo.
Ela: Páo queso?
Eu: Isso. Pão de queijo!
Ela: ovo queijo!
Eu: …..

 

Cena 2:

Com a chegada do friozinho, tirei do armário as meia-calças da Valentina, para que ela possa continuar usando os vestidos que tanto adora.

Mostrei pra ela e perguntei o que era isso. Ela disse que era calça.

Eu se não parecia uma meia. Ela olhou e disse “meia”.

Aí expliquei era uma meia-calça. Ela não teve dúvidas: todo dia pede pra pôr a “calça-meia”…. ;-)

Pavor de lavar a cabeça. O quê eu eu faço?

Cá estou eu precisando de ajuda com dona Valentina. De um tempo pra cá (quase 1 ano) tem sido cada vez mais difícil lavar a cabeça dela. Ela simplesmente tem um ataque de nervos toda vez que tento lavar. Não estou falando de manha simples, mas de pavor. Hoje mesmo, foi ela sentir a água encostando no cabelo dela, que ela PULOU da banheira, gritando, chorando muito, completamente agarrada em mim, tentando sair da banheira (escalando a parede). A muito custo consegui acalmá-la, mas não consegui lavar a cabeça. Já tentei um monte de coisas mas nada deu certo:

  • entro na banheira com ela pra tomarmos banho juntas
  • deixo ela lavar a minha cabeça
  • damos banho e lavamos a cabeça dos brinquedos dela
  • mostrei livros sobre o assunto (inclusive um que comprei semana passada sobre um bebê que adora banho mas chora na hora de lavar a cabeça)
  • mostro desenhos e comento quando o personagem favorito dela tá lavando a cabeça
  • uma amiga minha já tentou dar banho

E em todos os casos, só de comentar isso ela já fica completamente tensa, para de falar de falar na hora.

Ela tava dando trabalho pra entrar na banheira, agora melhorou, brinca numa boa no banho. O problema é na hora de lavar a cabeça. Hoje o stress foi tão grande que chorei de nervoso. Não sei mais o que eu faço.

 

UPDATE: Continuamos na mesma. Já tentei de tudo quanto é jeito, chuveirinho, chuveirão, baldinhos, deixar ela mesma molhar, o pai, outro banheiro, outro horário, conversar, mostrar vídeos, música, livros.

Da última vez, ela decidiu molhar o cabelo sozinha. Chorando HORRORES, mas molhou e passou o shampoo. Agora nem isso. Levei na piscina e se divertiu um monte, nem parece a mesma criança. Vai entender?

Plugin from the creators of Brindes :: More at Plulz Wordpress Plugins