E a escola?

Com 3 anos, Valentina mudou de escola. Antes, ela ficava em uma creche, que funcionava na casa de uma senhora. Aqui, são chamadas de “home/family daycare”. São licenciadas, seguem toda uma série de regras do governo e são inspecionadas regularmente.

Na creche antiga, eram cerca de 10 crianças, entre 11 meses e 4 anos e meio. Turma mista, multi-série. 2-3 adultos (a dona, uma assistente e uma estudante de pedagogia) pra eles. A sensação é de casa mesmo. Todo mundo se conhece, turma pequena. Quando a Valentina começou lá, aos 10 meses e meio, era a solução ideal. Preço que cabe no bolso (embora caro, claro), um ambiente menor e sem a idéia de “escolinha”, que eu achava muito cedo. As vantagens eram grandes: perto de casa, fornecia toda a comida (de café-da-manhã e lanches ao almoço) e fraldas, então não precisava me preocupar com isso.

Valentina foi crescendo e, claro, super cheia de energia. Eu a pegava quase 6 da tarde e ela ainda a mil por hora, o que me fez pensar que eles não estavam gastando muita energia durante o dia. Juntando a isso, algumas coisinhas foram me incomodando (passeios ao McDonald’s sem avisar antes, foi lá que ela conheceu a pizza, o cachorro-quente e o miojo, alguns desentendimentos com a dona – me fazia sentir uma mãe de primeira viagem que não sabe de nada), e comecei a pensar que estava na hora de mudar.

Em dezembro começamos a adaptação na escola nova. Escolinha de verdade, nos moldes de como conhecemos no Brasil. As professoras são chamadas de Sra. (Miss Emma, Miss Suni e Miss Peache) e não é mais a “tia” (antes era a “tia” Noori). São bastante crianças, 25, o que implica em menos atenção individual e mais independência. Há um projeto pedagógico e tem muuita atividade, desenho, brincadeira livre, fantasia, circle time, passeios, playground. E sem TV (que era outra coisa que me incomodava também).

Tirei o mês de férias para poder me dedicar a isso. Lembro de como foi ruim a adaptação dela na primeira vez – Valentina estava em plena Ansiedade da Separação e eu não soube trabalhar isso direito; foram dois meses até o dia em que ela não chorou pela primeira vez ao deixá-la na creche.

As duas primeiras semanas foram péssimas, com ela chorando mesmo após a gente ficar praticamente a manhã inteira com ela. Depois vieram os feriados de natal e ano-novo e ela só voltou em janeiro. Mais uns dias de choro e no 3o. dia, ela simplesmente olhou pra mim e disse “tchau, mami”. Sem choro nem nada. E desde então tem sido assim, há um mês.

E tenho notado ela mais tranquila, com mais rotina… mais interessada em livros. Toda noite, temos lido de 3 a 4 livros antes de deitar, hábito que ela descobriu na nova escola. Ela mesma diz que gosta da escola. No final do dia, quando vou buscá-la, ela até briga pra não sair de lá (“I want to play with my amigos”). Claro que tivemos uns dois dias de meio-choro (coincidentemente nos dias em que ela não dormiu muito bem, acordou resfriada e de nariz entupido), mas depois passou, do nada.

Com sorte, lá ela ficará os próximos dois anos, pelo menos, até começar a escola “de verdade”…

Minha filha fala valentinês

Hoje cedo, quando fui acordar a baixinha:
-Vamos pra casa da “tia” Noori (creche)?
-Não
-Vamos ver a Bella?
-Não
-Vamos ver a Danika?
-Não, tekiú (não, thank you)
-Vamos ver a tia Noori?
-Idonwanit! (I don’t want it!)
-E a Aram? Você vai brincar com a Aram?
-Idonlikit! (I don’t like it!)
Mal-humor de manhã que só! Não sei de quem ela puxou… eu odeio acordar cedo, mas acordo de bom humor. Sonolenta, sempre. Mal-humor, não.
Em compensação, chega no final de semana, ela acorda cedo, claro, vem pro meu quarto e me chama: “mamiii, teikapi!” (wake up)….:cool:

Dando tchau pros dias cheios de “Valentina”

Na 2a. feira, a baixinha começa o daycare. Enquanto ela brinca aqui na sala, sem desconfiar, meu coração tá pequenininho.

Embora todos digam que vai ser bom pra ela, que ela vai adorar, que se adapta rápido, eu fico aqui pensando. Será que vão saber dar a comida dela direitinho? Será que ela vai conseguir dormir com outras crianças, num berço estranho? Será que vão saber consolá-la quando chorar como só eu sei fazer, cantando Ursinho Pimpão? Será? Será?

Vejo as outras crianças da creche e vejo que estão bem, felizes. A dona parece ser bem gente boa, com experiência e tals. Mas mesmo assim, acho que é natural que fiquemos tão ansiosos/apreensivos/tristes e não sei mais que outras palavras pra descrever.

Serão duas semanas de adaptação antes de eu voltar ao trabalho. Adaptação pra ela e pra mim. No primeiro dia, o Kam vai junto e ficaremos só um pouco, não quero que ela fique o dia todo já de uma vez. Aos poucos, ela vai ficando mais e mais, conforme ela se acostuma com o ambiente novo. E já tô preparando A MALA de coisas que tem que levar: cobertor, lençol, 2 mudas de roupa, sapato pra ficar lá dentro, sapato pra ficar lá fora, roupa de chuva, fraldas, lenço umidecido, mamadeira, fórmula, comida, toalha e mais um monte de outras coisas que eu não lembro agora.

Estou tentando me animar mas é duro de lembrar que não terei mais dias cheios de Valentina. Colocar ela pra fazer a soneca da manhã (e eu ter a minha soneca junto). Dar almoço, levar pra passear, soneca da tarde, brincadeiras, ajudá-la a andar… agora só as finais de semana. Não é justo de repente, uma relação que era 24hrs passar pra 4hrs… vou deixá-la às 7 da manhã pra buscá-la às 5 da tarde. Ou seja, é chegar em casa, banho, brincar um pouco, comer e dormir. Acabou meu dia com ela. :cry:

Ela tá quase andando, segura nas minhas mãos e vai dando os passinhos desajeitados. Será que vou ver seus primeiros passinhos de verdade ou vai ser alguém do daycare?

Plugin from the creators of Brindes :: More at Plulz Wordpress Plugins