Cientista Que Virou Mãe: Por que deixar chorar até que se durma realmente funciona? – ou “CÉUS! PARI O DARTH VADER!”
Trabalhando a independência infantil
Assim como na casa de muita gente, aqui é uma correria de manhã. É o tempo de pôr uma roupa e sair, praticamente. Todos os dias, mando o café-da-manhã da Valentina pra escola para que ela durma um pouco a mais. Ninguém merece acordar cedo, né?
Nesse corre-corre, o que mais me atrapalha normalmente é pra pôr roupa. Aqui tá um tal de “I do it myself” e “I don’t want it” que haja paciência, viu? É um desgaste que estava me tirando do sério.
Pois bem, essa semana estou de molho em casa por conta de uma cirurgia, então nossa rotina de manhã está mais relaxada. Ela tem ido todos os dias pra escola pois ainda me incomoda ficar me mexendo o tempo todo atrás dela, rs.
Estamos acordando mais tarde (hoje ela acordou às 8:00, viva!) e tomando o café aqui, antes de levá-la.
O que mudou na rotina? Ao invés de sentar com ela e escolher o que ela quer vestir, simplesmente disse, depois que ela comeu: “agora, você vai colocar uma roupa sozinha pra gent ir pra escola”. E ela foi, feliz da vida e em menos de cinco minutos estava vestida. Sem dramas. No 3o dia, a combinação de cores e estampas está sendo aprovada. E vai ficar assim que está muito bom. Aliás, roxo, laranja, rosa e salmão combinam?
Outro drama aqui está a hora de escovar os dentes. Toda santa noite é um chororô de deixar qualquer um cansado. Resolvi mudar isso também e deixei que ela escovasse os dentes sozinha. Mas só de manhã. À noite, papai ou mamãe que escovam (claro que com choro, que é muuuuuito mais divertido, né. NOT).
Agora ela está super empolgada de escovar sozinha. Então, de manhã, escovamos juntas e ela vai vendo como eu faço e imitando (à medida em que a coordenação deixa, claro).
Foram duas pequenas mudanças na rotina que já ajudaram um monte. Hoje conseguimos ficar prontas em 50 minutos, contanto com o café-da-manhã. Se eu conseguir manter isso, dá pra sair de casa num bom horário, sem eu ficar me descabelando porque vou perder o trem (que tem horário certinho pra passar).
É cada uma…
Cena 1:
Fiz pão de queijo em casa. Valentina, olhando as bolinhas na assadeira, decidiu que eram ovos.
Ela: Ovo!
Eu: Não, Valentina. É pão de queijo, não é ovo.
Ela: Páo queso?
Eu: Isso. Pão de queijo!
Ela: ovo queijo!
Eu: …..
Cena 2:
Com a chegada do friozinho, tirei do armário as meia-calças da Valentina, para que ela possa continuar usando os vestidos que tanto adora.
Mostrei pra ela e perguntei o que era isso. Ela disse que era calça.
Eu se não parecia uma meia. Ela olhou e disse “meia”.
Aí expliquei era uma meia-calça. Ela não teve dúvidas: todo dia pede pra pôr a “calça-meia”…. ![]()
30 meses de muito amor
Esse pequena, que até outro dia desses mal ficava em pé sozinha, agora é toda independente:
- Dispensou o cadeirão. Adora sentar na cadeira do Baba e comer conosco. E Baba teve que mudar de lugar, rs.
- Ajuda a escolher entre a fralda ou a pull-ups. Estamos caminhando a passos de tartaruga por aqui no quesito do desfralde. Mas não tenho muita pressa, não. Deixo ela indo no ritmo dela.
- Está começaaaaaando a curtir (forçação no começando, detalhe) o “potty time”. O livro da menininha que foge pela casa pra não ir no banheiro tem ajudado bastante.
- Diz que “I want tirar blusa”. Tenta tirar, se rebola, dança pela sala toda, mas tira. E fica toda orgulhosa depois!
- Diz que quer comer “I want eu quero”: cucumber/pepino, banana, apple/maçã, yogurte. Assim, tudo misturado.
- Pega o iPad pra ligar pra vovó. “I want vovó″, e enche o iPad de abraços e beijos. Tá certo que a paixão dura 5 segundos antes dela sair correndo feito doida pela sala, mas ela adora a vovó.
- Tá uma delícia pra conversar. Fala tudo, tá sempre rindo e correndo. Haja energia! Ela diz que brincou na tia Noori, fala que quer ir passear, diz se caiu (por isso o roxo na perna), dá bom-dia e tchau pro Eithor, diz pro pai que “I miss you”.
- Falando em energia, vou te falar. Dá umas 7 da noite aqui em casa e essa menina sai correndo feito doida pela casa. E corre, e corre, e corre, e corre…
- Tem deixado escovar o dente direitinho. E ainda chama o pai pra ele escovar os dentes do irmão (err, do Eithor).
- Não tem dado piti pra ir dormir. Depois dos dentes escovados, fala boa-noite, dá beijinho e sobe na nossa cama. Tá certo que pode levar mais de uma hora até ela dormir de vez, mas sem escândalos.
- Tá usando a “peta” cada vez menos. Cortei durante o dia, só usa na soneca mesmo e à noite. Até um tempo atrás, era a primeira coisa que ela pedia quando eu chegava na creche, agora já não pede mais. Quando pede, relembro que a peta é só pra dormir e ela diz “okei, mami”, antes de tentar o pai, claro.
- Aliás, estou me surpreendendo quanto a isso. Achei que fosse mais difícil dela se desapegar, mas estamos melhorando. Ontem, ela achou uma no caminho, chupou por 2 minutos e me entregou. Nem perguntou por ela até a hora de dormir.
Nem parece que tenho uma menininha de só 2 anos e meio aqui. Conta, pula, ri, corre, cheia de energia, sempre sorridente e cheia de opinião. Mas que delícia que é essa menininha aqui! ![]()
O filho dos outros
Acha que sabe tuuuudo. Afinal de contas, criança é tudo fácil, né? Quando você era pequena, não tinha destas de “estilo de criação” isso ou aquilo, milhares de fóruns no Orkut para discutir se o castigo A é melhor que o B e se não vai criar traumas. Trauma? Que é isso? “Na minha época”, pensa, era tudo muito mais fácil. A gente ia pra escola, voltava pra casa, fazia a lição e dá-lhe TV o resto da tarde.
Tudo bem que de vez em quando tinha uma natação aqui, uma aula de inglês ali, mas era tão raro isso! Aí você escuta sua amiga falar, pela 500a. vez, que a filha mostrou a língua, mas que não queria brigar com ela pra menina não ficar traumatizada.
[...acelera o relógio em uns 10 anos...]
Um dia, você se descobre grávida. Tá, nem foi tanta surpresa. Você já tava casada/juntada há uns anos, estavam planejando e já tinham mandado a camisinha e a pílula pras cucuias. Mas enfim, você se descobre grávida.
E descobre que não entende nada de gravidez nem bebês. E aqueles conselhos todos que você dava praquela amiga? Esqueceu tudo, passou branquinho!
Começa a devorar quinze mil livros sobre gravidez semana-a-semana. Todos falam a mesma coisa: “a partir da 6a. semana começam os enjôos”; “você entrou no 2o. trimestre de gravidez e os enjôos são coisa do passado” (embora a lata de lixo do trabalho continue a ser a sua melhor amiga de manhã).
Conforme as semanas vão passando, passa a devorar quinze mil livros sobre parto e cuidados com o recém-nascido. Entra em pânico porque descobre que nunca fez idéia de como se limpa umbigo de bebê. Fralda? Xi….
Aí chega o bebê, bebê cresce e vira uma criança. Aos dois anos é praticamente independente. Sabe abrir a geladeira e pegar o pote de iogurte pra te dar. Aprendeu a pôr a bota de chuva e o casaco. Dá tchau pra você e sabe abrir a porta. Dá aqui a pouco já tá até pedindo a chave do carro, antes dos três anos, claro.
E com a chegada do bebê, você passa a ligar pras suas amigas 500 vezes ao dia contando tudo que ela fez. Ela sorriu pra mim, conta, emocionada com o primeiro sorriso do bebê. Ela aprendeu a morder o pé. Ela fez xixi na casa toda. Sim, porque amiga que é amiga tem ouvido pras coisas mais escatológicas que sejam, desde que vindos do bebê, porque ninguém merece ouvir que você teve uma diarréia de perder 10kgs em duas horas.
E todos aqueles conselhos que você dava antes, agora parecem horríveis. “Não deixa muito no colo não senão a criança fica viciada e NUNCA mais vai querer outra coisa”. “Nossa, ela dorme com você? Conheço adolescente que dorme com os pais e nunca dormiu no próprio quarto!”.
Com a chegada dela, você descobre que tem intuição e que nunca consegue ficar longe dela. Sofre horrores quando resolve colocá-la na caminha dela (sim, a caminha que ela adora e dorme a noite inteirinha), porque os roxos nos braços depois de uma noite insone numa cama com três pessoas já não parecem tão atrativos.
Descobre que aquele berço que fez tanta questão de comprar não serviu pra quase nada. Foi um ótimo porta-roupa. A idéia de que bebê tem que dormir no próprio berço desde pequenininho lhe parece tão errada que não entende nem como é que pôde pensar assim.
E enquanto o bebê cresce, toda uma série de idéias pré-concebidas e palpites descabidos vão mudando e você vai se tornando uma mãe totalmente diferente daquela que imaginava que seria, dez anos antes.
Sim, agora é sua vez de falar pras suas amigas tudo que sua filha fez durante o dia. E ouvir os conselhos, os palpites, as dúvidas, tal qual dez anos antes. E o melhor, isso sempre com um sorriso no rosto.
A amiga? Continua te ligando quinhentas vezes ao dia para contar das peripécias dos filhos, agora já triplicados.
Cortei o cabelo da minha filha
Tivemos um “acidente” dia destes e precisei fazer uma franja nela. Ficou aquela coisa linda de mãe com coordenação motora zero. ![]()
Aí hoje criei coragem e fomos pro cabelereiro pela primeira vez na vida. E não é que ela nem chorou?
Ai, eu sofro
Aaaaaaaaaarghhhhhhhhhhh!
A Valentina tinha feito um cocô imenso no final do dia, que realmente, saiu da fralda (e sujou a capa do sofá que eu lavei ontem). Mas daí a ir parar cocô do outro lado da sala?
Ou vazou um monte e eu não vi ou, ECA, ela mesma tirou.
Agora, quase meia-noite, voltando pro trabalho depois das férias no dia seguinte, ninguém merece ficar passando pano na sala pra tirar cocô seco. ECA ECA ECA ECA ECA ECA!
730 dias
Num dia frio de 5a. feira, chegamos em casa com um embrulhinho. Sentamos no chão e te apresentamos pro seu irmão. Você só tinha 2 dias de vida. Ele cheirou de longe, mas não quis chegar perto. Aliás, ficou com ciúmes e me ignorou por 2 dias. Nem olhava na minha cara.
Você, em compensação, só queria colinho. Colinho de mãe, colinho de pai. Tem coisa melhor? E você foi crescendo tão rápido! Quando menos esperava, estávamos cantando parabéns pra você!
Esse ano você aprendeu a andar e agora, corre, sobe pelas paredes, foge de casa, brinca de pega-pega. Você já tem a sua rotina na creche. Depois de umas semanas passando por uma crise de separação, agora você me expulsa de lá. Chegamos, você diz “tau mami” e me leva até a porta. Fica dando tchau até fechar a porta pra mim. Fico feliz em saber que você adora lá.
Você cresceu tanto! Quem te conheceu quando você era recém-nascida, lembra de como era pequetita. Demorou muito pra você começar a ganhar peso. Com 6 meses, você tinha uns 6kgs. Agora, já pesa 14kgs (um chumbo!) e está super alta. Sim, você já passou da metade da altura da mamãe. Mais meio metro e você já me passa!
É, minha pequena, o tempo passa muito rápido! Você fala mais que a boca, apesar de não entendermos nada, rs. Você gosta de cantar “pintinho amarelinho”, “twinkle twinkle little star”, “happy birthday to you”, “abc”…tem gosto musical apurado e adora quando papai pôe rock no youtube pra você assistir.
Come sozinha, adora uma comida! Adora “nanas”, “agi” e “nham nham” (bananas, oranges e almoço/jantar). Sabe sinalizar leite (usando linguagem de sinais) e “quer”. Diz “ei quei” (eu quero), “pis” (please), “wow”, “oh-oh”, “ush-ush” (brush), “eiou”(thank you), “tau”, “bye”, “aiii” (pode ser oi ou bye, ainda não descobrimos), “dola” (Dora), “éuo”(Elmo), “náu” (não) e yeah. Fala os números em inglês, numa ordem totalmente aleatória (two, five, three, ten). Tenta repetir tuuuudo o que falamos e sai umas coisas engraçadas. Agora deu de repetir quando digo “hum-hum” (sai algo como u-u).
Você é carinhosa, adora dar um abraço e beijos. Mas também tem seus momentos de “terrible twos”, distribuindo tapas. Pode ser em mim, no papai ou até mesmo no espelho. Graças a Deus, ainda não esbofeteou ninguém na creche e estamos trabalhando pra que esses episódios diminuam.
Você adora ajudar. De manhã, sentamos no chão pra pôr os sapatos e você me ajuda a levantar. Quando chegamos na creche, você guarda seus sapatos e pega os outros pra vestir lá dentro. Já sabe onde colocar seu casaco. Está super independente.
Dois anos, numa 5a. feira, tenho aqui comigo uma menininha linda. Alegre e faceira, adora uma farra. Vamos ao Aquarium para comemorar seu aniversário de 730 dias de vida.
Feliz aniversário, minha princesa.
Te amamos muito,
Mami, Baba e Eithor
Carta pra Valentina – 23 meses
Minha menininha linda, você chegou aos 23 meses. Já! Parece que foi ontem que papai e mamãe chegaram do hospital com você, debaixo de uma tempestade de neve.
A primeira coisa que fizemos, foi apresentá-la ao Eithor. Não foi uma recepção muito calorosa, assim digamos. Ele me ignorou por uns dias.
Hoje, você sai pela casa chamando “Eitiii”. Acha os pedacinhos de ração escondidos pela casa e leva até ele. Tenta abraçá-lo e pegá-lo, como se fosse um ursinho de pelúcia. Mas ele não é ursinho de pelúcia e não gosta muito desse seu jeito meio estabanado de ser. Então, de vez em quando, tenho que apaziguar as coisas: “Valentina, pára de correr atrás do Eithor” e “Eithor, pára de rosnar pra Valentina”.
Você anda falando pelas paredes, apesar de ainda não formar frases. O seu “não” é em português e o “sim”, é em inglês. Isso porque o “não” é muito mais difícil que o “no” (seu pai que o diga, quando tenta falar e sai um “nón”). E sim, o “não” é sua palavra favorita ultimamente, só perde pra Dora. Você sabe dizer que quer descer do cadeirão, quando quer ver seus desenhos da Galinha Pintadinha, quando quer comer “nana” (banana), “api” (apple), toast. Entende tudo o que eu falo em português, embora de vez em quando tenha que usar uma ou outra palavra em inglês (time-out, por exemplo). Fala oi e hi, tchau e bye. Sabe o que é beijo, buz bede e kiss. Sabe os nomes de todos os seus amiguinhos da creche. Sua amiga favorita é a Aram. Ela já tem quase 4 anos e te adora.
Continua comendo um monte e dou graças que você não é nem um pouco chata pra comer. Come de tudo e com gosto. Só não gosta de mamão, blueberries e salmão defumado. Até pickles, se deixar, você come um monte. Outro dia, seu pai estava fazendo a salada dele e você quase comeu metade: pepino, alface, queijo de cabra. Não é à toa que você está tão grande! Na última vez que a medimos, você estava com 89cm e uns 14kgs. Grandona. E pensar que você era um toquinho de gente quando chegou em casa!
Você entrou na fase de que tudo é seu. Vive falando “this is mine!” e tira os brinquedos dos outros. Aos poucos, tem aprendido que não é bem assim, que todo mundo pode brincar também. Mas é difícil, né? Conto até dez e mentalizo que é só uma fase e que vai passar. Até o coitado do Eithor já entrou nessa. Ele estava dormindo no sofá, ao lado do seu urso. Quando você viu, saiu correndo, gritando “this is miiiiiiiine” e arrancou o urso de perto do Eithor. Não, isso não é legal, mas a gente tem tentado te ensinar como as coisas funcionam.
Anda cheia de opinião, quando quer algo e não damos é choro na certa. Outro dia, porque a mamãe teve que trocar a sua blusa, você ficou sentada no chão por quase 10 minutos, de braços cruzados e cara feia, dizendo “não,não,não,não,não,não,não,não,não,não,não,não,não”. Eventualmente você esqueceu e voltou a fazer palhaçada.
Aliás, se tem uma coisa que não posso reclamar, é do seu bom humor. Você está sempre rindo e se divertindo. Sempre acha algo pra brincar aqui em casa e, quando menos esperamos, vem correndo pra nos abraçar. Se a mamãe está andando, você pega na minha blusa e faz “bi-bi” e vamos brincar de trenzinho. E você morre de rir.
Estou impressionada o quanto você já entende muita coisa. Se você joga algo no chão, peço pra pegar do chão e me dar. E você faz isso! Quando vamos sair, você escolhe seu sapato e tenta calçá-los. Depois de uns minutos, eu pergunto se você quer ajuda, e você sempre diz “yes”. Depois disso, você pega o sapato que a mamãe vai usar (escolhido por você!).
Se tem algum papel pra jogar fora, você vai até a cozinha, abre o armário e joga no lixo. Claro que muitas vezes, você quer pegar de volta e tenho que te explicar que não pode.
Outro dia, você pegou um saco plástico, pôs a mãozinha dentro e ficou brincando de “catar” coisas no chão. Exatamente como a gente faz quando sai com o Eithor. Depois muita gente fica pensando em como vocês aprendem as coisas, né?
Mês que vem é o seu aniversário. 2 anos! Decidimos não fazer festa. Vovó não está aqui esse ano, e nós vamos viajar pra casa da tia Lu no natal. Então vamos fazer um bolinho aqui em casa mesmo. Você ainda não sabe o que é festa de aniversário e nem pede brinquedos. Resolvemos que faremos festa mesmo, só quando você pedir e já souber o que é isso. Dá pra se divertir igual!
Minha pequena, você está cada dia mais linda e mais esperta. É uma criança carinhosa e está sempre ligada nos 220v. Apesar disso, é tranquila, não é de chorar, dorme super bem! Feliz 23 meses!
Você não precisa ser Perfeita
do livro “Orientações para as Futuras Mães” (Marta e Willian Sears)
Algumas mulheres nascem perfeccionistas ou adquirem esta qualidade logo na infância. Para elas as coisas têm de ser feitas de determinada maneira, elas dão duro para ser as melhores alunas da classe, para conseguir empregos importantes, para casar com homens importantes, para ter lindas casas.
Outras mulheres tornam-se perfeccionistas quando tem filhos. Amam os filhos, e junto com muitas outras circunstancias, dirigem tudo. Elas querem que seus filhos tenham o melhor, tenham as coisas que elas próprias jamais tiveram, tenham uma mãe que elas desejaram ter tido. Elas se empenham em fazer tudo “direito”, acreditando que assim vão assegurar que os seus filhos tenham saúde e felicidade no futuro.
Elas querem que seus bebês tenham o melhor começo na vida, por isso comem bem durante a gestação. Elas planejam um trabalho de parto perfeito e o nascimento deve acontecer dentro do horário predeterminado. Elas amamentam porque sabem que é o melhor. Elas devoram livros especializados e entram em pânico se a criança não está alcançando o mesmo progresso no desenvolvimento que sua priminha da mesma idade.
Paga-se um preço alto pela perfeição. Você pode estar se encaminhando para a loucura ao tentar ser uma mãe perfeita, mesmo que seja apenas de um bebezinho; observe o barulho que fazem algumas crianças em idade escolar quando estão sozinhas. Mesmo que você siga absolutamente tudo que o livro manda (até mesmo este livro), ainda não haverá garantia de que os pequenos se comportem da maneira que você quer. De fato, a perfeição é prejudicial aos filhos. As crianças perfeitas nunca terão a oportunidade de aprender a aceitar os próprios erros.
A boa nova é você não ter de ser perfeita. Não precisa estar certa o tempo todo. Não tem de se torturar constantemente sobre o que é melhor. Tudo o que você precisa ser é uma mãe boa o suficiente, boa a maior parte do tempo, acima de tudo boa. O que conta é o sentimento que predomina no relacionamento com seu filho, não a contagem de pontos do placar de acertos e erros.
Amamentar, por exemplo. O leite materno é melhor para as crianças e é um afortunado o bebe cuja mãe opta por amamentá-lo. Entretanto, a amamentação não deve ser uma experiência estressante, um caso de vida ou morte. Decida-se por ela apenas por causa de suas vantagens cientificas. Se você se decidir pela amamentação motivada apenas pelas recomendações dos especialistas, logo vai descobrir que a vontade de ser perfeita não é motivação forte o bastante para enfrentar todos os problemas que surgem. Felizmente, a natureza criou algumas salvaguardas. Amamentar é relaxante e agradável para a maioria das mulheres e, ao descobrir isso por si mesma, você pode deixar de lado a atitude “Farei isto por meu filho”. Tudo na amamentação, inclusive as reações do bebê, serão muito mais naturais, boas o suficiente para ajudá-lo a progredir e crescer e manter você feliz e confiante (se isso não acontecer e você sinceramente se sentir muito infeliz amamentando, nesse caso acredito que a mamadeira será melhor, pelo menos seu filho poderá ver um rosto mais feliz na maior parte do tempo. Quem sabe da próxima vez vai ser mais fácil, se é que você vai ter outro filho).
É uma boa idéia comer bem enquanto estiver amamentando, até por causa de sua própria saúde e bem-estar. Porém, não se declare perfeita – uma tarde você não resiste à vontade e faz uma farra, acaba com o estoque de batatas fritas e depois liquida aquele pavê de chocolate cheio de creme. Você está querendo intoxicar seu leite? Não, claro que não. Seu leite ainda assim será nutritivo e maravilhoso para seu filho, mesmo não seguindo a dieta perfeita. Amanhã é outro dia e provavelmente você vai preferir uma salada na hora do almoço.
O choro do seu filho é outra área em que você deve abandonar as idéias de perfeição. Sempre será possível ajudar seu filho a parar de chorar. Ser uma mãe receptiva não significa que tenha de silenciar as emoções negativas de seu filho. Você o acalma e ampara e, na maioria das vezes, isso pára o choro. Se isto não acontecer você continuara confortando seu filho, tentando novas formas de ajudá-lo, mas não se responsabilize por suas dores e sensibilidades. Uma boa mãe sempre vai tentar ajudar o filho quando ele esta chorando, entretanto, mesmo a mãe “perfeita” não pode evitar completamente o choro e se ela tentasse poderia prejudicar o desenvolvimento emocional do bebê.
Também não é preciso ter uma casa perfeita, a menos que você ou seu marido queiram. Sendo confortável, um pouco de desordem pode até ter alguma praticidade; mas quando você está devotando a maior parte do seu tempo a cuidar de seu filho, baixar o padrão de manutenção da casa não é apenas inevitável, é saudável. Se você está usando o pouco de tempo que lhe sobra correndo de um lado para o outro atrás de grãozinhos de pó, lavando vidraças ou trocando as cortinas do banheiro, rapidamente esgotará todas as suas energias. Você se tornará uma pessoa rabugenta, atormentada pelas manchas no espelho, obcecada em manter arrumadas as almofadas do sofá após a última sessão de amamentação. Em breve estará no centro de um conflito sobre como gastar seu tempo: limpar e polir versus cuidar e brincar com seu filho enquanto recarrega suas próprias baterias. Agora, sinceramente, o que você acha mais importante?
Não é que não deva mais limpar; alguma ordem é necessária para manter a higiene. Mantenha o ideal de uma casa perfeita só neste item. Talvez precise encorajar seu marido a baixar seu padrão de exigência ou realizar um grande remanejamento do trabalho, ou as duas coisas juntas. Os dois devem ter em mente que todas as casas deslumbrantes que vêem nas revistas e todos aqueles jardins tão bem cuidados que admiram quando estão a caminho do supermercado provavelmente não pertencem a pessoas que estão tentando o malabarismo de cuidar da casa e de um recém-nascido com a mesma presteza. Tente imaginar o futuro. Um dia, quando seus filhos crescerem e forem embora, poderá ter uma casa perfeita – se ainda quiser uma. Ninguém em seu leito de morte jamais desejou ter gasto mais tempo limpando a casa, e ninguém em seu leito de morte jamais se arrependeu de ter gasto muito tempo com os filhos.
Se suas tendências perfeccionistas estão vindo à tona agora que você se tornou mãe, relaxe e liberte-se. Tenha em mente que está fazendo o melhor que pode dentro das circunstancias do momento e de acordo com os recursos que dispõe. Não caia na armadilha de acreditar que não é boa o suficiente. Se você ama o seu filho e sente que realmente o conhece e compreende, definitivamente você alcançou o sentido da maternidade. Saboreie cada instante da vida do seu filho da forma como ele acontece, em vez de ficar achando que algo mais poderia ser feito. Se, na maior parte do tempo, você está em sintonia com seu filho, então será da mãe que ele necessita – de longe a melhor coisa a que se pode aspirar, melhor do que uma visão distorcida de perfeição.
Orientações para as Futuras Mães (Marta e Willian Sears) -
20 meses
Tenho uma tagarela em casa! Repete tudo o que a gente fala. 96% é ininteligível, claro, mas ela tenta!
Tá super independente, acorda de manhã, desce da cama e vai me acordar. Sobe e desce do sofá a vontade.
Aprendeu a apontar pro bumbum quando faz cocô. E fala “mumumum” (bumbum).
Aliás, tá falando:
mami, dadai, tata (vovó) gimepi (give to me please), dank (thank), mine, eiti (eithor), pis (please), nán (não, not), êqué (eu quero), iwa (I want) e os gibberishes que ela fala e tem certeza que é algo (na cabeça dela, claro). Ontem foi assim: arros (“aoo”), carne (“aca”) e batata (“atata”). Valentina é “didi”.
Corre pra cima e pra baixo, ligada no 220v 24hrs por dia!
Deu pra odiar lavar a cabeça. Antes chorava horrores pra tomar banho, agora tá curtinho. Descobri que ela gosta de água mais fria que quente (ao contrário da mãe que ama um banho bem quente!). Hoje mesmo chorou porque viu a piscina e queria entrar (tá resfriada, não pode!).
Dá a mãozinha na rua, principalmente na garagem.
Tem um cobertor favorito, mas não é único. Se não tiver ele por perto, não tem problema.
Consegue se divertir sozinha. Tá sempre achando algo pra fazer em casa. Ou pra destruir, depende do ponto de vista.
Outro dia mesmo, destruiu a casa em 10 minutos. Primeiro, arrancou a bonequinha de madeira que fica na parede dela. Tava arrumando e ela virou o humidificador de ar no carpete. Encharcou tuuuuuuudo. Fui secar e ouvi barulho na cozinha: ela pegou toda a ração do Eithor, virou no pote de água dele, virou o pote de água no chão e comeu metade da ração. Catei com a boca cheia de ração molhada/mastigada. Eca! Tô secando a cozinha e ela sobe na mesa de centro. Fica em pé lá gritando a la Leonardo di Caprio em Titanic…
Ouve uma música e sai dançando. Dá tchau pra tudo e todos (até pro carro passando do outro da rua).
Adora os bichos de pelúcia e carrega-os para cima e para baixo. Um deles é maior que ela, outro parece o Eithor.
Falando em Eithor, ela acha que ele é boneca pra ser agarrado. Claro que ele não gosta e dá um “chega-pra-lá” nela. Agora, ela dá tchau e manda beijo pra ele antes de saírmos de casa.
Em 4 meses essa mocinha vai fazer 2 anos. Alguém pára o tempo por favor?
Slow parenting – já ouviu falar?
Achei interesante e resolvi compartilhar…
Pais Sem pressa!
Por Ana Esteves
O movimento Slow Parenting defende que «menos é mais»: menos coisas, menos actividades, menos pressa, menos pressão, menos expectativas. Mais tempo para crescer fará as crianças mais felizes.
Quem teve uma casa na árvore, leu a Pipi das Meias Altas e ainda se lembra dos dias intermináveis das férias grandes sabe do que se trata. A infância das crianças de hoje é bastante diferente da dos pais: pela pressa constante, pela falta de disponibilidade para estar com elas, pelo tempo todo controlado, pela pressão de serem os melhores em qualquer coisa. Mas há quem tente pôr um travão neste frenesim, desacelerar um pouco e devolver às crianças o que a infância tem de melhor: tempo para crescer e descobrir o mundo.
O movimento Slow, que defende e procura um abrandamento do ritmo de vida actual e faz o elogio da lentidão como forma de melhor apreciar as coisas boas, também chegou à educação. «Trees makes the best mobiles» (As árvores são os melhores mobiles) foi o livro que mudou a forma de encarar a maternidade de algumas estrelas de Hollywood: Gwyneth Paltrow descobiu-o quando a sua filha Apple era bebé e a partir de então oferece-o a todas as amigas que vão ser mães. As formas mais simples de educar num mundo tão complexo atraíram também Laura Dern, Heidi Klum, Courtney Cox e Susan Welsh. Como resistir à pressão de comprar demasiadas coisas que se tornam ruído para um bebé e à tentação de estar sempre a mostrar-lhe coisas novas, a acelerar o seu desenvolvimento e as suas descobertas, são algumas das propostas deste livro.
Outra obra que contribuiu para o movimento Slow Parenting foi «What Mothers do: Especially when it looks like nothing» (O que fazem as mães: especialmente quando parecem não fazer nada), de Naomi Standler. Segundo a autora, as mães não devem encarar o bebé na lógica de mais uma lista de «coisas a fazer». Quando estão apenas a contemplar o seu filho pode parecer que estão a fazer nada, mas afinal estão a fazer o mais importante: descobri-lo, conhecê-lo e deixá-lo ser ele mesmo.
Brinquedos simples
Substituir brinquedos electrónicos cheios de ruídos e estímulos por simples pauzinhos, folhas, pedras ou conchas é um dos mais importantes conselhos do Slow Parenting. Não devemos apressar as crianças e os defensores da lentidão abominam especialmente os brinquedos que prometem ensinar-lhes rapidamente muitas coisas, seja vocabulário, uma segunda língua, ou como somar e subtrair. Não devemos esperar nem agir como se os nossos filho fossem pequenos génios que têm de fazer tudo antes dos outros. Depressa não é forçosamente bem. Cada coisa a seu tempo e sobretudo, no ritmo certo, afirmam os «slow parents».
Tempo para brincar e estar sem fazer nada
Gastar dinheiro em múltiplas actividades quase desde o berço é outras da realidades do mundo moderno contestadas pelos defensores da filosofia da lentidão e do «menos é mais» aplicada à educação. É mais importante que as crianças tenham tempo para actividades livres, não organizadas, do que tenham os dias todos ocupados com actividades estruturadas. Informática e ballet aos três anos parece muito apelativo, mas na verdade não tem vantagens nenhumas, é mais uma despesa e rouba tempo ao que é realmente importante: brincar e interagir, sobretudo com os pais.
Aliviar a pressão de pais hiper-activos
Mais recente foi a pulbicação de «Under Pressure: Rescuing Our Children from the Culture of Hyper-Parenting» (Sob Pressão: como Salvar as Crianças da Cultura dos Hiper-Pais), de Carl Honoré, um dos gurus do movimento Slow. O jornalista e autor de «In praise of Slow» (O Elogio da Lentidão), dedicou-se a analisar a forma como são educadas as crianças na nossa sociedade de consumo, onde a pressa é constante. Honoré considera os pais de hoje hiper-activos e defende que é preciso salvar as crianças desta vertigem constante e devolvê-las à infância – que deve ser um lugar de calma e de tempo a perder de vista.
Alguns dos conselhos de Carl Honoré:
# Deixar as coisas acontecer em vez de estar sempre a programar
# Deixar as crianças correr alguns riscos em vez de os transportar numa agenda sem intervalos de uma bolha de segurança para outra.
# Não pretender controlar tudo. Deixar tempo livre às crianças para que possam desenvolver a sua criatividade. Carl Honoré pretendia inscrever o filho em aulas de expressão plástica, depois de a professora o informar que a criança era muito dotada para as artes. O filho, com sete anos, disse-lhe: «Pai, porque é que os adultos têm de controlar tudo? Eu só quero desenhar e pintar, não preciso de aulas para isso».
# Recusar a pressão de ter de oferecer aos filhos uma infância perfeita. Isso não existe, tal como não existem pais perfeitos.
# Dê aos seus filhos espaço e tempo para explorar o mundo à sua maneira. É assim que as crianças aprendem a pensar, a inventar e a socializar, a ter prazer nas coisas que fazem, a desenvolver o que são em vez de tentarem apenas cumprir as expectativas dos pais.
# Dê muito amor, atenção e disponibilidade. Sem condições.
O autor afirma que a principal razão para escrever este livro foi pessoal, pois precisava de arrumar as ideias de forma a alterar a sua forma de ser pai. Um dia descobriu um livro que resumia histórias infantis clássicas para que os pais pudessem lê-las em 60 segundos, na hora de deitar. A sua primeira reacção foi pensar «Boa ideia!» Então percebeu a loucura em que os pais de hoje andam, ele incluído. Era preciso mudar, a bem dos seus filhos.
Nas sua investigação, visitou creches em Itália e na Escócia, um laboratório de pesquisa de brinquedos na Suécia, escolas na Finlândia e em Hong-Kong, colégios em Inglaterra e nos Estados Unidos, clubes desportivos um pouco por todo o lado. Chegou à conclusão de que a ambição desmedida dos pais que pressionam os filhos, em todas as idades, é um fenómeno global.
O livro procura mostrar como é possível encontrar um equilíbrio no ritmo de vida familiar de modo a que a infância deixe de ser uma corrida para o sucesso. A tentativa constante de dar aos filhos tudo o que há de melhor corta-lhes a possibilidade de aprenderem a tirar partido daquilo que têm. E essa é a melhor lição de vida que podem ter.
Tendo em conta o investimento de tempo, energia e dinheiro que se faz hoje em dia nos filhos, a geração de crianças actual devia ser a mais saudável e feliz de todos os tempos. Mas tal não acontece. Carl Honoré aponta a obesidade por um lado e as crianças que praticam desporto de forma demasiado intensa, por outro. Nem uns nem outros são saudáveis e felizes. E por isso nunca como hoje houve tantas crianças depressivas, ansiosas e com baixa auto-estima. Adoptar um estilo parental mais descontraído, sem pressão e sem pressa, pode parecer difícil. Mas é possível. As férias são decididamente uma boa altura para pensar no assunto.
Para saber mais:
# «Trees makes the best mobiles: simple ways to Raise your child in a complex world», Jessica Teich e Brandel France de Bravo, St. Martin’s Griffin, 2002
# «What Mothers do: Especially when it looks like nothing», Naomi Standler, Piatkus Books, 2004
# «Letting Go, as Children Grow», Deborah Jackson, Bloomsbury Publishing PLC, 2003
# «Do Not Disturb: Benefits of Relaxed Parenting for You and Your Child», Deborah Jackson, Bloomsbury Publishing PLC, 1993
# «In praise of Slow», de Carl Honoré, 2004. Tornou-se a bíblia do movimento Slow. Em Portugal, o livro foi editado pela Estrela Polar sob o título «O movimento Slow».
# «Under Pressure: Rescuing Our Children from the Culture of Hyper-Parenting», Carl Honoré, HarperOne, 2008
Sobre o movimento slow:
http://www.slowmovementportugal.com/movimentos-slow/saude-e-medicina/http://www.rituaismaternos.com/page/18/
Comer bem para dormir bem
Artigo excelente, escrito pela Dra. Andréia Mortensen
Para quem se interessa em conhecer um pouco mais de alimentação infantil…
originalmente publicado no Guia do Bebê e também na Comunidade Pediatria Radical
“A alimentação do bebê e da criança pode influenciar seu sono? Certamente!
O que e quando você come interfere no sono.Crianças são mais saudáveis e dormem melhor se tiverem uma dieta equilibrada, contendo uma variedade de alimentos de todos os grupos da pirâmide alimentar.
Uma das chaves para uma boa noite de sono é se alimentar de modo que o cérebro seja ‘tranquilizado’ e não ‘agitado’ antes de dormir.
Alguns alimentos contribuem para um sono restaurador enquanto outros contribuem para que fiquemos acordados
Alimentos que contêm triptofano (que é o aminoácido precursor da serotonina e melatonina, substâncias indutoras de sono) contribuem para sono. Exemplos: latícinios (leite, queijos, coalhada, iogurtes), produtos de soja (leite de soja, tofu, feijão de soja), frutos do mar, carnes, frango, grãos integrais, feijão, arroz, hummus (pasta de grão de bico com semente de gergelim), lentilhas, amendoim e outras nozes, ovos.
Melhor ainda se consumir carboidratos complexos (como grãos integrais) com alimentos ricos em triptofano. Esses carboidratos estimulam a liberação de insulina que auxilia a remoção da corrente sanguínea de substâncias que competem com o triptofano.
Refeições mais leves provavelmente conduzem melhor sono, ao contrário de refeições gordurosas e fartas, que prolongam o trabalho do sistema digestivo e produzem gases. Algumas pessoas observam que alimentos temperados e apimentados podem produzir azia e então interferir no sono.
Assim, os melhores jantares para o sono são ricos em carboidratos complexos e médios ou baixos em proteínas, como: macarrão integral com queijo parmesão, ovos com queijo, tofu, hummus com pão integral, frutos do mar, queijo coalhada, frango com legumes, sanduíche de atum, feijões (não apimentados), sementes de gergelim, saladas com pedaços de atum com crackers de trigo integral e outros.
Inclua alimentos ricos em vitaminas B: grãos integrais, legumes, fígado, sementes, cogumelos, peixes de fundo de mar, ovos e verduras escuras e alimentos ricos em magnésio: nozes, grãos integrais, semente de girassol, abacate e uva passa.
Por outro lado, refeições ricas em proteínas produzem o efeito contrário, pelo aminoácido tirosina que estimula o cérebro ao invés de relaxá-lo, ou seja, deixam as crianças alertas e energéticas. Portanto evite oferecer ao seu filho no jantar carne vermelha, bacon ou porco, linguiça e presunto.
Além disso as refeições energizam e aumentam o metabolismo e por isso deve-se evitar jantar cerca de duas horas (tempo médio para digestão) antes de ir pra cama. (1).
Os melhores lanchinhos antes de dormir
Se teu filho faz um lanchinho antes de dormir, que seja pelo menos meia hora antes de ir para a cama e que sejam ricos em carboidratos complexos e cálcio (que ajuda o cérebro a usar o triptofano e a fazer melatonina) e médio ou baixo em proteínas.
Exemplos: leite (o leite materno tem propriedades indutoras de sono para ambos, bebê e mãe!), leite de vaca (somente para maiores de 1 ano, não alérgicos à proteína do leite de vaca e sem adição de chocolate!), iogurte, coalhada, abacaxi, bananas, abacate, ameixas, peru, semente de gergelim, de girassol, cajus, amendoins (não ofereça nozes antes de 1 ano pelo menos pelo risco de engasgue), cereais de grãos integrais com leite, sanduíche de manteiga de amendoim ou hummus, sorvete, tofu, biscoitos integrais de aveia e uvas passa. (2).
Observações importantes sobre o leite de vaca
Mesmo sendo conhecido como indutor de sono, cabe frisar que muitos bebês de menos de um 1 ano têm dificuldade de processá-lo, mesmo as fórmulas especiais para lactentes (menores de 1 ano), e frequentemente podem causar gases.
Leites integrais não são recomendados pelas Sociedades de Pediatria Internacionais para bebês menores de 1 ano. Em caso de impossibilidade de aleitamento materno o bebê deve receber fórmulas apropriadas, pelos seguintes motivos:
- o leite de vaca (de caixinha, de fazenda ou em pó) é rico em gordura saturada que não é adequada ao bebê. Na fórmula infantil essa gordura é substituída por poli-insaturada de origem vegetal, adequada às necessidades do lactente;
- o leite de vaca possui proteínas de difícil digestão para o bebê. Além disso, é altamente alergênico e pode causar rinite, dermatite atópica e amoniacal (dermatite das fraldas), já que o seu excesso de proteínas é eliminado pela urina em forma de amoníaco que pode produzir dermatite na zona genital. Nas fórmulas pra lactentes essa proteína é reduzida e tem estrutura modificada;
- o leite de vaca é rico em minerais (como fósforo) que dificultam a absorção de cálcio e que podem sobrecarregar os rins do bebê. Nas fórmulas esses minerais são parcialmente retirados;
- a fórmula infantil é adicionada de ferro, algumas vitaminas e carboidratos inexistentes no leite de vaca;
- finalmente, a fórmula infantil recebe soro de leite pra tornar a sua composição mais adequada às condições fisiológicas do lactente;
- o leite de vaca pode provocar desidratações no lactente (pois necessitam utilizar mais água de seu corpo para formar urina do que os que se alimentam de leite materno); diarréias (já que o tipo de flora intestinal que se forma quando se alimentam com leite de vaca não os protege tanto quanto a flora formada com o leite materno), anemia (já que o ferro do leite de vaca não é absorvido de forma tão eficiente quanto o leite materno) e, finalmente, o leite de vaca produz microhemorragias intestinais nos lactentes, o que também pode favorecer a aparição de anemia. (3).
O que evitar nos lanchinhos antes de dormir
Alguns alimentos podem criar problemas de sono, por causar indigestão e gases, e agravar o refluxo nas crianças que sofrem desse mal. Outros têm efeito estimulador no sistema nervoso.
Evite antes de sonecas e no lanchinho da noite: bebidas cafeinadas, chocolate, hortelã, comidas gordurosas e apimentadas, suco de laranja ou outros cítricos, margarina e manteiga, alimentos com aditivos e conservantes artificiais, glutamato monossódico, bebidas carbonadas (como refrigerantes), carboidratos simples (arroz branco, batatas, pão branco, farinhas refinadas em geral) e açúcares refinados.
Os principais bloqueadores de sono
São cafeína, álcool e açúcar, que precisam ser regulados durante o dia e restringidos nas horas que antecedem o sono.
Café, refrigerantes (como as colas) e chás pretos são as bebidas campeãs em cafeína. Somente 15 minutos após uma xícara de café o nível de adrenalina no corpo sobe, o que causa um aumento na pressão arterial, respiração e produção de ácidos estomacais. Vale a pena notar que refrigerantes são fonte rica de cafeína e açúcar e não devem ser consumidos à tarde e à noite para não interferirem no sono.
A cafeína também promove elevação no humor e na energia logo pela manhã, seguido de cansaço pela tarde. Em outras palavras, os efeitos da cafeína no corpo são como a lei da gravidade: tudo o que sobe tem de descer. Basicamente, os efeitos da cafeína revertem os que você deseja se o objetivo é dormir.
Algumas crianças são altamente sensíveis a açúcares em sua dieta, podendo agravar muitos problemas como hiperatividade, nervosismo, irritabilidade e pouca concentração, todos fatores que podem levar a problemas no sono.
Comidas tipo ‘fast food’ são geralmente concentradas em gorduras e contêm sabores e corantes artificiais que são estimulantes e difíceis de digerir. Alimentos que são classificados como ‘baixo teor de gordura’ geralmente contêm açúcar adicional que afeta o sono.
Alguns medicamentos para resfriados e dores de cabeça que podem ser comprados sem receita médica têm alta concentração de cafeína. Leia o rótulo ou pergunte ao farmacêutico.
O que fazem os açúcares e carboidratos refinados: a montanha russa
Uma refeição de carboidratos, especialmente ricos em açúcares e gorduras refinadas, vai interferir no sono da seguinte forma: primeiramente se perderão todos os efeitos indutores de sono do triptofano; em seguida, começará a ‘montanha russa’ de açúcar no sangue, pois o organismo dá respostas afoitas face a uma subida rápida do nível de glicose (pois o açúcar é convertido diretamente em glicose e causa súbita elevação de açúcar no sangue, rompendo o delicado equilíbrio de glicose e de oxigênio na corrente sangüínea) e com objetivo de reduzir esses níveis de açúcar na corrente sanguínea, o pâncreas faz uma descarga de insulina no sangue. O nível de açúcar cai drasticamente na corrente sanguínea e isso é seguido de liberação de hormônios do estresse que manterão a pessoa acordada e, logo em seguida, precisará repor esses níveis de açúcar.
Se os níveis de açúcar baixam muito, o cérebro interpreta a informação que recebe como um pedido de socorro. Vem então a sensação de fome, dando assim origem a um novo ciclo. Ou seja, sucessivas operações desse gênero provocam uma montanha russa metabólica que, além de interferir negativamente no sono, podem favorecer a obesidade e a diabetes.
Isso leva à hipoglicemia, que então produz agressão, ansiedade e comportamento hiperativo como correr loucamente e escalar em tudo (4).Essa mesma criança poderia brincar muito bem por algum tempo se tivesse comido uma refeição balanceada, que eleva os níveis de serotonina em seu cérebro, estabilizando seu humor.
Concluindo, só é possível intervir nestes altos e baixos níveis hormonais se tivermos uma resposta insulínica moderada, e para isso é preciso comer menos, mais vezes e melhor, para evitar chegar ao estágio da fome descomedida no qual só nos apetece comer um chocolate ou umas batatas fritas. Uma refeição desse tipo antes de dormir (ou no meio do sono, como mamadeiras engrossadas de farinhas refinadas) provocam mais despertares noturnos.
Cuidado com os sucos
O Ministério da Saúde recomenda, para que as crianças supram as suas necessidades energéticas, que os alimentos complementares oferecidos após os seis meses de idade tenham uma densidade mínima de 0,7kcal/g. Por isso sucos de frutas ou vegetais e sopas são desaconselhados, por possuírem baixa densidade energética. Ou seja, oferecer sucos para bebês menores de 1 ano não é apropriado, pois são líquidos com menor densidade energética e nutrientes que o leite, que deve ser o principal alimento do bebê até 1 ano (5). Em outras palavras, ocupa-se espaço na barriga do bebê que deveria ser do leite com um líquido menos nutritivo e concentrado em açúcar (pela preparação). Possivelmente sua ingestão interferirá no sono. Ainda, se oferecido na mamadeira, pode acarretar confusão de bicos e desmame precoce. O ideal é oferecer somente água ao bebê (ao início da alimentação complementar por volta do sexto mês, composta de frutas ‘in natura’, legumes e cereais integrais) utilizando-se um copinho.
Aditivos alimentares que tem impacto no cérebro
Pesquisas em bebês mostram que ômega-3 (presente em óleo de peixe) é essencial para o desenvolvimento normal do cérebro, pensamento e concentração. Também aumenta os níveis de serotonina. Um estudo mostrou que baixos níveis de ômega-3 estão associados com problemas de comportamento, de aprendizado e de sono (6).
Crianças são particularmente vulneráveis a aditivos alimentares porque seus organismos e cérebros são muito imaturos. Alguns aditivos reduzem os níveis de dopamina e noradrenalina no cérebro, resultando em comportamento hiperativo em algumas crianças (7-19). Então, se seu filho consome sorvete ou refrigerantes de cola e tem comportamento agressivo ou hiperativo, você já sabe a razão. Preste atenção especialmente nos seguintes corantes e aditivos:
- corante amarelo n. 6 tartrazina, que é usado em balas, gomas de mascar e gelatinas, pode provocar reações alérgicas, além de asma, bronquite e urticária (20).
- corante vermelho n. 3 ou carmim, usado em alguns biscoitos, geléias e doces, também é inibidor de dopamina a noradrenalina, e pode levar à perda de concentração e a comportamentos como desordem de atenção e hiperatividade (ADHD).
- benzoatos e parabenos, que são usados em refrigerantes, gelatinas e molhos de salada, são relacionados à asma e à hiperatividade.
- sulfitos (incluíndo dióxido de enxofre), encontrados em algumas sobremesas e sucos de frutas.
- nitratos, adicionados a alguns queijos e carnes em convserva como salsichas. Podem causar dores de cabeça e foram relacionados ao câncer em estudos com humanos.
- adoçantes e edulcorantes, são adicionados a refrigerantes, alimentos doces e sucos industrializados, podem reduzir os níveis de triptofano, que é vital para o cérebro sintetizar serotonina, e também podem produzir comportamento agressivo e hiperativo (21).
Idéias para implementar uma dieta que contribua para um sono melhor:
- Tenha comidas saudáveis em sua casa e não compre guloseimas ou alimentos pouco nutritivos. Assim, quando seu filho estiver com fome, você pode oferecer somente o que é saudável e nutritivo.
- Nunca use doces como recompensa ou consolo ao seu filho.
- Ofereça bastante água durante o dia, pois até uma desidratação leve pode trazer sentimentos de ansiedade e contribuir para problemas de sono.
- Coma mais carboidratos complexos do que processados (incluindo frutas e legumes crus). Grãos integrais devem ser parte diária da alimentação da família.
- Certifique-se de que seu filho consome cálcio suficiente. Baixos níveis de cálcio podem causar irritabilidade e nervosismo. As fontes de cálcio são leite, iogurte, queijo, brócoli, sementes de girassol, espinafre, entre outros.
- Prefira alimentos orgânicos sempre que possível.
- Evite gelatinas e outros produtos com aditivos alimentares que também são prejudiciais ao sono, como descrito acima.
- Sempre que possível, prepare refeições caseiras de ingredientes frescos, pois assim você saberá exatamente o que elas contêm.
- Ofereça frutas com farinha de aveia ou aveia em flocos finos, iogurtes naturais (que tal fazer em casa?), queijo branco. Sucos somente das frutas frescas, não ofereça sucos artificiais que têm açucares refinados e outros aditivos químicos, e preferivelmente não antes de 1 ano de idade.”
- Ao invés dos populares farinhas industrializadas e similares (como mucilon e farinha láctea, que contêm cereais refinados e açúcares, ambos prejudicam o sono), prepare um ‘super mingau’ com cereais integrais, como: arroz integral, milho, soja, cevada, aveia, farelo de aveia, malte, trigo integral, semente de linhaça. Compre os grãos e moa em um processador ou liquidificador, cozinhe em água e acrescente um pouco de leite no final. Não coloque açúcar. Os grãos moídos em casa podem ser estocados no congelador por longo tempo.
- Iogurtes prontos com adição de corantes e aditivos, bolachas açucaradas, maisenas e outros não são alimentos próprios para um bom sono. Esqueça a idéia de ‘engrossar’ o leite do bebê para dormir melhor, o efeito será provavelmente o inverso.
- Pode ser que algum alimento da dieta do seu bebê esteja atrapalhando o seu sono e a melhor forma de descobrir isso é observando muito bem os efeitos dos diferentes alimentos em seu humor e saúde.
- Uma idéia bonitinha: crianças se interessam muito mais em comer as refeições se ajudarem a prepará-las! Então invista num livro de receitas para crianças e se divirtam cozinhando juntos!
As Cem Linguagens da Criança
A criança
é feita de cem.
A criança tem
cem mãos
cem pensamentos
cem modos de pensar
de jogar e de falar.
Cem sempre cem
modos de escutar
as maravilhas de amar.
Cem alegrias
para cantar e compreender.
Cem mundos
para descobrir,
Cem mundos
para inventar,
Cem mundos
para sonhar.
A criança tem
cem linguagens
(e depois cem cem cem)
mas roubaram-lhe noventa e nove.
A escola e a cultura
lhe separam a cabeça do corpo.
Dizem-lhe:
de pensar sem as mãos
de fazer sem a cabeça
de escutar e de não falar
de compreender sem alegrias
de amar e maravilhar-se
só na Páscoa e no Natal.
Dizem-lhe:
de descobrir o mundo que já existe
e de cem
roubaram-lhe noventa e nove.
Dizem-lhe:
que o jogo e o trabalho
a realidade e a fantasia
a ciência e a imaginação
o céu e a terra
a razão e o sonho
são coisas
que não estão juntas.
Dizem-lhe:
que as cem não existem
A criança diz:
ao contrário, as cem existem.
(Loris Malaguzzi)
Ser filho
“Seus filhos não são seus filhos. São os filhos e filhas da Vida desejando a si mesma. Eles vêm através de vocês, mas não de vocês. E embora estejam com vocês, não lhes pertencem. Vocês podem lhes dar amor, mas não seus pensamentos, pois eles têm seus próprios pensamentos.
Vocês podem abrigar seus corpos mas não suas almas, pois suas almas vivem na casa do amanhã, que vocês não podem visitar, nem mesmo em seus sonhos. Vocês podem lutar para ser como eles, mas não procurem torná-los iguais a vocês. Vocês são o arco de onde seus filhos são lançados como flechas vivas.”
(Khalil Gibran)













