Tempo de primavera

Nunca, em 10 anos, acho que tivemos uma primavera tão ensolarada e seca como a deste ano. Deu final de março e já se via as flores pelas ruas. Como estou sem câmera, tiro foto com telefone mesmo. A vantagem é que dá pra compartilhar na hora, né?

Cerejeiras, tulipas, magnólias, rosas. Todas as cores, todas as formas, uma mais linda que a outra.

Agora mesmo, estou no trem a caminho de casa e a beleza do caminho é incrível. Água de um lado, um parque, e a montanha cheia de árvores (e um pouco de neve no topo!) do outro. E o sol batendo. É nessas horas que eu vejo como sou abençoada de morar aqui. Esses dias lindos compensam a chuva do resto do ano, com certeza (apesar da gente reclamar disso, claro).

De uma semana pra cá, a Valentina tem pedido pra ir pra creche de shorts. Tá sol, mas tá frio, né? Tanto pediu que hoje eu cedi e deixei ela escolher. Acho que ela nunca foi tão feliz pra creche (tirando os dias que ela vai de princesa). E lá estava ela: shorts, camiseta que ELA escolheu na loja, boné, casaco e mochila. Parecia uma adolescente e tão linda!

Definitivamente sol faz pra bem pra alma.

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Tempo de céu cheio de flores

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Foto by Valentina :)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Tempo de cerejeiras

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Tempo dos pássaros voltarem

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Tempo de novos brotinhos nascerem

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Tempo de rosas

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Tempo de magnólias

 

 

Spring Cleaning

Sabe quando a vida começa a gritar (porque já vem dizendo há muito tempo) que está na hora de tomar um rumo? De mudar, de correr atrás do que você quer mesmo?

Quando adolescente ou mesmo na faculdade, nunca me imaginava trabalhando em escritório fechado, cheio de papel e bur(r)ocracia. 15 anos depois e onde estou? Trabalhando em repartição pública, escritório fechado, com pilhas de papel e muita, muita burocracia.

Feliz? Não.
Pagando as contas? No limite.
Dá, ao menos, pra crescer, aumentar salário? Nem em sonho.

Daí eu pergunto, quando foi que eu me acomodei e me deixei levar pelo caminho fácil. Quando que isso aconteceu? Não sei, sinceramente.

Sei que quero mudar. Fazer o que da vida? Escrever? O que eu gosto é escrever, mas como? De que jeito? Como garantir que eu vou pagar minhas contas fazendo o que eu gosto. Escrever em português é quase que uma extensão de mim. Mas em inglês? Confesso, está batendo uma insegurança como nunca senti. Não me sinto capaz. Sinto que preciso ser 100%, entender 100% para poder fazer qualquer coisa. Sim, este é meu lado virginiano, de querer tudo nos conformes.

Daí eu me pergunto, cadê aquela coragem que me fez vir para cá, sem falar inglês, sem conhecer ninguém? Aquela coragem que me impulsionou a fazer tantas coisas, a experimentar outra vida tão diferente daquela que eu já conhecia…

Tenho vontade de jogar tudo pro alto. Acordar de madrugada e viver na correria o dia todo até chegar em casa e ter mais correria para fazer i-gual-zinho no dia seguinte está me matando. Dois dias de descanso parecem mais uma tarde e só. Não tenho tempo de realmente curtir minha filha, meu marido, meu cachorro. Quero sair e andar. Cadê o tempo e a disposição? Quero poder fazer uma comida decente em casa, aliás, quero uma casa arrumada e bem decorada, mas tudo isso envolve tempo livre. Cadê isso?

Sim, preciso buscar outro rumo pra mim. Voltar aos bancos escolares parece ser a melhor solução, mas e o medo de não conseguir? Já aconteceu outras vezes e quero garantir que agora vai ser diferente.

Meu corpo está dando sinais claros da exaustão. Essa correria do dia-a-dia só me faz querer chegar em casa e me jogar num sofá e dormir. Mas não dá quando se tem filhos, marido e casa. Tem comida pra fazer, roupa pra lavar, filha pra cuidar, abraçar e curtir. Cada dor que eu sinto me limita mais e mais. Como se estivesse falhando. E cadê a pílula mágica que vai resolver isso?

Estou trabalhando de casa estes dias. Não por escolha, mas pela incapacidade de andar direito, de sentar, de ficar em pé por causa da dor. Há três dias estou a base de tylenol, advil e uma dose triplicada do meu remédio de fibromialgia. Com tudo isso, vem aquele sentido terrível de frustração e fracasso. Como eu queria poder acordar um dia, ao menos um dia, e não me sentir dolorida. De poder dormir na posição que eu quero, sem me preocupar se vai piorar a dor.

Tenho, ao menos, uma médica que me entende e não me julga. É muito difícil de falar nisso e não se sentir rotulada como uma hiponcondríaca. Até pra mim mesma.

Quero poder voltar ao que eu era antes. A Fernanda que gostava de sair, de andar pra cima e pra baixo, com pique, que gostava de chegar em casa e preparar jantar. Cadê? Hoje eu acordo com dor, chego exausta no trabalho, me canso mais ainda até chegar em casa, sem ânimo, sem força pra nada, sem paciência pra nada. Eu não sou assim, não me reconheço em mim mesma.

Escrever, ultimamente, tem sido a minha terapia. Tenho meu diário secreto onde escrevo coisas que não sinto prontas de dividir. Quero poder me entender primeiro, aceitar que algo mudou em mim e buscar forças de um lugar inexistente para sair disso.

No Brasil

Felicidade de mãe é ver sua filha -que tem pânico de molhar a cabeça e gruda em você numa piscina- finalmente se soltar e se permitir relaxar e descobrir como é bom estar na piscina (com bóia) sem se segurar em ninguém. As risadas de felicidade dela e o orgulho (chamando todo mundo pra ver) vão ficar pra sempre.

Você está gostando tanto, querida. Seu português melhorou um monte, você acorda com um sorriso lindo no rosto, está conhecendo sua família, perguntando pelos tios e primos, se empanturrando de arroz com feijão, morrendo de calor, percebendo as diferenças do português pro inglês…. Acho que essa viagem vai ficar na sua memória pra sempre, né?

Manhã de chuva preguiçosa

Manhã de chuva preguiçosa.
Vontade de ficar na cama, pensando…tomar um chocolate quente embrulhada nas cobertas sem hora para “despreguiçar”. Vontade de dar um basta e dizer ao mundo que quero parar e viver um pouco.

Acorda
Corre pra arrumar o café
Corre pra se arrumar
Corre pra acordar a casa
Corre pra arrumar a Valentina
Corre pra sair na hora
Corre pra chegar logo na escola
Corre pra não perder o trem
Corre pra não chegar atrasada no trabalho
Corre no trabalho
Almoça correndo
Sai correndo
Corre pra não perder o trem
Corre pra chegar logo na escola
Corre pra fazer o jantar
Corre pra preparar tudo pro dia seguinte
Corre pra dar banho, pôr o pijama, escovar o dente
Corre pra não ficar tarde
Vamos dormir? Já tá tarde
Ih, hora de acordar de novo.
Corre pra arrumar o café.

Uia, milagres acontecem!

E Valentina interrompeu o jantar para informar que queria tomar banho. Milagre 1.

E disse que deixava eu lavar o cabelo dela em 5 minutos. Milagre 2.

Me belisca porque tô sonhando!

Minha filha, a fashionista

Tentando convencer a Valentina a não ir pra escola à la Penélope Charmosa (toda de rosa), mostrei uma blusa de outra cor pra usar com a calça rosa:

- “But, mamãe! This blusa don’t have combina!”

E a gramática, ó, tudo combinando, né?

E o banho, como vai?

Há algum tempo postei sobre o banho dela, como estava difícil. Hoje posso dizer que melhorou uns 80%. Ela tem curtido a banheira (sem os “bubbles”, para evitar problemas), mas com muitos brinquedos. Lavar a cabeça ainda está um processo difícil.

Não temos mais os escândalos de antes (quando eram necessárias duas pessoas pra segurar – até por segurança, pra evitar que ela caísse na banheira), mas ainda temos um chororô. E todos os dias, ela  faz questão de me lembrar que não quer lavar a cabeça.

Mas voltando à parte boa: Valentina tem curtido o banho. Adora os brinquedos e vive no mundo do faz-de-conta (“Mamãe, I’m pretending!”) e tem seus favoritos, como carrinho, baldes, patos e até um pônei bebê (tem até fralda, rs).

Pra ajudar no processo de “curtir”, comprei algumas coisinhas que ajudaram bastante.

- Canetinha pra banho da Crayola: 

Funciona à base de água e sai na hora. Não mancha a banheira e é super fácil de limpar.

Contras: A tinta demora a sair e fica super aguada. Às vezes, a Valentina tem que ficar pressionando com força até que saia direito e volta e meia falha. Isso pode deixar a criança frustada, principalmente os menores, que ainda não têm força pra ficar apertando.

 

- Giz-de-cera pra banho da Crayola:

Funciona que é uma beleza. Desenha até debaixo d’água e faz uns desenhos bem legais, com cores fortes e bem definidas.

Contras: Pensem numa coisa CHATA de limpar. É esse giz. Precisa esfregar um monte pra sair e não manchar a banheira. A Valentina amou, mas tá bem escondidinho, rs.

 

 

-Esponja pra banho da Crayola (dá pra ver que gosto da marca, né?):

Achei outro dia. Ela muda de cor de acordo com a temperatura da água. De rosa passa pra branco quando colocamos na água quente. Tem em outras 3 cores.

Contras: nenhum. É só um pouco mais caro, coisa de $3,00 dólares.

- Livrinhos de plástico: Ela tem dois. São de bebê, mas adora até hoje. Um de animais do mar, só de figuras, e outro sobre uma macaquinha que está tomando banho (e lava a cabeça).

- Patos, carrinhos, potes e pôneis: Os brinquedos clássicos, que continuam a fazer sucesso.
A única coisa que tomo cuidado nestes brinquedos são com os que acumulam água e que, com o tempo, acabam criando aquela coisa preta nojenta por dentro.

Com essas pequenas coisinhas consegui com que ela encarasse o banho como algo menos assustador e mais divertido. Aos poucos vamos melhorando isso…

Mamãe fala português!

Outro dia a Valentina fez alguma malcriação qualquer comigo e o pai disse “Valentina, say sorry to your mommy”.

E ela: “No sorry! Desculpa! Desculpa, mamãe!”.

A toalha mágica da Valentina

Há uns meses atrás, postei aqui sobre o pavor de banho que a Valentina tinha. Cada banho era uma tortura de tanto choro. Quando era dia de lavar a cabeça então, precisávamos ficar em dois pra segurá (e, principalmente, garantir que ela não ia cair e se machucar de tão agitada que ficava). Na época, até pensei em usar aqueles shampoos sem enxágue, mas não achei um que fosse pra crianças. Tentei de tudo, baldinho, chuveirinho, banheira, chuveiro normal, aula de natação…

Quando minha mãe veio pra cá, em dezembro passado, encarreguei-a de me ajudar nisso. Ela tinha duas semanas pra fazer a Valentina aceitar o banho. Não digo aceitar, mas pelo menos entrar na banheira sem gritar.

E as Princesas Disney entraram na história. Como ela anda numa fase princesa, minha mãe aproveitou o gancho pra mostrar como elas têm o cabelo lindo… como a Ariel adoooora ficar na água, e por aí vai. E sempre fazendo palhaçada. E não é que deu certo? Ela passou a curtir o banho, brincar com a água e ir sem chorar. Mas pra lavar a cabeça continua o drama.

Um dia, experimentei perguntar se ela queria cobrir o rosto igual ao do bebê que lemos num livro (Tubby, de Leslie Patricelli). E não é que ela aceitou? Isso porque já tinha tentado antes.
Peguei uma toalha qualquer que tinha em casa e expliquei que aquela era a toalha só da Valentina, e que era MÁGICA. Sim, a toalha especial dela, que vai proteger na hora de lavar a cabeça.

Bem, só sei que a tal da toalha tem nos acompanhado firme e forte nos banhos. Agora ela tem até aceitado o shampoo, um rosa das Princesas (claaaaro), fedido pra burro, mas que ela quem escolheu na farmácia.

Mas olha, até chegar onde estamos hoje (dela aceitar o banho foi uma batalha. Meses e meses nessa fase enquanto eu entoava o mantra velho conhecido de qualquer mãe ou pai “ooooohmmmmmm, vai passaaaaaaaaaaar… ooooohhhhmmmmmmm, é só uma faseeeeee”…..

Escola de verdade, mas já?

A Valentina tem 3 anos e 4 meses. É uma “preschooler”, como eles chamam por aqui. Vai pra escolinha, onde fica o dia todo, das 7 da manhã até às 5 da tarde.

Lá, ela passa o dia brincando, correndo, fazendo atividades, aprendendo letrinhas. Almoça, brinca no parquinho, faz a soneca sagrada de todos os dias.

Pela lei, ano que vem ela já começa a escola regular. Vai pro kindergarten no ano em que completa 5 anos. Tudo seria tranquilo se não fosse alguns detalhes: o aniversário dela é só no final do ano, então ela começaria na escola – em setembro – com 4 anos e meio. Só eu estou achando muito pouco pra ficar na escola o dia inteiro (as aulas são das 9:00 às 3:00 da tarde), sem soneca, já alfabetizada?

Fui pesquisar mais sobre isso e descobri que meu distrito escolar (Coquitlam School District – SD43) permite que espere mais um ano para ela começar. E isto é particularmente beneficial para as crianças que fazem aniversário depois de setembro.

Costumo dizer que, se a Valentina tivesse nascido de 40 semanas e 2 dias, ela já seria de janeiro, ou seja, as chances dela ser a mais nova da classe são grandes.
Em março, o  jornal Vancouver Sun publicou uma matéria interessantíssima sobre a ligação entre transtornos de atenção e a idade das crianças. A matéria mostra que, das crianças “diagnosticadas” com ADHD (Attention Deficit and Hyperactivity Disorder) são normalmente as crianças mais novas da turma. Por que? Muito provavelmente porque numa turma onde a diferença pode ser de até um ano, o grau de atenção e concentração pode variar demais.

Como esperar que uma criança de 4 anos e meio tenha o mesmo nível de concentração que o coleguinha que tem quase 6 anos e está na mesma sala? Parece óbvio, mas não é. Muitas crianças começam a escola novinhas e não tem problemas, mas imagino que possa ser a exceção.

Eu mesma fui uma criança adiantada em relação aos meus colegas. No começo, foi fácil, como costuma ser mesmo. Porém, aos poucos, as dificuldades começaram: ficava de recuperação todo ano até que, na 5a. série, repeti. E sinceramente, foi a melhor coisa. Mudei de escola, e não fiquei mais de recuperação até o colegial.

Outra coisa que me preocupa é bullying. Será que o fato dela ser a mais nova da turma não poderia causar problemas com as outras crianças? Ela vai ser mais imatura que os coleguinhas, talvez estes não tenham paciência com ela ou achem-na muito “infantil” pra eles. Tá, são suposições, eu sei. Nada disso pode acontecer, ou pode acontecer mesmo mais tarde, não temos como adivinhar.

Ontem estava lendo uma matéria edição de março da Today’s Parents justamente sobre isso, se era válido esperar mais um ano. E a grande maioria dos pais e especialistas entrevistados concorda que sim, é melhor esperar. Os motivos, além dos já citados, vão da maturidade emocional até a necessidade da soneca à tarde e o estresse de ficar o dia todo na escola, sem descanso. Por outro lado, muitos pais justificam a entrada no kindergarten como um rito de passagem para a “escola de verdade”, na 1a. série. Dizem que o kindergarten é como se fosse uma creche pra crianças maiores, que não há imposições acadêmicas e que, claro, tem o fator econômico, já que os pais economizam na creche (que pode chegar a mais de CAD$1500 por mês aqui em Vancouver).
Claro que o fator dinheiro mexe, e muito, com nossas convicções. Mas é um ano. Não estamos falando de gastar uma fortuna por mais 10 anos, mesmo porque apesar da escola ser gratuita, ainda há o “after school program”, para crianças de até 12 anos, cujos pais trabalham o dia todo e não podem buscá-los às 3 da tarde. E isso também custa dinheiro, na faixa de CAD$400 por mês.
Vou observando a pequena ao longo deste ano e ver como ela amadurecendo. Pode ser que até ano que vem, eu mude de idéia e ache que ela está pronta pra começar a escola “de verdade”…

E a escola?

Com 3 anos, Valentina mudou de escola. Antes, ela ficava em uma creche, que funcionava na casa de uma senhora. Aqui, são chamadas de “home/family daycare”. São licenciadas, seguem toda uma série de regras do governo e são inspecionadas regularmente.

Na creche antiga, eram cerca de 10 crianças, entre 11 meses e 4 anos e meio. Turma mista, multi-série. 2-3 adultos (a dona, uma assistente e uma estudante de pedagogia) pra eles. A sensação é de casa mesmo. Todo mundo se conhece, turma pequena. Quando a Valentina começou lá, aos 10 meses e meio, era a solução ideal. Preço que cabe no bolso (embora caro, claro), um ambiente menor e sem a idéia de “escolinha”, que eu achava muito cedo. As vantagens eram grandes: perto de casa, fornecia toda a comida (de café-da-manhã e lanches ao almoço) e fraldas, então não precisava me preocupar com isso.

Valentina foi crescendo e, claro, super cheia de energia. Eu a pegava quase 6 da tarde e ela ainda a mil por hora, o que me fez pensar que eles não estavam gastando muita energia durante o dia. Juntando a isso, algumas coisinhas foram me incomodando (passeios ao McDonald’s sem avisar antes, foi lá que ela conheceu a pizza, o cachorro-quente e o miojo, alguns desentendimentos com a dona – me fazia sentir uma mãe de primeira viagem que não sabe de nada), e comecei a pensar que estava na hora de mudar.

Em dezembro começamos a adaptação na escola nova. Escolinha de verdade, nos moldes de como conhecemos no Brasil. As professoras são chamadas de Sra. (Miss Emma, Miss Suni e Miss Peache) e não é mais a “tia” (antes era a “tia” Noori). São bastante crianças, 25, o que implica em menos atenção individual e mais independência. Há um projeto pedagógico e tem muuita atividade, desenho, brincadeira livre, fantasia, circle time, passeios, playground. E sem TV (que era outra coisa que me incomodava também).

Tirei o mês de férias para poder me dedicar a isso. Lembro de como foi ruim a adaptação dela na primeira vez – Valentina estava em plena Ansiedade da Separação e eu não soube trabalhar isso direito; foram dois meses até o dia em que ela não chorou pela primeira vez ao deixá-la na creche.

As duas primeiras semanas foram péssimas, com ela chorando mesmo após a gente ficar praticamente a manhã inteira com ela. Depois vieram os feriados de natal e ano-novo e ela só voltou em janeiro. Mais uns dias de choro e no 3o. dia, ela simplesmente olhou pra mim e disse “tchau, mami”. Sem choro nem nada. E desde então tem sido assim, há um mês.

E tenho notado ela mais tranquila, com mais rotina… mais interessada em livros. Toda noite, temos lido de 3 a 4 livros antes de deitar, hábito que ela descobriu na nova escola. Ela mesma diz que gosta da escola. No final do dia, quando vou buscá-la, ela até briga pra não sair de lá (“I want to play with my amigos”). Claro que tivemos uns dois dias de meio-choro (coincidentemente nos dias em que ela não dormiu muito bem, acordou resfriada e de nariz entupido), mas depois passou, do nada.

Com sorte, lá ela ficará os próximos dois anos, pelo menos, até começar a escola “de verdade”…

Essas crianças têm super-poderes ou o quê?

Sexta-feira fomos até Abbotsford. Fica a cerca de uma hora de casa, e é bem mais frio por aquelas bandas do que em Vancouver.

Ganhamos ingressos para ver o espetáculo do Disney on Ice. Este ano o show é do Toy Story 3. Nem preciso dizer que a pequena amou, né?

Pois bem, saí mais cedo do trabalho, para poder estar lá à 6 da tarde e pegar os ingressos. Acontece que ninguém avisou que os portões só abriam às 6:30. E lá ficamos, meia-hora, plantados no frio e esperando os portões abrirem.

Eu, morrendo de frio, e o Kam, morrendo e meio. Valentina? Nem aí.

E a #menasmain aqui esqueceu de levar luvas pra ela. As mãozinhas g-e-l-a-d-a-s, já quase roxas e ela nem tchuns. Até coloquei minhas luvas nela, mas não ficaram nem 5 minutos. Arrancou tudo. E isso, porque nem queria ficar com o gorro.

Alguém me explica que super-poder é esse que essas crianças têm pra não sentir frio?

Frio? Que é isso? Sou canadense, oras!

O desfralde

Primeiro, foi por volta dos dois anos. Comprei um peniquinho, que ela adorava ficar pondo na cabeça. Mas na hora do vamos ver era um tal de tacar o penico pro outro lado do banheiro, dizendo que não queria. Resolvi deixar de lado e esperar o verão, quando ela teria 2 anos e meio.

Chegou o verão e, em agosto, começamos a tentar de novo, com as fraldas pull-ups da Dora e das Princesas Disney. Pra ajudar, comprei outro penico, o das Princesas, todo rosa.

Depois de ler “The No-Cry Potty Training Solution“, da Elizabeth Pantley, vi que ela estava me dando todos os sinais. Comprei alguns livros pra ela também:

O primeiro foi o “Lilly’s Potty“, sobre uma menininha que foge pela casa porque não quer ir ao banheiro, mas que no fim, vai e fica super feliz.

Depois, comprei um outro com fotos de menininhas e penicos/redutores reais. Ela adorou porque tem um monte de  “big girls” dizendo que não usam mais a fralda.

Fomos devargazinho… deixava ela com a pull-ups e alternava com a calcinha, em casa, aumentando o tempo com calcinha. Foi quando notei que ela quase nunca molhava a fralda à noite. Foi o sinal de que ela estava pronta!

De uma semana pra cá, acho que deu um “click” nela e simplesmente aposentamos qualquer fralda ou pull-up, nem pra dormir. E ela fica tão orgulhosa! :razz: :razz:

Agora, estamos saindo de casa sem fralda também. Já fomos no supermercado, sem acidentes! E realmente, quando a criança tá pronta, o desfralde é rápido, simples e não, não é sofrido.

É, minha menininha tá crescendo…..


 



É cada uma…

Cena 1:

Fiz pão de queijo em casa. Valentina, olhando as bolinhas na assadeira, decidiu que eram ovos.
Ela: Ovo!
Eu: Não, Valentina. É pão de queijo, não é ovo.
Ela: Páo queso?
Eu: Isso. Pão de queijo!
Ela: ovo queijo!
Eu: …..

 

Cena 2:

Com a chegada do friozinho, tirei do armário as meia-calças da Valentina, para que ela possa continuar usando os vestidos que tanto adora.

Mostrei pra ela e perguntei o que era isso. Ela disse que era calça.

Eu se não parecia uma meia. Ela olhou e disse “meia”.

Aí expliquei era uma meia-calça. Ela não teve dúvidas: todo dia pede pra pôr a “calça-meia”…. ;-)

Pavor de lavar a cabeça. O quê eu eu faço?

Cá estou eu precisando de ajuda com dona Valentina. De um tempo pra cá (quase 1 ano) tem sido cada vez mais difícil lavar a cabeça dela. Ela simplesmente tem um ataque de nervos toda vez que tento lavar. Não estou falando de manha simples, mas de pavor. Hoje mesmo, foi ela sentir a água encostando no cabelo dela, que ela PULOU da banheira, gritando, chorando muito, completamente agarrada em mim, tentando sair da banheira (escalando a parede). A muito custo consegui acalmá-la, mas não consegui lavar a cabeça. Já tentei um monte de coisas mas nada deu certo:

  • entro na banheira com ela pra tomarmos banho juntas
  • deixo ela lavar a minha cabeça
  • damos banho e lavamos a cabeça dos brinquedos dela
  • mostrei livros sobre o assunto (inclusive um que comprei semana passada sobre um bebê que adora banho mas chora na hora de lavar a cabeça)
  • mostro desenhos e comento quando o personagem favorito dela tá lavando a cabeça
  • uma amiga minha já tentou dar banho

E em todos os casos, só de comentar isso ela já fica completamente tensa, para de falar de falar na hora.

Ela tava dando trabalho pra entrar na banheira, agora melhorou, brinca numa boa no banho. O problema é na hora de lavar a cabeça. Hoje o stress foi tão grande que chorei de nervoso. Não sei mais o que eu faço.

 

UPDATE: Continuamos na mesma. Já tentei de tudo quanto é jeito, chuveirinho, chuveirão, baldinhos, deixar ela mesma molhar, o pai, outro banheiro, outro horário, conversar, mostrar vídeos, música, livros.

Da última vez, ela decidiu molhar o cabelo sozinha. Chorando HORRORES, mas molhou e passou o shampoo. Agora nem isso. Levei na piscina e se divertiu um monte, nem parece a mesma criança. Vai entender?

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