No Brasil

Felicidade de mãe é ver sua filha -que tem pânico de molhar a cabeça e gruda em você numa piscina- finalmente se soltar e se permitir relaxar e descobrir como é bom estar na piscina (com bóia) sem se segurar em ninguém. As risadas de felicidade dela e o orgulho (chamando todo mundo pra ver) vão ficar pra sempre.

Você está gostando tanto, querida. Seu português melhorou um monte, você acorda com um sorriso lindo no rosto, está conhecendo sua família, perguntando pelos tios e primos, se empanturrando de arroz com feijão, morrendo de calor, percebendo as diferenças do português pro inglês…. Acho que essa viagem vai ficar na sua memória pra sempre, né?

Calendário, que é isso?

Ontem estávamos passeando com o Eithor e Valentina notou uma varanda toda decorada pro Halloween.

- Mamãe, look! It’s halloween! It’s scary! – diz ela, brincando.

- É, Valentina, é halloween! Você sabe o que a gente fala no dia do halloween?

Ela gritando mais alto que pode:  - MERRY CHRISTMAS!!

Dia das bruxas, natal, páscoa, é tudo a mesma coisa, né?

Escola de verdade, mas já?

A Valentina tem 3 anos e 4 meses. É uma “preschooler”, como eles chamam por aqui. Vai pra escolinha, onde fica o dia todo, das 7 da manhã até às 5 da tarde.

Lá, ela passa o dia brincando, correndo, fazendo atividades, aprendendo letrinhas. Almoça, brinca no parquinho, faz a soneca sagrada de todos os dias.

Pela lei, ano que vem ela já começa a escola regular. Vai pro kindergarten no ano em que completa 5 anos. Tudo seria tranquilo se não fosse alguns detalhes: o aniversário dela é só no final do ano, então ela começaria na escola – em setembro – com 4 anos e meio. Só eu estou achando muito pouco pra ficar na escola o dia inteiro (as aulas são das 9:00 às 3:00 da tarde), sem soneca, já alfabetizada?

Fui pesquisar mais sobre isso e descobri que meu distrito escolar (Coquitlam School District – SD43) permite que espere mais um ano para ela começar. E isto é particularmente beneficial para as crianças que fazem aniversário depois de setembro.

Costumo dizer que, se a Valentina tivesse nascido de 40 semanas e 2 dias, ela já seria de janeiro, ou seja, as chances dela ser a mais nova da classe são grandes.
Em março, o  jornal Vancouver Sun publicou uma matéria interessantíssima sobre a ligação entre transtornos de atenção e a idade das crianças. A matéria mostra que, das crianças “diagnosticadas” com ADHD (Attention Deficit and Hyperactivity Disorder) são normalmente as crianças mais novas da turma. Por que? Muito provavelmente porque numa turma onde a diferença pode ser de até um ano, o grau de atenção e concentração pode variar demais.

Como esperar que uma criança de 4 anos e meio tenha o mesmo nível de concentração que o coleguinha que tem quase 6 anos e está na mesma sala? Parece óbvio, mas não é. Muitas crianças começam a escola novinhas e não tem problemas, mas imagino que possa ser a exceção.

Eu mesma fui uma criança adiantada em relação aos meus colegas. No começo, foi fácil, como costuma ser mesmo. Porém, aos poucos, as dificuldades começaram: ficava de recuperação todo ano até que, na 5a. série, repeti. E sinceramente, foi a melhor coisa. Mudei de escola, e não fiquei mais de recuperação até o colegial.

Outra coisa que me preocupa é bullying. Será que o fato dela ser a mais nova da turma não poderia causar problemas com as outras crianças? Ela vai ser mais imatura que os coleguinhas, talvez estes não tenham paciência com ela ou achem-na muito “infantil” pra eles. Tá, são suposições, eu sei. Nada disso pode acontecer, ou pode acontecer mesmo mais tarde, não temos como adivinhar.

Ontem estava lendo uma matéria edição de março da Today’s Parents justamente sobre isso, se era válido esperar mais um ano. E a grande maioria dos pais e especialistas entrevistados concorda que sim, é melhor esperar. Os motivos, além dos já citados, vão da maturidade emocional até a necessidade da soneca à tarde e o estresse de ficar o dia todo na escola, sem descanso. Por outro lado, muitos pais justificam a entrada no kindergarten como um rito de passagem para a “escola de verdade”, na 1a. série. Dizem que o kindergarten é como se fosse uma creche pra crianças maiores, que não há imposições acadêmicas e que, claro, tem o fator econômico, já que os pais economizam na creche (que pode chegar a mais de CAD$1500 por mês aqui em Vancouver).
Claro que o fator dinheiro mexe, e muito, com nossas convicções. Mas é um ano. Não estamos falando de gastar uma fortuna por mais 10 anos, mesmo porque apesar da escola ser gratuita, ainda há o “after school program”, para crianças de até 12 anos, cujos pais trabalham o dia todo e não podem buscá-los às 3 da tarde. E isso também custa dinheiro, na faixa de CAD$400 por mês.
Vou observando a pequena ao longo deste ano e ver como ela amadurecendo. Pode ser que até ano que vem, eu mude de idéia e ache que ela está pronta pra começar a escola “de verdade”…

Que língua ela fala?

Essa é uma pergunta que sempre me fazem. A Valentina fala inglês ou português? Fala farsi? Acho que posso dizer que ela fala “valentinês”: é uma mistura de inglês e português que, a primeira vista, soa uma babel de sons.

A primeira língua dela é inglês, sem sombra de dúvida. As frases vêm primeiro em inglês, misturada com palavras em português. Na escola e com o pai, só inglês. Comigo, mistura tudo.
Outro dia, logo após o retorno da minha mãe pro Brasil, ela perguntou pro pai: “daddy, where’s grandma?” e, na mesma hora, virou pra mim “mamãe, where’s vovó?”. A construção é inglês, mesmo que as palavras sejam na língua da mamãe: “I want pôr roupa e go lá fora”.

É um trabalho de formiguinha mesmo… lemos muito em português, coloco músicas brasileiras, vou conversando sempre em português, mas quando ela passa quase 11 horas do dia dela ouvindo inglês, brincando em inglês, interagindo em inglês, é complicado imaginar ou mesmo supor que o português fosse a primeira língua. Outro dia, ela brigou comigo quando perguntou o que era tal parte do corpo. Eu disse que era cotovelo e ela retrucou com um “não, mami, it’s elbow!”. Expliquei que era elbow em inglês e cotovelo em português. Se ela entendeu? Não sei.
Estou começando a mostrar que existem duas línguas: inglês, que ela conversa com o mundo, inclusive o pai, e português, que é a língua da mamãe.

Não sei se é cedo pra isso, afinal, ela só tem 3 anos, mas confesso que a “predileção”, ainda que naturalmente esperada, pela outra língua chateia um pouquinho. É o lado afetivo do idioma, como a Flávia bem descreveu. É a minha cultura, minha vida, como eu me conheço.

Passo boa parte do dia falando em português, escrevendo em português que, quando vejo minha filha brigar que não é cotovelo, é elbow, me acende a luzinha vermelha. Já pensou ir pro Brasil e ela não entender os tios, os primos, a avó?

Já com farsi, vejo que ela entende alguma coisa e fala uma ou outra palavra. Marido não faz tanta questão que ela seja fluente quanto eu, então fala com ela em farsi mas não sempre. Na maioria das vezes, é em inglês mesmo. Ele mesmo decidiu que é “uma língua muito complicada”.

Estou aproveitando que ela está na fase dos “porquês” e de querer saber o que é tudo. Não basta dizer que o objeto tal é uma cadeira, tenho que explicar que aquele negocinho ali embaixo é o parafuso que segura a rodinha pra fazer a cadeira deslizar.

Me pego pensando nas palavras, em como explicar de modo que ela entenda e, ao mesmo tempo, dando a oportunidade de introduzir novas palavras no vocabulário dela. Às vezes, vejo que ela não entendeu tal coisa e preciso repetir tudo em inglês. E depois repito mais uma vez em português. Se ajuda eu não sei, mas acabou que virou um hábito de sempre que falo algo em inglês com ela, repito a mesmíssima coisa em português.

Acho que só o tempo vai dizer se estou acertando nisso ou não. Espero que sim.

É cada uma…

Cena 1:

Fiz pão de queijo em casa. Valentina, olhando as bolinhas na assadeira, decidiu que eram ovos.
Ela: Ovo!
Eu: Não, Valentina. É pão de queijo, não é ovo.
Ela: Páo queso?
Eu: Isso. Pão de queijo!
Ela: ovo queijo!
Eu: …..

 

Cena 2:

Com a chegada do friozinho, tirei do armário as meia-calças da Valentina, para que ela possa continuar usando os vestidos que tanto adora.

Mostrei pra ela e perguntei o que era isso. Ela disse que era calça.

Eu se não parecia uma meia. Ela olhou e disse “meia”.

Aí expliquei era uma meia-calça. Ela não teve dúvidas: todo dia pede pra pôr a “calça-meia”…. ;-)

Novidades e dicas sobre o sistema de saúde em BC

No Brasil, ao fazermos exames laboratoriais, o paciente normalmente é o responsável por pegar os resultados e levar ao médico.

Aqui é diferente. Você vai, faz seu exame de sangue e se algo der diferente, o médico vai te ligar pra marcar horário. Se ninguém te ligar é porque deu tudo normal.

Até pouco tempo atrás, nós, pacientes, não tínhamos acesso aos exames. Ficava tudo nas mãos do médico. Agora tem uma opção

A empresa que disponibiliza os dados eletronicamente para os médicos, abriu essa opção para os pacientes. Como funciona? É simples.

Após sair do laboratório (num prazo de até 10 dias após o exame), você vai no site deles (my ehealth.com), e preenche os dados necessários. É preciso ter o cartão de saúde (carecard number) e endereço válido.  Eles vão te enviar, por correio, a senha para terminar o cadastro.

Uma vez com o cadastro pronto, você recebe seus exames de sangue em tempo real no site deles. Eu fiz um de manhã e a tarde já tinham os resultados postados. Dá pra salvar e imprimir, permitindo um maior controle da sua saúde, principalmente pra quem depende dos médicos nas walk-in clinics (onde o médico pode mudar a qualquer hora).

Outra dia importante é pra exames de imagens. Em qualquer hospital aqui, ao fazer seu raio-x, ressonância, é possível pedir cópia do relatório e das imagens. Normalmente não há custo ou só o custo do correio. Se preferir, dá pra pegar lá no hospital mesmo e leva cerca de 1 semana pra ficar pronto.

O mundo é dos ouvintes

Acho que todo mundo sabe que sou deficiente auditiva, né? Não escuto do lado direito e uso aparelho no ouvido esquerdo.

Pois bem, depois de muito tempo, posso dizer que sou resolvida com isso. Não me importo em pedir pra pessoa falar mais alto ou ter que explicar o porquê do aparelho.

Mas recentemente algo quase me tirou do sério.
Comprei um celular novo, que veio com fone de ouvido pra usar no carro. É ótimo pois dá pra dirigir sem precisar ficar fazendo malabarismo pra ficar segurando o telefone. O único problema é que toda vez que ia usar o tal do fone, tinha que tirar meu aparelho.

Apesar de ouvir sem ele, não é um boa opção pois escuto BEM MENOS, obviamente. E quando estou dirigindo então, preciso usar pra poder prestar atenção direito no trânsito.

Comecei, então a pesquisar sobre algum fone bluetooth que fosse compatível com o aparelho.
Gente, que dificuldade! Não existe mercado pra isso, simplesmente. Praticamente TODOS os aparelhos são para serem encaixados dentro da orelha, como earphones:

iphone-bluetooth-headsetUm bluetooth assim não me adianta em nada, pois pra poder usar terei o mesmo problema do fone de ouvido, tenho que tirar o aparelho já que dois corpos não ocupam o mesmo espaço, certo? Fui em várias lojas e ninguém sabia me dizer. Chequei no site do Western Institute for the Deaf & Hard of Hearing, onde comprei meu aparelho, e lá só tinha informação para quem é totalmente surdo, o que não é meu caso…

Foi quando achei esse modelinho da Nokia depois de mais de um mês de procura.  O que me chamou atenção, de cara, foi que o fonezinho não entra na orelha, mas fica bem próximo.  Como o vendedor me garantiu que eu poderia retornar caso não gostasse, resolvi arriscar. E não é que deu certo? Agora consigo usar o aparelho auditivo e o bluetooth, principalmente no carro e minha vida ficou MUITO mais fácil, já que não preciso desligar porque tenho que descarregar o carro com as coisas da Valentina ao chegar ou sair de qualquer lugar…

nokia-bh-804_headsetNa foto não dá pra ver muito bem, mas ele não é que nem os fones de ouvido comuns, que se coloca dentro da orelha. Ele fica na entrada da orelha e é bem confortável de usar.

Pra quem tiver na mesma situação, fica aí a dica…

As primeiras papinhas

Depois de ler este post ótimo da Ana, me deu vontade de contar como está sendo a introdução da baixinha ao mundo dos alimentos sólidos.

Valentina e a papinha

"A batata-doce dá uma ótima máscara pro rosto, viu mãe?"

Fui na consulta dos 6 meses, peguei muito material pra ler e resolvi criar coragem. Mãe de primeira viagem é sempre assim, né? Quer fazer tudo perfeito e sempre acha que tá fazendo tudo errado….

Bom, fui atrás dos presentes do chá-de-bebê: pratinho, colher, até uma esteirinha emborrachada (essa tá na caixa ainda, calma!). Pus o babador nela e a coloquei no cadeirão. Picture perfect moment.
Aqui os médicos recomendam cereal de arroz por ser mais fácil de digerir, mas lembrando do Mucilon, não quis dar não. Se agi certo ou não, só o tempo mesmo.

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"Quero mais, quero mais, quero mais!"

Resolvi dar maçã. A careta que ela fez foi de rachar o bico. Até arrepiou, tadinha. Não insisti, depois de duas ou três colheradas e um chorinho, resolvi deixar pra depois. Ela ainda tinha aquele reflexão de pôr tudo pra fora com a língua…

Dois dias depois, catei o Kam e resolvemos dar outra coisa pra ela: batata-doce.
E não é que a menina AMOU? Comeu um mooooonte de batata-doce e nem passou mal! Não só reclamou quando parei como ainda tomou a mamadeira inteirinha, de 210ml! :shock:

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"Achei que era pra comer O prato, não NO prato..."

Claro que mamãe precavida aqui, já tirou o babador e a roupa. Afinal, bagunça com comida é muito mais gostoso pelada, né? rs rs rs

Depois dessa aventura gastronômica, fui introduzindo outras comidinhas. Banana amassada, kiwi, abóbora (outro sucesso de público), ameixa (perfeito pra ajudar no intestino dela, que anda meio preso).

Ela experimentou frango na 6a. passada, mas não deu certo não. Ela fez ânsia de vômito e não insisti. Resolvi esperar mais algumas semanas pra tentar de novo.

Mas notei que a baixinha prefere legumes a frutas. Hoje, por exemplo, comeu feijão verde. Adorou. O kiwi, em compensação tá lá na geladeira há uns dois dias….

Comprei uns dos livros que a Ana sugeriu, o “Blender baby foods”, que dá bastante sugestão de papinhas, dividido por mês. Fiz cenoura aqui em casa. Cozinhei 2 cenouras no vapor e depois bati no processador com água (difíciiiiiiiiiil:lol:).

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A papinha de cenoura no cubo. Nada mal, né?

Coloquei nos cubinhos de gelo e aí é só tirar e descongelar pra ela comer. Dizem que 1 cubo é suficiente pro começo, né? Pois é, no caso da esfomeada aqui, uns 2 cubos, no mínimo!

Mas uma coisa eu não deixei de reparar: as papinhas industrializadas daqui são beem diferentes das do Brasil. Além da papinha orgânica não ser tão mais cara que a normal, não vai sal, óleo, química, nada. É o legume e água, só. Por $0,89 (ou até menos) até ótimo, né? Duas únicas desvantagens, ao meu ver: não é a mesma coisa de uma papinha feita na hora, claro, e não dá pra brincar com a textura como podemos fazer com a comida feita em casa.

Com as papinhas de frutas é a mesma coisa. É a fruta e água. Alguns têm açúcar e outras porcarias, mas são os desserts, as sobremesas que, sinceramente, acho que não faz a menor falta, não é mesmo?

Notei que todas as papinhas no Brasil têm sal ou açúçar, mesmo que em quantidades mínimas. Uma amiga minha comentou que a sobrinha, acostumada às papinhas da Nestlé no Brasil, odiou as papinhas nos EUA, da Heinz ou Gerber (as mesmas que têm aqui no Canadá), provalvemente por não ter tempero nenhum.

Aos poucos, vou criando coragem e fazendo mais coisas de próprio punho. Até comprei abobrinha pra fazer, rs. Quando chegar na parte de pôr temperos é que eu quero ver, pois sou uma estabanada pra pôr sal e não sei usar temperos direito (só fico no cheiro-verde, sal e pimenta-do-reino, alho e cebola, o básico, né?)

Por que querem que o bebê cresça tão rápido?

Começou de maneira inocente: “Ela tá com cólica, só pode. Tem que dar chazinho”, com 1 semana de vida. Depois, “Ela já dorme a noite toda?”, com 1 mês.

A cada conquista da baixinha, uma pergunta a mais. Quando ela começou a firmar a cabeça, “já tá sentando sozinha”. Quando começou a dormir mais, “já sabe dormir sozinha?”. Quando fez 4 meses, “já começou a dar papinha?”.

E por aí: “Ela já rola?”, “ela já come? “, “já deu papinha, chazinho, suquinho?”.

Às vezes fica parecendo que o bebê não pode ser bebê. Tem que ser como um filhote de cavalo que, ao nascer, já sai correndo com as próprias pernas. Esquecem que o bebê – humano – é único. É totalmente dependente e seu desenvolvimento leva um tempo. Não dá pra esperar que um bebê durma a noite toda ou siga uma rotina quando é recém-nascido. Fisiologicamente é impossível para eles (se você tivesse um estômago menor que uma uva, também iria acordar a cada 2 horas pra comer, né?).

Todo mundo diz, “aproveita que ela cresce rápido”, “aproveita enquanto ela ainda é pequena”, mas ao mesmo tempo, parece que todos querem que ela cresça antes do tempo. Com 4 meses, tem que comer, beber outras coisas além de leite (seja materno ou fórmula), rolar, sentar sozinha, dormir a noite toda, aprender que “manha não funciona” (como se um bebê dessa idade soubesse o que é isso), ser independente e não ficar grudado no colo. Ah, não esqueça da r-o-t-i-n-a. Sim, bebê que se preze tem que ter rotina antes de sair da maternidade “senão a mãe fica escrava das manhas”.

Aos poucos, vamos aprendendo a criar filtro e eliminando as intromissões desnecessárias.

Apesar de tudo isso, o bebê cresce, claro. Valentina fez 4 meses, tá ficando cheia de dobrinhas, cada dia mais esperta. Mas claro, não basta rolar de um lado. TEM que rolar dos dois lados, “como assim ainda não rola?”.

Minha filha tem seu tempo. Ela segura a cabeça sozinha e super bem, tá sentando com pouquíssimo apoio, sorri pra todo mundo, tá virando (DE UM LADO), segura os brinquedos, sabe que vai comer ao ver o babador, ajuda a segurar a mamadeira ou o peito, está dormindo de 7 a 9 horas seguidas à noite, presta atenção na conversa, fica tagarelando -do jeito dela- o dia todo, adora banho e mais um monte de outras coisinhas lindas que aparecem a cada dia.

Mas isso tudo não é o suficiente. “Será que ela vai falar cedo?”, “ela vai engatinhar logo”, “os dentinhos estão nascendo, olha a baba”, “já tá na hora de dar suco pra essa menina”. Para quê tanta pressa, eu pergunto?

Quando for a hora ela vai engatinhar, andar, falar, ter dente, comer comida. E eu quero aproveitar cada minutinho dessa vidinha tão nova. Me maravilhar com o presente, ver cada conquista da baixinha. Acertar o alvo ao tentar pegar o brinquedo, sentar. Coisas tão banais para nós, adultos, e tão árduas para eles.

Valentina tá crescendo :cool:. Tenho já saudades de quando ela era recém-nascida. Cada choro, movimento, minuto, tentando descobrir quem ela era. Mas estou vendo a pequena se desenvolver, ganhar peso, ficar cada dia mais “conectada” à nós. Sei os seus choros, sei quando é fome ou sono. Ou apenas cansaço ou querendo fazer algo diferente (como sentar!). Como é bom acordar de manhã e ser recebida com um sorriso tão inocente!

Sim, ela vai fazer tudo o que me perguntam hoje. Quando? Não sei. Em 1 mês, em 6 meses, quem sou eu para forçar o crescimento dela?

Por que querem que o bebê cresça tão rápido? Aparentemente porque, segundo alguns, bebês não podem ser bebês. São mini-adultos que têm que “entrar na rotina da casa” desde cedo, não podem fazer manha, devem ser deixados chorando para aprender a dormir sozinhos e por aí vai.

Um bebê é só um bebê. Ou alguém já viu algum adolescente chorando desconsolado porque os pais resolveram ir ao cinema num sábado à tarde? Ou um universitário usando fraldas, mamando e usando chupeta? :wink:

Mãe, eu ainda vou ser maior que você, viu?

Mãe, eu ainda vou ser maior que você, viu?

Finalmente, a carteira de motorista

Pra quem me conhece, sabe que eu fiz a prova prática 5 vezes. Pois é, tudo isso. Obviamente, faltou um pouco de empenho/conhecimento/paciência da minha parte. Mas o teste é chato.

Acho que muuuito tempo atrás, fiz um post sobre como tirar a carteira de habilitação aqui em BC.

Vamos começar de novo?

A carteira brasileira, posso usar?
Sim, com algumas observações:
1) Residentes permanentes podem dirigir usando a CNH durante os 3 primeiros meses após a chegada.
2) Turistas, estudantes, trabalhadores (vistos temporários) podem usar a CNH por 6 meses.

Já estou aqui há mais de 3 meses, o que tenho que fazer?
A primeira coisa é se dirigir à um escritório do ICBC (Insurance Corporation of British Columbia), que é o departamento responsável pela emissão das carteiras.
De posse de 2 identificações (passaporte e PR card, por exemplo), você apresenta a CNH brasileira. Se tiver sorte, como eu, não haverá necessidade de tradução nem legalização da carteira. Você vai receber um livro (“Roadsense for drivers) sobre as regras de direção daqui. Recomendo ler pois tem muita coisa bem diferente do Brasil.
Se tudo tiver ok, você poderá fazer o teste teórico (knowledge test). Não precisa marcar horário e o valor é de CAD$15. Para passar é necessário ter 80% de acertos. Uma coisa muito boa é fazer o simulado online, no próprio site do ICBC.  Pode fazer quantas vezes quiser.
No dia da prova, caso você passe, eles retêm a sua CNH e só devolvem quando você for aprovado no teste prático. Você recebe uma carteira provisória, que te permite dirigir com outro motorista habilitado acompanhando.

Depois de passar, você já pode marcar o teste de direção. Mas aí que vem a parte chata da história.
Muitas regrinhas são diferentes para nós, como o shoulder check (virar o rosto antes de mudar de faixa ou virar à direita), virar à esquerda nos cruzamentos, entrar em rodovia. Além do limite de velocidade, que é bem mais baixo do que eu pelo menos estava acostumada em São Paulo (50km/hr para grande parte, 30km/hr para áreas escolares, 90km/hr na rodovia.

Nas duas primeiras vezes que fiz o road test, não estava preparada. Faltou treino, confiança e maior conhecimento das regras daqui. Acabei desencanando, minha carta provisória venceu e não pensei mais no assunto até engravidar.

Ano passado enrolei até onde pude e no final do ano passado resolvi levar a sério.

Passei no knowledge test e antes de marcar o road test, decidi que faria aulas. Peguei essa empresa, Valley Driving School, fiz o teste 2x com eles. Não gostei muito do instrutor, deu cano algumas vezes e não tinha muita didática pra ensinar. Como não conhecia ninguém mais fiquei. Após ser reprovada pela 2a. vez com eles fui atrás de outro professor.

Na Associação de Brasileiros tinha o cartão deste outro instrutor. Descobri que a Lucy, minha vizinha, fez aula com ele e passou. Ela gostou bastante dele e resolvi tentar.

Gostei muito dele. Simpático, paciente e explicou direitinho o que eu tinha que fazer, onde estava errando e porquê. Fiz 2 horas de aula no sábado e mais 3 horas antes da prova. Deu certo! :grin::mrgreen:A prova em si foi bem tranquila (talvez por eu estar mais tranquila também) e não tive maiores dificuldades. Agora outra amiga minha, a Marcella tá fazendo aula com ele e vai passar, sim, com certeza. Para fazer a prova, o valor é de CAD$50 e em caso de reprovação, tem que esperar 15 dias pra poder fazer de novo. Caso você passe, o valor da carta é de CAD$31. A carta será válida por 2 anos, por ser a primeira e depois basta renovar e então, ela será válida por 5 anos.

Depois que passei, voltei no escritório do ICBC onde estava a minha CNH e já peguei de volta. Agora posso também dirigir no Brasil, sem problemas.:grin::razz:

Pra quem está tirando a carteira canadense em Vancouver e região, segue o contato dele:
Maurício García (mexicano) – 604-451-7441 ou 604-3347

Uma bela surpresa

Hoje eu vi um dos vídeos com uma das vozes mais lindas que já ouvi. Talvez alguém aqui já tenha ouvido falar nela.
Susan Boyle, participante do reality show Britain’s Got Talent. Baixinha, 47 anos, cabelos grisalhos e desajeitada. Essa foi a primeira imagem, que levou a platéia e os jurados às risadas.
Todo mundo crente que ela faria um papelão.
Até começar a cantar “I dreamed a dream” do musical Les Miserables. Meu queixo, assim como de todos os mais de 11 milhões de visitantes, foi lá pra baixo. Que voz é essa?? Lindo! E a reação dos jurados não podia ser melhor… never judge a book by its cover….

http://www.youtube.com/watch?v=9lp0IWv8QZY

Um update rápido…

Quando que mencionei que a baixinha tava com mais de 5kgs, eu não imaginava que eram quase 6kgs! :shock:

Levei-a pra pesar hoje: 5,660grs ou 12lbs 7oz. Bem que eu achei que ela tava mais pesadinha……:razz:

Mamãe canguru (ou “reaprendendo a andar pela cidade”)

Já que ainda não tenho carteira de motorista, tenho que depender de ônibus pras minhas bateções de perna com a Valentina. Alguns lembram do rolo que foi logo na primeira vez, né?

Bom, depois disso resolvi que não vou mais pegar aquela linha se o ônibus for do modelo antigo, com degraus. Tem certas coisas que não dá pra estressar. Nisso eu tenho duas opções: pegar outra linha que me deixa no skytrain ou carregar a baixinha no canguru.

Semana passada experimentei a façanha. Fui até downtown visitar uma amiga e carregando a Valentina a tiracolo, literalmente. Apesar do cansaço depois, até que é gostoso ir com ela agarradinha. :-)

Agora, uma coisa que eu notei: o quanto um bebê faz com as pessoas sejam mais educadas. Quando estava grávida, muito raramente alguém me dava lugar. Com o carrinho, então, o povo até faz careta porque tem que levantar dos bancos especiais. Agora, com o canguru, todo mundo queria me dar lugar. Ônibus lotado (quem conhece a linha #22 MacDonald sabe do que estou falando) e várias pessoas (até uma velhinha!) levantaram-se pra me dar lugar.

Pra compensar, hoje que eu queria ter ido de canguru, não deu, pois ia me encontrar com o Kam no final do dia pra voltarmos de carro. Mas eu juro que nunca desejei tanto não usar o carrinho…. pra começar o elevador estava travado pois tinha gente se mudando. Lá vou eu deixar o carrinho em casa, descer as escadas, procurar a mulher, subir de novo, pegar o carrinho pra perder o ônibus por 1 minuto. Passa o segundo ônibus: é dos antigos, raios. Espera mais um. Finalmente. Consegui chegar no skytrain. Quase chegando em downtown, entra um pai com duas crianças, sendo que o mais novo estava dentro do carrinho IMENSO (sabe aqueles de 3 rodinhas? Imagina a versão monster daquilo) que só fazia atravancar tudo. Chego na Granville Station e onde raios é o elevador? Lááááá do outro lado e vou ter que dar a volta no quarteirão depois. Ai.

Tô no shopping, já visitei as lojas que eu queria mas aí resolvi dar uma passada na loja da Apple. Coisa simples, só que fica no 2o. andar. Cadê elevador? Taca procurar elevador que, claro, tava lááááááááá do outro lado também….

Amanhã quero ir na Toys’r'Us e vou de canguru, tá decidido. Não tô afim de me estressar procurando ônibus decente, nem nada…

Há dois meses atrás….

Já se passaram 2 meses desde que você nasceu. Um dia eu ainda estava imaginando como você seria e hoje te vejo aqui, crescendo, ganhando peso, mostrando sua personalidade forte (já sei o que me espera!).

Você sabe o que quer, quando quer. E se não tem na hora, temos uma sirene de ambulância aqui em casa. Às vezes, é um choro bem bravo, de raiva mesmo. Às vezes, é um chorinho miado mas tão infeliz que preciso até tirar foto da careta que você faz. Mas não, não te deixo chorando não.

E nem disso eu posso reclamar. Você chora pra dizer o que quer, mas não fica horas a fio chorando e tem um ótimo humor. Quer dizer, quando não tem fome nem sono, claro.

Você está sorrindo mais, reconhecendo nossas vozes, mostrando alegria. Tem até uma tentativa de rir mas que ainda não sai. Logo logo, Valentina, logo logo.

Você normalmente acorda às 3 da manhã e depois só às 6. Aí você fica comigo na cama, depois que seu pai saiu pra trabalhar.

Já descobriu que bater perna na rua é tudo de bom e nunca reclama quando te coloco no carrinho. Já pegamos ônibus, trem, skytrain, já andamos horas no frio, na chuva, no sol. Mal posso esperar o verão. Aí é que a gente não pára em casa mesmo, né?

Você está começando a criar a sua própria rotina, quase como um relóginho, acordando a cada 3 horas pra comer.  O único problema é pra voltar a dormir a cada 3 horas, rs. Tem dias que você vai lindamente e só acorda uma vez pra mamar, às 3 da manhã. Em outros, como na noite retrasada, você acorda a cada meia-hora, quer comer a cada 10 minutos e não tem santo que te faça dormir. E não, você não fica chorando [muito].

Hoje vamos no posto de saúde e você vai pesar e tomar as suas primeiras vacinas. Já vi que vou morrer de pena do seu choro na hora. E sei que vai ser um choro bravo, como quem diz, “eu odeio isso. Estava quentinha no meu carrinho, dormindo, balançando e aí vocês me acordam pra me espetar”….

Agora estamos planejando a sua primeira viagem de avião. Quando vai ser? Ainda não sabemos, mas logo logo!

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5 semanas – e o tempo passa!

Parece que foi ontem que eu postei da última vez. Valentina é uma bebê bem calma, dorme bem e só chora quando tá com fome ou sono (toc toc toc!), mas sendo que ela tá sempre com fome, então acabo ficando super atarefada.

Minha mãe veio no natal e foi embora na semana passada. Foi muito rápido e pena que não deu pra aproveitar tanto com aquele monte de neve que desabou por aqui. Óbvio que já avó-coruja e está morrendo de saudades da netinha. Pra ajudar, tento tirar o máximo possível de fotos. E cada segundo é um motivo para uma foto diferente. Um suspiro, um bocejo, a perna esticada, a mão no rosto, dormindo com um sorriso na cara (deve estar sonhando com leite, só pode!).

Eithor já está super protetor com ela. Quando o choro começa, ele é o primeiro a chegar perto dela, como quem diz “fica fria que eu te ajudo!”. E não desgruda do lado dela. Ele ainda não entendeu muito bem o que está acontecendo mas sabe que é importante.

Valentina e Eithor

No quesito sono, não posso reclamar pois por enquanto o Kam tem acordado à noite pra ficar com ela. Sei que a partir da semana que vem já não vai ser tão fácil pois ele volta a trabalhar e é claro que não vou deixá-lo acordar a cada 2-3 horas à noite, sendo que ele tem que acordar às 5h30 da manhã pra ir pro trabalho. De alguma maneira a gente se resolve, afinal, todos os casais que eu conheço sobreviveram (ou quase) pra contar a história.

Ela ganhou peso e hoje está com 3,50kg, praticamente 1kg a mais de quando saiu do hospital. E cresceu 4cm, ou seja, logo logo ela me passa (e aí minha mãe me interrompe dizendo que não precisa muito pra me passar…só 1 metro!). O cabelo está clareando e há controvérsias sobre com quem você se parece mais, eu ou o Kam, que jura que ela é cópia de mim e eu vejo muito dele nela….acho que só o tempo pra dizer. A grande dúvida agora é a cor dos olhos. Cada dia tá de um jeito: cinza, azul-acizentado, castanho-claro, castanho-acizentado. Que cor a gente pôe no pedido do passaporte? :-D

A midwife acha que ela não tem ganhado peso suficiente então tive que aumentar a quantidade de fórmula, infelizmente. Estava deixando somente à noite, quando o Kam fica com ela, e tentando amamentar ao máximo durante o dia. Amanhã vou tentar contactar o pessoal da La Leche League para uma orientação porque é muito ruim esta sensação de não poder dar o que a bebê precisa.

Semana que vem temos a última consulta com a midwife e, depois disso, volto para a minha médica de família. Embora as minhas midwifes sejam as mesmas que ficaram com a Ana, acho que tivemos experiências diferentes e confesso que fiquei um pouco desapontada pois esperava mais, pelo menos com uma delas, a Annie (que foi quem fez o parto). Estava torcendo para que fosse a Ruth mas não era dia de plantão dela. Acho que o que foi mais desgastante para nós não foi nem a questão do parto, mas o fato de ela ter se recusado a ir até a minha casa na 1a. semana pois era muito longe pra ela. Óbvio que o fato de que eu tive que sair de casa com a Valentina com apenas 4 dias de vida (e eu com muitas dores da laceração e dos pontos) embaixo de um frio absurdo (consegui que fosse o dia mais frio de Vancouver dos últimos não-sei-quantos-anos) de menos 15 graus não conta nada, né? :-X

No hospital também foi muito chato pois ela veio pra começar a indução, voltou pra casa, veio à noite quando pedi uma epidural (pois a dor estava absurda), voltou pra casa novamente e só apareceu depois da 1h30 da manhã quando eu já estava com dilatação completa. O Kam ficou passado, pois se era pra ser assim, qual a diferença para um obstetra (que aliás, foi o que fez o parto efetivamente, pois precisei de fórceps)? Quando estava tentando amamentar a Valentina, tive muita dificuldade no começo e ela até ajudou. 5 minutos. Quando questionei alguma coisa que ela sugeriu, tive que ouvir “se você quiser que eu ajudo, eu ajudo, mas se não, vou embora já que não tenho nada mais pra fazer”. Pena que eu estava exausta, passada, com efeito da medicação e sem conseguir pensar direito, porque senão tinha falado um monte. Que raiva na hora!

Em compensação, quando fui na consulta com a outra midwife, a Ruth, foi outra coisa, mil vezes melhor. Ela sentou comigo, mostrou onde eu estava errando, deu sugestões e ouviu meus desabafos. Não podia ser assim sempre?

Valentina

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