E a escola?

Com 3 anos, Valentina mudou de escola. Antes, ela ficava em uma creche, que funcionava na casa de uma senhora. Aqui, são chamadas de “home/family daycare”. São licenciadas, seguem toda uma série de regras do governo e são inspecionadas regularmente.

Na creche antiga, eram cerca de 10 crianças, entre 11 meses e 4 anos e meio. Turma mista, multi-série. 2-3 adultos (a dona, uma assistente e uma estudante de pedagogia) pra eles. A sensação é de casa mesmo. Todo mundo se conhece, turma pequena. Quando a Valentina começou lá, aos 10 meses e meio, era a solução ideal. Preço que cabe no bolso (embora caro, claro), um ambiente menor e sem a idéia de “escolinha”, que eu achava muito cedo. As vantagens eram grandes: perto de casa, fornecia toda a comida (de café-da-manhã e lanches ao almoço) e fraldas, então não precisava me preocupar com isso.

Valentina foi crescendo e, claro, super cheia de energia. Eu a pegava quase 6 da tarde e ela ainda a mil por hora, o que me fez pensar que eles não estavam gastando muita energia durante o dia. Juntando a isso, algumas coisinhas foram me incomodando (passeios ao McDonald’s sem avisar antes, foi lá que ela conheceu a pizza, o cachorro-quente e o miojo, alguns desentendimentos com a dona – me fazia sentir uma mãe de primeira viagem que não sabe de nada), e comecei a pensar que estava na hora de mudar.

Em dezembro começamos a adaptação na escola nova. Escolinha de verdade, nos moldes de como conhecemos no Brasil. As professoras são chamadas de Sra. (Miss Emma, Miss Suni e Miss Peache) e não é mais a “tia” (antes era a “tia” Noori). São bastante crianças, 25, o que implica em menos atenção individual e mais independência. Há um projeto pedagógico e tem muuita atividade, desenho, brincadeira livre, fantasia, circle time, passeios, playground. E sem TV (que era outra coisa que me incomodava também).

Tirei o mês de férias para poder me dedicar a isso. Lembro de como foi ruim a adaptação dela na primeira vez – Valentina estava em plena Ansiedade da Separação e eu não soube trabalhar isso direito; foram dois meses até o dia em que ela não chorou pela primeira vez ao deixá-la na creche.

As duas primeiras semanas foram péssimas, com ela chorando mesmo após a gente ficar praticamente a manhã inteira com ela. Depois vieram os feriados de natal e ano-novo e ela só voltou em janeiro. Mais uns dias de choro e no 3o. dia, ela simplesmente olhou pra mim e disse “tchau, mami”. Sem choro nem nada. E desde então tem sido assim, há um mês.

E tenho notado ela mais tranquila, com mais rotina… mais interessada em livros. Toda noite, temos lido de 3 a 4 livros antes de deitar, hábito que ela descobriu na nova escola. Ela mesma diz que gosta da escola. No final do dia, quando vou buscá-la, ela até briga pra não sair de lá (“I want to play with my amigos”). Claro que tivemos uns dois dias de meio-choro (coincidentemente nos dias em que ela não dormiu muito bem, acordou resfriada e de nariz entupido), mas depois passou, do nada.

Com sorte, lá ela ficará os próximos dois anos, pelo menos, até começar a escola “de verdade”…

Feliz Ano Novo!!

Dando tchau pros dias cheios de “Valentina”

Na 2a. feira, a baixinha começa o daycare. Enquanto ela brinca aqui na sala, sem desconfiar, meu coração tá pequenininho.

Embora todos digam que vai ser bom pra ela, que ela vai adorar, que se adapta rápido, eu fico aqui pensando. Será que vão saber dar a comida dela direitinho? Será que ela vai conseguir dormir com outras crianças, num berço estranho? Será que vão saber consolá-la quando chorar como só eu sei fazer, cantando Ursinho Pimpão? Será? Será?

Vejo as outras crianças da creche e vejo que estão bem, felizes. A dona parece ser bem gente boa, com experiência e tals. Mas mesmo assim, acho que é natural que fiquemos tão ansiosos/apreensivos/tristes e não sei mais que outras palavras pra descrever.

Serão duas semanas de adaptação antes de eu voltar ao trabalho. Adaptação pra ela e pra mim. No primeiro dia, o Kam vai junto e ficaremos só um pouco, não quero que ela fique o dia todo já de uma vez. Aos poucos, ela vai ficando mais e mais, conforme ela se acostuma com o ambiente novo. E já tô preparando A MALA de coisas que tem que levar: cobertor, lençol, 2 mudas de roupa, sapato pra ficar lá dentro, sapato pra ficar lá fora, roupa de chuva, fraldas, lenço umidecido, mamadeira, fórmula, comida, toalha e mais um monte de outras coisas que eu não lembro agora.

Estou tentando me animar mas é duro de lembrar que não terei mais dias cheios de Valentina. Colocar ela pra fazer a soneca da manhã (e eu ter a minha soneca junto). Dar almoço, levar pra passear, soneca da tarde, brincadeiras, ajudá-la a andar… agora só as finais de semana. Não é justo de repente, uma relação que era 24hrs passar pra 4hrs… vou deixá-la às 7 da manhã pra buscá-la às 5 da tarde. Ou seja, é chegar em casa, banho, brincar um pouco, comer e dormir. Acabou meu dia com ela. :cry:

Ela tá quase andando, segura nas minhas mãos e vai dando os passinhos desajeitados. Será que vou ver seus primeiros passinhos de verdade ou vai ser alguém do daycare?

Por que querem que o bebê cresça tão rápido?

Começou de maneira inocente: “Ela tá com cólica, só pode. Tem que dar chazinho”, com 1 semana de vida. Depois, “Ela já dorme a noite toda?”, com 1 mês.

A cada conquista da baixinha, uma pergunta a mais. Quando ela começou a firmar a cabeça, “já tá sentando sozinha”. Quando começou a dormir mais, “já sabe dormir sozinha?”. Quando fez 4 meses, “já começou a dar papinha?”.

E por aí: “Ela já rola?”, “ela já come? “, “já deu papinha, chazinho, suquinho?”.

Às vezes fica parecendo que o bebê não pode ser bebê. Tem que ser como um filhote de cavalo que, ao nascer, já sai correndo com as próprias pernas. Esquecem que o bebê – humano – é único. É totalmente dependente e seu desenvolvimento leva um tempo. Não dá pra esperar que um bebê durma a noite toda ou siga uma rotina quando é recém-nascido. Fisiologicamente é impossível para eles (se você tivesse um estômago menor que uma uva, também iria acordar a cada 2 horas pra comer, né?).

Todo mundo diz, “aproveita que ela cresce rápido”, “aproveita enquanto ela ainda é pequena”, mas ao mesmo tempo, parece que todos querem que ela cresça antes do tempo. Com 4 meses, tem que comer, beber outras coisas além de leite (seja materno ou fórmula), rolar, sentar sozinha, dormir a noite toda, aprender que “manha não funciona” (como se um bebê dessa idade soubesse o que é isso), ser independente e não ficar grudado no colo. Ah, não esqueça da r-o-t-i-n-a. Sim, bebê que se preze tem que ter rotina antes de sair da maternidade “senão a mãe fica escrava das manhas”.

Aos poucos, vamos aprendendo a criar filtro e eliminando as intromissões desnecessárias.

Apesar de tudo isso, o bebê cresce, claro. Valentina fez 4 meses, tá ficando cheia de dobrinhas, cada dia mais esperta. Mas claro, não basta rolar de um lado. TEM que rolar dos dois lados, “como assim ainda não rola?”.

Minha filha tem seu tempo. Ela segura a cabeça sozinha e super bem, tá sentando com pouquíssimo apoio, sorri pra todo mundo, tá virando (DE UM LADO), segura os brinquedos, sabe que vai comer ao ver o babador, ajuda a segurar a mamadeira ou o peito, está dormindo de 7 a 9 horas seguidas à noite, presta atenção na conversa, fica tagarelando -do jeito dela- o dia todo, adora banho e mais um monte de outras coisinhas lindas que aparecem a cada dia.

Mas isso tudo não é o suficiente. “Será que ela vai falar cedo?”, “ela vai engatinhar logo”, “os dentinhos estão nascendo, olha a baba”, “já tá na hora de dar suco pra essa menina”. Para quê tanta pressa, eu pergunto?

Quando for a hora ela vai engatinhar, andar, falar, ter dente, comer comida. E eu quero aproveitar cada minutinho dessa vidinha tão nova. Me maravilhar com o presente, ver cada conquista da baixinha. Acertar o alvo ao tentar pegar o brinquedo, sentar. Coisas tão banais para nós, adultos, e tão árduas para eles.

Valentina tá crescendo :cool:. Tenho já saudades de quando ela era recém-nascida. Cada choro, movimento, minuto, tentando descobrir quem ela era. Mas estou vendo a pequena se desenvolver, ganhar peso, ficar cada dia mais “conectada” à nós. Sei os seus choros, sei quando é fome ou sono. Ou apenas cansaço ou querendo fazer algo diferente (como sentar!). Como é bom acordar de manhã e ser recebida com um sorriso tão inocente!

Sim, ela vai fazer tudo o que me perguntam hoje. Quando? Não sei. Em 1 mês, em 6 meses, quem sou eu para forçar o crescimento dela?

Por que querem que o bebê cresça tão rápido? Aparentemente porque, segundo alguns, bebês não podem ser bebês. São mini-adultos que têm que “entrar na rotina da casa” desde cedo, não podem fazer manha, devem ser deixados chorando para aprender a dormir sozinhos e por aí vai.

Um bebê é só um bebê. Ou alguém já viu algum adolescente chorando desconsolado porque os pais resolveram ir ao cinema num sábado à tarde? Ou um universitário usando fraldas, mamando e usando chupeta? :wink:

Mãe, eu ainda vou ser maior que você, viu?

Mãe, eu ainda vou ser maior que você, viu?

Updates da baixinha

Que já não é tão baixinha assim mais.

Fomos na Vancouver Breastfeeding Clinic, onde ela foi pesada: 5,010gr. Pra quem demoroooou pra chegar nos 3kgs, agora tá ótimo! E já tá com 60cm (ela nasceu com 48cm). Só mais um metro e ela me alcança…. rs rs :D :D :D

Ela já tá com 3 meses e meio, voou, né? Cada dia mais esperta, segurando super bem a cabeça. Hoje à noite experimentei colocá-la virada de frente no sling aqui em casa. E não é que ela ficou? Pelo jeito, no canguru, ela vai querer ficar vendo o mundo! Tá super cabeluda, tanto que vou ter que cortar o cabelo dela logo logo. Já tá chegando no olho e passou da nuca, rs. Tem acordado 2x à noite, mas noite passada foi da meia-noite às 5h30 dormindo. Yeah!

Colo de mãe é sempre bom, né? Ainda mais num sling!

Colo de mãe é sempre bom, né? Ainda mais num sling!

Já disse que adoro meu urso?

Já disse que adoro meu urso?

A chupeta ainda é maior que eu!

A chupeta ainda é maior que eu!

Passeando, pra variar!

Passeando, pra variar!

Novo domínio, novo tema, novo tudo

Depois de um século tentando instalar o WordPress, a Ana me ajudou. :-)

Agora estou com meu próprio domínio (yeah!). Como fatio.com estava tomado, fiquei no fatio.org (depois lembrei do .ca, mas tudo bem). O antigo link fatio.wordpress.com está sendo redirecionado pra cá também.

Junto com o novo blog, veio mais uma questão, que tema pôr? Pesquisa, pesquisa, pesquisa, nada me agradava e, quando eu gostava, não tinha widgets ou a configuração que eu queria…. tinha achado um lindo, mas metade das coisas não funcionavam no sidebar. Este atual tá legal, lembra um pouco scrapbooking, que é uma das minhas paixões atuais.

Agora, como parte do pacote, estou pensando em mudar o nome do blog. Não tenho mais falado tanto de Vancouver/Canadá/Imigração e acho que, apesar de adorar o Conexão Vancouver (é praticamente a minha marca registrada), estou buscando algo que reflita minha vidinha atual. Sugestões?

Mamãe canguru (ou “reaprendendo a andar pela cidade”)

Já que ainda não tenho carteira de motorista, tenho que depender de ônibus pras minhas bateções de perna com a Valentina. Alguns lembram do rolo que foi logo na primeira vez, né?

Bom, depois disso resolvi que não vou mais pegar aquela linha se o ônibus for do modelo antigo, com degraus. Tem certas coisas que não dá pra estressar. Nisso eu tenho duas opções: pegar outra linha que me deixa no skytrain ou carregar a baixinha no canguru.

Semana passada experimentei a façanha. Fui até downtown visitar uma amiga e carregando a Valentina a tiracolo, literalmente. Apesar do cansaço depois, até que é gostoso ir com ela agarradinha. :-)

Agora, uma coisa que eu notei: o quanto um bebê faz com as pessoas sejam mais educadas. Quando estava grávida, muito raramente alguém me dava lugar. Com o carrinho, então, o povo até faz careta porque tem que levantar dos bancos especiais. Agora, com o canguru, todo mundo queria me dar lugar. Ônibus lotado (quem conhece a linha #22 MacDonald sabe do que estou falando) e várias pessoas (até uma velhinha!) levantaram-se pra me dar lugar.

Pra compensar, hoje que eu queria ter ido de canguru, não deu, pois ia me encontrar com o Kam no final do dia pra voltarmos de carro. Mas eu juro que nunca desejei tanto não usar o carrinho…. pra começar o elevador estava travado pois tinha gente se mudando. Lá vou eu deixar o carrinho em casa, descer as escadas, procurar a mulher, subir de novo, pegar o carrinho pra perder o ônibus por 1 minuto. Passa o segundo ônibus: é dos antigos, raios. Espera mais um. Finalmente. Consegui chegar no skytrain. Quase chegando em downtown, entra um pai com duas crianças, sendo que o mais novo estava dentro do carrinho IMENSO (sabe aqueles de 3 rodinhas? Imagina a versão monster daquilo) que só fazia atravancar tudo. Chego na Granville Station e onde raios é o elevador? Lááááá do outro lado e vou ter que dar a volta no quarteirão depois. Ai.

Tô no shopping, já visitei as lojas que eu queria mas aí resolvi dar uma passada na loja da Apple. Coisa simples, só que fica no 2o. andar. Cadê elevador? Taca procurar elevador que, claro, tava lááááááááá do outro lado também….

Amanhã quero ir na Toys’r'Us e vou de canguru, tá decidido. Não tô afim de me estressar procurando ônibus decente, nem nada…

Há dois meses atrás….

Já se passaram 2 meses desde que você nasceu. Um dia eu ainda estava imaginando como você seria e hoje te vejo aqui, crescendo, ganhando peso, mostrando sua personalidade forte (já sei o que me espera!).

Você sabe o que quer, quando quer. E se não tem na hora, temos uma sirene de ambulância aqui em casa. Às vezes, é um choro bem bravo, de raiva mesmo. Às vezes, é um chorinho miado mas tão infeliz que preciso até tirar foto da careta que você faz. Mas não, não te deixo chorando não.

E nem disso eu posso reclamar. Você chora pra dizer o que quer, mas não fica horas a fio chorando e tem um ótimo humor. Quer dizer, quando não tem fome nem sono, claro.

Você está sorrindo mais, reconhecendo nossas vozes, mostrando alegria. Tem até uma tentativa de rir mas que ainda não sai. Logo logo, Valentina, logo logo.

Você normalmente acorda às 3 da manhã e depois só às 6. Aí você fica comigo na cama, depois que seu pai saiu pra trabalhar.

Já descobriu que bater perna na rua é tudo de bom e nunca reclama quando te coloco no carrinho. Já pegamos ônibus, trem, skytrain, já andamos horas no frio, na chuva, no sol. Mal posso esperar o verão. Aí é que a gente não pára em casa mesmo, né?

Você está começando a criar a sua própria rotina, quase como um relóginho, acordando a cada 3 horas pra comer.  O único problema é pra voltar a dormir a cada 3 horas, rs. Tem dias que você vai lindamente e só acorda uma vez pra mamar, às 3 da manhã. Em outros, como na noite retrasada, você acorda a cada meia-hora, quer comer a cada 10 minutos e não tem santo que te faça dormir. E não, você não fica chorando [muito].

Hoje vamos no posto de saúde e você vai pesar e tomar as suas primeiras vacinas. Já vi que vou morrer de pena do seu choro na hora. E sei que vai ser um choro bravo, como quem diz, “eu odeio isso. Estava quentinha no meu carrinho, dormindo, balançando e aí vocês me acordam pra me espetar”….

Agora estamos planejando a sua primeira viagem de avião. Quando vai ser? Ainda não sabemos, mas logo logo!

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5 semanas – e o tempo passa!

Parece que foi ontem que eu postei da última vez. Valentina é uma bebê bem calma, dorme bem e só chora quando tá com fome ou sono (toc toc toc!), mas sendo que ela tá sempre com fome, então acabo ficando super atarefada.

Minha mãe veio no natal e foi embora na semana passada. Foi muito rápido e pena que não deu pra aproveitar tanto com aquele monte de neve que desabou por aqui. Óbvio que já avó-coruja e está morrendo de saudades da netinha. Pra ajudar, tento tirar o máximo possível de fotos. E cada segundo é um motivo para uma foto diferente. Um suspiro, um bocejo, a perna esticada, a mão no rosto, dormindo com um sorriso na cara (deve estar sonhando com leite, só pode!).

Eithor já está super protetor com ela. Quando o choro começa, ele é o primeiro a chegar perto dela, como quem diz “fica fria que eu te ajudo!”. E não desgruda do lado dela. Ele ainda não entendeu muito bem o que está acontecendo mas sabe que é importante.

Valentina e Eithor

No quesito sono, não posso reclamar pois por enquanto o Kam tem acordado à noite pra ficar com ela. Sei que a partir da semana que vem já não vai ser tão fácil pois ele volta a trabalhar e é claro que não vou deixá-lo acordar a cada 2-3 horas à noite, sendo que ele tem que acordar às 5h30 da manhã pra ir pro trabalho. De alguma maneira a gente se resolve, afinal, todos os casais que eu conheço sobreviveram (ou quase) pra contar a história.

Ela ganhou peso e hoje está com 3,50kg, praticamente 1kg a mais de quando saiu do hospital. E cresceu 4cm, ou seja, logo logo ela me passa (e aí minha mãe me interrompe dizendo que não precisa muito pra me passar…só 1 metro!). O cabelo está clareando e há controvérsias sobre com quem você se parece mais, eu ou o Kam, que jura que ela é cópia de mim e eu vejo muito dele nela….acho que só o tempo pra dizer. A grande dúvida agora é a cor dos olhos. Cada dia tá de um jeito: cinza, azul-acizentado, castanho-claro, castanho-acizentado. Que cor a gente pôe no pedido do passaporte? :-D

A midwife acha que ela não tem ganhado peso suficiente então tive que aumentar a quantidade de fórmula, infelizmente. Estava deixando somente à noite, quando o Kam fica com ela, e tentando amamentar ao máximo durante o dia. Amanhã vou tentar contactar o pessoal da La Leche League para uma orientação porque é muito ruim esta sensação de não poder dar o que a bebê precisa.

Semana que vem temos a última consulta com a midwife e, depois disso, volto para a minha médica de família. Embora as minhas midwifes sejam as mesmas que ficaram com a Ana, acho que tivemos experiências diferentes e confesso que fiquei um pouco desapontada pois esperava mais, pelo menos com uma delas, a Annie (que foi quem fez o parto). Estava torcendo para que fosse a Ruth mas não era dia de plantão dela. Acho que o que foi mais desgastante para nós não foi nem a questão do parto, mas o fato de ela ter se recusado a ir até a minha casa na 1a. semana pois era muito longe pra ela. Óbvio que o fato de que eu tive que sair de casa com a Valentina com apenas 4 dias de vida (e eu com muitas dores da laceração e dos pontos) embaixo de um frio absurdo (consegui que fosse o dia mais frio de Vancouver dos últimos não-sei-quantos-anos) de menos 15 graus não conta nada, né? :-X

No hospital também foi muito chato pois ela veio pra começar a indução, voltou pra casa, veio à noite quando pedi uma epidural (pois a dor estava absurda), voltou pra casa novamente e só apareceu depois da 1h30 da manhã quando eu já estava com dilatação completa. O Kam ficou passado, pois se era pra ser assim, qual a diferença para um obstetra (que aliás, foi o que fez o parto efetivamente, pois precisei de fórceps)? Quando estava tentando amamentar a Valentina, tive muita dificuldade no começo e ela até ajudou. 5 minutos. Quando questionei alguma coisa que ela sugeriu, tive que ouvir “se você quiser que eu ajudo, eu ajudo, mas se não, vou embora já que não tenho nada mais pra fazer”. Pena que eu estava exausta, passada, com efeito da medicação e sem conseguir pensar direito, porque senão tinha falado um monte. Que raiva na hora!

Em compensação, quando fui na consulta com a outra midwife, a Ruth, foi outra coisa, mil vezes melhor. Ela sentou comigo, mostrou onde eu estava errando, deu sugestões e ouviu meus desabafos. Não podia ser assim sempre?

Valentina

16 de dezembro de 2008, 5:17 da manhã

Valentina chegou.

Uns imprevistos no meio do caminho mas, depois de 15 horas de trabalho de parto, uma menininha de olhos lindos chegou. Chorando muito, pedindo colo, tentando entender o que estava acontecendo.

Muita gente ligou, escreveu, mandou mensagens, querendo saber de você, que dormiu o dia todo. Também, depois de tanto trabalho, precisa, né?

A primeira noite foi difícil. Não sabíamos porque você chorava tanto. Tentamos embalar, sem resultado. Até percebemos uma fralda molhada. Como que não vimos isto antes? No mesmo instante que trocamos, você ficou quietinha e dormiu.

Ficamos uns dias a mais no hospital pra nos conhecer melhor. Estamos com um pouco de dificuldade com a amamentação e, com a ajuda super providencial e maravilhosa das enfermeiras, estamos começando a entrar nos eixos.

Chegamos em casa na 5a. feira à noite. Muito frio e neve. Você escolheu a semana mais fria do ano pra chegar. Deve ter pensado: “hum, já que sou canadense e vou nascer no inverno, que pelo menos seja um inverno de verdade, né?”.

O Eithor te estranhou um pouco no começo. Na verdade, ele te cheirou e saiu correndo. E me ignorou por uns dois dias. Hoje, ao primeiro sinal de choro, ele vai ao seu lado ver o que está acontecendo. Quando você está tomando o seu leite, ele fica sentado ao lado da poltrona, como se quisesse te proteger.

Seu pai está fascinado por você e se sente como se tivesse ganhado na loteria, apesar do cocô que você fez no shorts dele. Claro que ri muito, pois sei que isso ainda vai acontecer muitas outras vezes.

As primeiras noites em casa foram complicadas pois não consegui te deixar naquele berço imenso e ir para o meu quarto. No sábado, compramos uma caminha para colocar na nossa cama, assim você dorme conosco e a gente dorme bem.

Hoje você fez 1 semana de vida e tem se mostrado um bebê muito calmo. Adora dormir (como eu, claro!), come bem e chora pela fralda, pelo frio/calor e de fome. Adora ficar deitada na minha barriga e dormir lá mesmo. E quem disse que eu tenho coragem de te tirar de lá, vendo a sua carinha feliz dormindo?

Quando você está acordada, nosso principal passatempo é descobrir qual a cor do seu olho. Parece um azul bem escuro, meio cinza. Dependendo da luz, fica verde ou castanho. Acho que você vai ter olhos castanhos, mas quem sabe?

A sua avó está chegando daqui a pouco. Você é nosso presente de natal, o melhor que já poderia ter ganhado. Ela está super ansiosa pra chegar e te conhecer, mas já te ama desde o primeiro minuto.

Bem-vinda, Valentina. Você tem um mundo a descobrir.

Valentina

38 semanas e um ligeiro desvio de rota

Começando do começo:

Em novembro, começamos a ver um seguro de vida aqui. Como é de praxe com a maioria das companhias, tivemos que fazer exames médicos. Até aí, ok, né?
Bem, semana retrasada recebi uma cartinha deles, dizendo que “obrigado, mas não podemos te aceitar agora” e o resultado dos exames. Aparentemente há uma alteração nas enzimas do fígado, que pode ou não, ser relacionada à gravidez. Bom, dia seguinte, na 3a.,  levei os exames pra minha midwife, que na mesma hora soltou a antena.

Ela pediu outro exame de sangue pra confirmar os números, que fiz no mesmo dia. Na 3a. feira à noite, ela me liga pra dizer que, sim, os números continuam iguais e que é para eu ir no hospital na 5a. feira, fazer monitoramento fetal (cardiotoco). Cheguei lá, fiz o monitoramento, ela estava lá, pediu mais uma montanha de exames pra eu fazer a cada dois dias, e marcou ultrassom pra 6a. feira passada. Fui no laboratório na 5a., no sábado e na 2a. feira. Na 3a. tinha prenatal, então ok.

Fiz outro monitoramento, que também tava ok, e a obstetra começou a falar da necessidade de indução, caso o problema no fígado seja relacionado, embora ela achasse muito improvável, pois vêm junto outros sintomas (hipertensão, edemas, dor-de-cabeça forte, etc) e eu não tenho nada.

Bom, na 6a. feira (ontem) fiz o tal do ultrassom. O que era pra levar 20 minutos, levou mais de 1 hora. A técnica ficava medindo 10 vezes alguns números e, claro, sem me explicar. Acabada a ultra ainda tive que esperar pelo relatório pra levar pro obstetra no andar de cima. A curiosa aqui abriu, obviamente, e não dizia nada de mais, aparentemente.

Levei pra OB, que pediu pra eu fazer outro monitoramento (é, mais um!!). Daqui a pouco vem a enfermeira tirar pressão, medir temperatura e eu, já com aquela cara de “qq acontece?”. O OB veio explicar que o fígado não tá tão complicado quanto parecia e que um especialista iria me ver no mesmo dia.

Porém, a ultra mostrou também que o líquido amniótico está baixo e a placenta não tá funcionando como deveria. Que o quadro apresentado é visto normalmente quando já passou da data prevista, 1 semana, 10 dias. E no meu caso, ainda tem 2 semanas pra chegar lá. Explicou que vou ter que fazer monitoramento todos os dias e começar a pensar em indução. Mas primeiro, ele queria ver o especialista do fígado pra decidir o que fazer.

Bom, cheguei no hospital às 10 pra ultra e, àquela altura já eram 2 da tarde. Liguei pro Kam pra ele ir me encontrar lá no hospital. Uma enfermeira maravilhosa lembrou que eu ainda não havia comido nada e arranjou um almoço pra mim :-) .

O tal do especialista veio, fez um monte de perguntas, saiu. Voltou com a chefe e mais 5 médicos, que também trocentas outras perguntas, pediu OUTRO exame de sangue, que deu na mesma e quer que eu ligue pra ela após a Valentina nascer, pra marcar uma consulta, já que só assim tem como excluir a gravidez como causa do problema. E deixou pedido pra mais um exame de sangue (a esta altura, imagina o meu braço…).

Tá, ok.

Daqui a pouco chega a minha midwife, que o OB chamou. Ela olhou os exames, concordou com ele e avisou. Indução na 2a. feira, se tiver lugar na maternidade. Enquanto isso, continua o monitoramento…..

Agora, imagina a minha cara. Totalmente despreparada pra isso…. fisiologicamente, eu tô. Valentina tá encaixada, estou com 2cm de dilatação, quer dizer, neste ponto tá ok. Mas emocionalmente, tô morrendo de medo. Já avisei a minha mãe e alguns dos meus amigos aqui.

A idéia do trabalho de parto, ao meu ver, é te preparar, começa com as dores, a bolsa, tampão, etc, tudo gradual. Mas numa indução, não dá pra saber, né?

Ai ai. Mas sim, eu posto aqui se for pra indução na 2a., na 3a, etc….

E dona Valentina vai chegar no frio! Aqui tá com sensação térmica de -6C hoje…

Um pouquinho da minha estória

Mais de quatro anos no Canadá. Tudo passou tão depressa que ainda lembro do dia em que eu cheguei aqui…
Tudo começou no final de 2002, quando numa reunião de família, surgiu o tema de intercâmbio no exterior. Na minha família, é até normal: minhas tias fizeram intercâmbio, meus padrinhos, meus primos, a namorada do meu primo…
No começo, estávamos pensando em Utah, no Estados Unidos, pois a irmã do meu padrinho mora lá.
A namorado do meu primo tinha acabado de voltar de uma temporada de um ano lá e adorado. Minha prima ficou 1 ano na Alemanha fazendo high-school e amou e meu primo está indo agora em agosto.
E eu, terminando faculdade, contrato de estágio no SESC no fim e sem perspectivas de efetivação e um namorado há 3 anos. Se por um lado a idéia de passar um ano fora, em outro país era fantástica e apaixonante, por outro era apavorante, pelo mesmo motivo. Afinal, não teria mamãe nem a língua portuguesa para me ajudarem. Só eu e eu.
Só que aí, comecei a pesquisar mais e vi que não era bem EUA que eu queria. Todos os problemas políticos, a Guerra no Iraque e outras coisas me fizeram começar a pensar no Canadá. Meu irmão, o Luiz Eduardo, já tinha passado mais de 1 ano em Toronto e adorado. Quando contei a ele sobre meus planos, ele me deu a maior força e me ajudou em tudo que podia quanto a informações e dicas.
Só que eu não sabia se era Vancouver ou Toronto. Toronto ou Vancouver… Ou seja, comecei do zero, bem zerado. No final de 2002, ainda não havia Orkut e blogs eram uma raridade.
Pesquisando no São Google, descobri o site do CEC, que é ligado ao Governo Canadense. O Centro de Educação Canadense é um órgão de divulgação das escolas do Canadá. O serviço de aconselhamento é gratuito e você tem muita informação com eles. Fui lá com a Marina, minha amiga, que também estava querendo vir pra cá. Após ver uma série de vídeos e fotos das duas cidades, escolhi Vancouver: era menor que Toronto, mais área verde, praias, montanhas. NATUREZA.
Claro que a Marina também fez a mesma escolha, né? :-)
Escolhida a cidade, faltava decidir o curso, quanto tempo eu iria ficar e em qual escola.
Fui na Central de Intercâmbio, na STB e entrei em contato com cerca de 10 agências até encontrar a Canadá-Brasil (agora Go Tour). Após conversar com a Liliane, decidi pela escola The Canadian College of English Language. O preço estava mais acessível e o fato de não ter muitos brasileiros também me estimulou. Não me entendam mal, mas pelo todo o dinheiro que estava sendo gasto (e o dólar, na época, estava quase R$4, lembram?) e pelo pouco tempo disponível (5 meses), ficar andando só com brasileiros não era a coisa que eu mais queria. Para isso, podia continuar no Brasil e economizar dinheiro, certo?
Pois bem, tudo decidido, vendi meu carro, colocamos o dinheiro numa aplicação e começamos a papelada do visto. Uma vez com a carta da escola, fui até o Consulado fazer o pedido. Estava tão nervosa que até preenchi o formulário errado (pus o nome do meu irmão errado!), mas após algumas horas de angústia, peguei meu passaporte com o visto de estudante colado lá. Sim, naquela época, o visto saía no mesmo dia! Bons tempos aqueles, rs rs rs!

Agora era preparar as malas, trocar Reais por Dólares Canadenses e… ir!
Dia 21 de Fevereiro. Malas prontas, eu tentando ficar tranqüila, minha mãe mais nervosa do que grávida em trabalho de parto e meu (ex-)namorado… Atrasado! Sim, atrasado! Era para ele ter chego em casa lá pelas 15h e já eram quase 17h e nada dele. Todas as malas no carro, minha mãe já na rua, na porta do prédio, quando ele chega, com a maior cara lavada do mundo… Eu mereço…
Claro que pegamos aquele trânsito maluco da Marginal em plena hora do rush, minha mãe quase tendo um ataque cardíaco e eu lá, numa ansiedade que só vendo.
Chegamos no aeroporto e o Cláudio e a Liliane, da Canadá-Brasil, estavam lá, para despedida e últimas dicas… comi meu último pão-de-queijo (ai, que saudades!!) e entrei na sala de embarque, pensando:
“Hoje é o primeiro dia do resto da minha vida”
Quando conseguimos decolar, já estávamos 3 horas atrasados… e em Toronto, embaixo de um frio de -16oC (em São Paulo estava 40oC), perdi as DUAS conexões para Vancouver, tendo de esperar por mais de 5 horas dentro do aeroporto, sem falar inglês, carregando minha mala de mão e morrendo de fome.
Bela maneira de começar, né?
Bom, tinham algumas meninas que estavam no mesmo barco que eu, sendo que uma delas ainda teria que viajar mais 5 horas de ônibus quando chegasse em Vancouver, para ir para Kelowna, imagina só.
Quando chegamos lá, uma das meninas que tinha solicitado airport reception estava esperando a pessoa que iria buscá-la e perguntou se eu podia ficar com ela até que ele chegasse. Quando o cara chegou, ofereceu carona para mim e para a outra menina que ia pra Kelowna (até a rodoviária, óbvio)…
Cheguei na minha homestay quase 7 horas depois do previsto! A minha hostmother veio, me abraçou e disse: “Welcome, call you mom because she is getting crazy!!”…
Ligo e minha mãe só chorando. Até explicar pra ela tudo o que aconteceu, imagina quanto tempo levou….
No dia 24 de fevereiro comecei as aulas no Canadian College (CCEL). O meu curso era intensivo (de segunda a sexta, das 9h às 16h) e ia até o dia 12 de julho.
Lá conheci tanta gente maravilhosa, a Seden, o Luiz, o Zafer, o Ahmet, a Carla e o Alex, a Alina, o Antoine, o Gregory, o Ahmed, o Kazu, o Mario e o Neil S. – ambos professores -, a Mehtap, o Selçuk, o Neçmi, o Mehran, a Basak, a Laura, a Martine, entre tantos outros… foram momentos especiais e únicos na minha vida. Pessoas do mundo inteiro, convivendo em hamonia, se divertindo, conversando, trocando confidências… amizades que o tempo tem mostrado serem verdadeiras e duradouras…
A Marina também chegou, um mês depois de mim e foi estudar na PLI. Nesta época, eu já havia mudado da homestay e estava dividindo um apartamento com o Antoine (francês) e a Há (vietnamita). Não conhecia nada da cidade e mesmo assim resolvi arriscar… foi a melhor coisa que eu fiz. Guardo tantas memórias gostosas do nosso apartamento em Metrotown…
Conheci o Luiz, na escola. Minha companhia de balada e diversão. Éramos nós três sempre, eu, ele e a Marina… Lembro que ele ensinou TODOS os alunos da escola a dizer fdp. Até hoje, alguns mexicanos me cumprimentam com “hey, fdp, how are you?”!!!

Então começou a época da despedida… a Marina, o Luiz, a Seden, o Gregory (meu companheiro de churrascos de verão!!!)…
Nesse meio-tempo, mudei novamente, após o Antoine ter saído para viajar por dois meses, e fui para outro apartamento no mesmo prédio.
Em novembro, conheci meu namorado, o Kam, que sempre me ajudou em tudo aqui.
À essa altura, no apartamento, éramos eu, a Gisele e o Alex. A Clarissa havia ido embora em fevereiro e a Ana, em janeiro.
Após alguns meses com os meus roommates, a Gisele foi morar com o namorado e o Alex voltou pra Romênia para visitar a família e então, o Kam e eu resolvemos morarmos juntos, mas não por muito tempo até eu resolver voltar a ter meu cantinho.

Depois de um tempo acabei indo morar com o Kam de novo, e desta vez, de vez! Em 2005, precisei voltar para o Brasil para dar entrada no meu visto de imigrante e lá fiquei, quase 10 meses, longe do Kam, esperando em banho-maria. Mas deu certo e em abril de 2006, fiz meu landing e hoje trabalho no que eu gosto, na Vancouver English Centre.

Desde então, já são mais de 4 anos de luta, amigos maravilhosos e outros com os quais eu me decepcionei muito. Muito aprendizado, crescimento, independência. Por tudo que Vancouver me proporciona e sempre me proporcionou, sou apaixonada pela cidade. Vancouver é um lugar onde eu posso andar na rua sem medo de ser assaltada, posso ficar sozinha à noite sem ter de ficar olhando pra trás o tempo todo. Um lugar onde aprendi que ser cidadão é muito mais do que votar e pagar impostos. É poder ter segurança e dignidade, sem precisar achar que isto é luxo.
Aqui consigo ir ao médico de graça, sem fila ou burocracia. Tenho conta no banco, tenho ônibus que funciona e é confortável, tenho um cantinho no qual eu me aconchego… tenho minha paz de espírito, que tanto procurei no Brasil… e sim, SOU FELIZ! :-)

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