E Valentina interrompeu o jantar para informar que queria tomar banho. Milagre 1.
E disse que deixava eu lavar o cabelo dela em 5 minutos. Milagre 2.
Me belisca porque tô sonhando!
E Valentina interrompeu o jantar para informar que queria tomar banho. Milagre 1.
E disse que deixava eu lavar o cabelo dela em 5 minutos. Milagre 2.
Me belisca porque tô sonhando!
Valentina está aprendendo o que é família e quem faz parte dela. Tudo em preparação à nossa viagem ao Brasil. ![]()
Com isso, está super curiosa de tentar entender quem é família ou não.
- ”Valentina, a tia Lu tá vindo visitar a gente hoje!”
- “Tia Lu? Is tia Lu my família?”
- “Não, mas ela é uma amiga que gosta muito de você”
- “Mamãe, can I hug tia Lu?”
Tentando convencer a Valentina a não ir pra escola à la Penélope Charmosa (toda de rosa), mostrei uma blusa de outra cor pra usar com a calça rosa:
- “But, mamãe! This blusa don’t have combina!”
E a gramática, ó, tudo combinando, né?
Há algum tempo postei sobre o banho dela, como estava difícil. Hoje posso dizer que melhorou uns 80%. Ela tem curtido a banheira (sem os “bubbles”, para evitar problemas), mas com muitos brinquedos. Lavar a cabeça ainda está um processo difícil.
Não temos mais os escândalos de antes (quando eram necessárias duas pessoas pra segurar – até por segurança, pra evitar que ela caísse na banheira), mas ainda temos um chororô. E todos os dias, ela faz questão de me lembrar que não quer lavar a cabeça.
Mas voltando à parte boa: Valentina tem curtido o banho. Adora os brinquedos e vive no mundo do faz-de-conta (“Mamãe, I’m pretending!”) e tem seus favoritos, como carrinho, baldes, patos e até um pônei bebê (tem até fralda, rs).
Pra ajudar no processo de “curtir”, comprei algumas coisinhas que ajudaram bastante.
- Canetinha pra banho da Crayola:

Funciona à base de água e sai na hora. Não mancha a banheira e é super fácil de limpar.
Contras: A tinta demora a sair e fica super aguada. Às vezes, a Valentina tem que ficar pressionando com força até que saia direito e volta e meia falha. Isso pode deixar a criança frustada, principalmente os menores, que ainda não têm força pra ficar apertando.
- Giz-de-cera pra banho da Crayola:
Funciona que é uma beleza. Desenha até debaixo d’água e faz uns desenhos bem legais, com cores fortes e bem definidas.
Contras: Pensem numa coisa CHATA de limpar. É esse giz. Precisa esfregar um monte pra sair e não manchar a banheira. A Valentina amou, mas tá bem escondidinho, rs.
-Esponja pra banho da Crayola (dá pra ver que gosto da marca, né?):
Achei outro dia. Ela muda de cor de acordo com a temperatura da água. De rosa passa pra branco quando colocamos na água quente. Tem em outras 3 cores.
Contras: nenhum. É só um pouco mais caro, coisa de $3,00 dólares.
- Livrinhos de plástico: Ela tem dois. São de bebê, mas adora até hoje. Um de animais do mar, só de figuras, e outro sobre uma macaquinha que está tomando banho (e lava a cabeça).
- Patos, carrinhos, potes e pôneis: Os brinquedos clássicos, que continuam a fazer sucesso.
A única coisa que tomo cuidado nestes brinquedos são com os que acumulam água e que, com o tempo, acabam criando aquela coisa preta nojenta por dentro.
Com essas pequenas coisinhas consegui com que ela encarasse o banho como algo menos assustador e mais divertido. Aos poucos vamos melhorando isso…
Estávamos hoje no parque, quando um caminhão dos bombeiros chegou por lá. Nada sério. Valentina quis ir e conversar com o bombeiro, que mostrou pra ela todo o caminhão e a deixou ir lá dentro.
Na volta, no carro, o pai pergunta:
- Valentina, when you grow older, do you want to be a firewoman?
- No, not a firewoman, baba. A fireGIRL!
Outro dia a Valentina fez alguma malcriação qualquer comigo e o pai disse “Valentina, say sorry to your mommy”.
E ela: “No sorry! Desculpa! Desculpa, mamãe!”.
Assim como na casa de muita gente, aqui é uma correria de manhã. É o tempo de pôr uma roupa e sair, praticamente. Todos os dias, mando o café-da-manhã da Valentina pra escola para que ela durma um pouco a mais. Ninguém merece acordar cedo, né?
Nesse corre-corre, o que mais me atrapalha normalmente é pra pôr roupa. Aqui tá um tal de “I do it myself” e “I don’t want it” que haja paciência, viu? É um desgaste que estava me tirando do sério.
Pois bem, essa semana estou de molho em casa por conta de uma cirurgia, então nossa rotina de manhã está mais relaxada. Ela tem ido todos os dias pra escola pois ainda me incomoda ficar me mexendo o tempo todo atrás dela, rs.
Estamos acordando mais tarde (hoje ela acordou às 8:00, viva!) e tomando o café aqui, antes de levá-la.
O que mudou na rotina? Ao invés de sentar com ela e escolher o que ela quer vestir, simplesmente disse, depois que ela comeu: “agora, você vai colocar uma roupa sozinha pra gent ir pra escola”. E ela foi, feliz da vida e em menos de cinco minutos estava vestida. Sem dramas. No 3o dia, a combinação de cores e estampas está sendo aprovada. E vai ficar assim que está muito bom. Aliás, roxo, laranja, rosa e salmão combinam?
Outro drama aqui está a hora de escovar os dentes. Toda santa noite é um chororô de deixar qualquer um cansado. Resolvi mudar isso também e deixei que ela escovasse os dentes sozinha. Mas só de manhã. À noite, papai ou mamãe que escovam (claro que com choro, que é muuuuuito mais divertido, né. NOT).
Agora ela está super empolgada de escovar sozinha. Então, de manhã, escovamos juntas e ela vai vendo como eu faço e imitando (à medida em que a coordenação deixa, claro).
Foram duas pequenas mudanças na rotina que já ajudaram um monte. Hoje conseguimos ficar prontas em 50 minutos, contanto com o café-da-manhã. Se eu conseguir manter isso, dá pra sair de casa num bom horário, sem eu ficar me descabelando porque vou perder o trem (que tem horário certinho pra passar).
Valentina está numa fase deliciosa, onde cada conversa é uma pérola. Ela conta coisas que a gente nem fazia idéia que ela sabia.
As últimas?
- Valentina, cadê a vovó?
- Vovó is at casa.
- E onde é a casa da vovó?
- Casa is at Brazil.
Ela viu um avião no céu e ficou gritando: “Vovó, vovoóóóó! Mamãe, vovó is at airplane!”. Isso porque fazem mais de 6 meses que a vovó veio visitar!
- When I go to vovó house, I will comer dois ice-creams!
- Dois sorvetes, Valentina? E quem te disse isso?
- I disse!
Então tá, né? Falou tá falado. Se bem que ontem a conta já aumentou pra 3 cookies. Amanhã devem ser 4 chocolates, pela lógica, rs rs.
Na 2a. feira, compramos um conjunto de mesa com cadeiras pro quarto dela. Pequenininha e bem fofa, igual ao preço, rs. Quando ela viu a mesa montada, não teve dúvidas: era hora do “tea party” (o chá das 5?) no quarto. Pegamos todos os pratinhos, xícaras e bules e arrumamos a mesa. Quando eu sugeri que o urso também podia sentar na mesa, eis a resposta certeira: “mamãe, urso has no perna”. Respondi que sim, o urso tinha perna. Ela olhou de novo pra ele e disparou: “urso has no unha”. Pronto, foi recusado no clube exclusivo do chá das 5 porque não tem unhas! Mereço isso?
Com 3 anos, Valentina mudou de escola. Antes, ela ficava em uma creche, que funcionava na casa de uma senhora. Aqui, são chamadas de “home/family daycare”. São licenciadas, seguem toda uma série de regras do governo e são inspecionadas regularmente.
Na creche antiga, eram cerca de 10 crianças, entre 11 meses e 4 anos e meio. Turma mista, multi-série. 2-3 adultos (a dona, uma assistente e uma estudante de pedagogia) pra eles. A sensação é de casa mesmo. Todo mundo se conhece, turma pequena. Quando a Valentina começou lá, aos 10 meses e meio, era a solução ideal. Preço que cabe no bolso (embora caro, claro), um ambiente menor e sem a idéia de “escolinha”, que eu achava muito cedo. As vantagens eram grandes: perto de casa, fornecia toda a comida (de café-da-manhã e lanches ao almoço) e fraldas, então não precisava me preocupar com isso.
Valentina foi crescendo e, claro, super cheia de energia. Eu a pegava quase 6 da tarde e ela ainda a mil por hora, o que me fez pensar que eles não estavam gastando muita energia durante o dia. Juntando a isso, algumas coisinhas foram me incomodando (passeios ao McDonald’s sem avisar antes, foi lá que ela conheceu a pizza, o cachorro-quente e o miojo, alguns desentendimentos com a dona – me fazia sentir uma mãe de primeira viagem que não sabe de nada), e comecei a pensar que estava na hora de mudar.
Em dezembro começamos a adaptação na escola nova. Escolinha de verdade, nos moldes de como conhecemos no Brasil. As professoras são chamadas de Sra. (Miss Emma, Miss Suni e Miss Peache) e não é mais a “tia” (antes era a “tia” Noori). São bastante crianças, 25, o que implica em menos atenção individual e mais independência. Há um projeto pedagógico e tem muuita atividade, desenho, brincadeira livre, fantasia, circle time, passeios, playground. E sem TV (que era outra coisa que me incomodava também).
Tirei o mês de férias para poder me dedicar a isso. Lembro de como foi ruim a adaptação dela na primeira vez – Valentina estava em plena Ansiedade da Separação e eu não soube trabalhar isso direito; foram dois meses até o dia em que ela não chorou pela primeira vez ao deixá-la na creche.
As duas primeiras semanas foram péssimas, com ela chorando mesmo após a gente ficar praticamente a manhã inteira com ela. Depois vieram os feriados de natal e ano-novo e ela só voltou em janeiro. Mais uns dias de choro e no 3o. dia, ela simplesmente olhou pra mim e disse “tchau, mami”. Sem choro nem nada. E desde então tem sido assim, há um mês.
E tenho notado ela mais tranquila, com mais rotina… mais interessada em livros. Toda noite, temos lido de 3 a 4 livros antes de deitar, hábito que ela descobriu na nova escola. Ela mesma diz que gosta da escola. No final do dia, quando vou buscá-la, ela até briga pra não sair de lá (“I want to play with my amigos”). Claro que tivemos uns dois dias de meio-choro (coincidentemente nos dias em que ela não dormiu muito bem, acordou resfriada e de nariz entupido), mas depois passou, do nada.
Com sorte, lá ela ficará os próximos dois anos, pelo menos, até começar a escola “de verdade”…
Há 3 anos, me tornei mãe de uma princesinha linda. Hoje essa menina está cada dia mais fofa, esperta, carinhosa. Adoro o jeito como ela me chama de “mamáe”, bate altos papos com a gente. Tem opinião pra tudo. Cheia de energia, não pára um segundo, muita saúde. Tem a risada mais linda do mundo. 
Essa é a minha menina Valentina. Parabéns, minha princesa. Mami e baba te amam muito, muito, muito!
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