Conexão Vancouver

A toalha mágica da Valentina

Há uns meses atrás, postei aqui sobre o pavor de banho que a Valentina tinha. Cada banho era uma tortura de tanto choro. Quando era dia de lavar a cabeça então, precisávamos ficar em dois pra segurá (e, principalmente, garantir que ela não ia cair e se machucar de tão agitada que ficava). Na época, até pensei em usar aqueles shampoos sem enxágue, mas não achei um que fosse pra crianças. Tentei de tudo, baldinho, chuveirinho, banheira, chuveiro normal, aula de natação…

Quando minha mãe veio pra cá, em dezembro passado, encarreguei-a de me ajudar nisso. Ela tinha duas semanas pra fazer a Valentina aceitar o banho. Não digo aceitar, mas pelo menos entrar na banheira sem gritar.

E as Princesas Disney entraram na história. Como ela anda numa fase princesa, minha mãe aproveitou o gancho pra mostrar como elas têm o cabelo lindo… como a Ariel adoooora ficar na água, e por aí vai. E sempre fazendo palhaçada. E não é que deu certo? Ela passou a curtir o banho, brincar com a água e ir sem chorar. Mas pra lavar a cabeça continua o drama.

Um dia, experimentei perguntar se ela queria cobrir o rosto igual ao do bebê que lemos num livro (Tubby, de Leslie Patricelli). E não é que ela aceitou? Isso porque já tinha tentado antes.
Peguei uma toalha qualquer que tinha em casa e expliquei que aquela era a toalha só da Valentina, e que era MÁGICA. Sim, a toalha especial dela, que vai proteger na hora de lavar a cabeça.

Bem, só sei que a tal da toalha tem nos acompanhado firme e forte nos banhos. Agora ela tem até aceitado o shampoo, um rosa das Princesas (claaaaro), fedido pra burro, mas que ela quem escolheu na farmácia.

Mas olha, até chegar onde estamos hoje (dela aceitar o banho foi uma batalha. Meses e meses nessa fase enquanto eu entoava o mantra velho conhecido de qualquer mãe ou pai “ooooohmmmmmm, vai passaaaaaaaaaaar… ooooohhhhmmmmmmm, é só uma faseeeeee”…..

Escola de verdade, mas já?

A Valentina tem 3 anos e 4 meses. É uma “preschooler”, como eles chamam por aqui. Vai pra escolinha, onde fica o dia todo, das 7 da manhã até às 5 da tarde.

Lá, ela passa o dia brincando, correndo, fazendo atividades, aprendendo letrinhas. Almoça, brinca no parquinho, faz a soneca sagrada de todos os dias.

Pela lei, ano que vem ela já começa a escola regular. Vai pro kindergarten no ano em que completa 5 anos. Tudo seria tranquilo se não fosse alguns detalhes: o aniversário dela é só no final do ano, então ela começaria na escola – em setembro – com 4 anos e meio. Só eu estou achando muito pouco pra ficar na escola o dia inteiro (as aulas são das 9:00 às 3:00 da tarde), sem soneca, já alfabetizada?

Fui pesquisar mais sobre isso e descobri que meu distrito escolar (Coquitlam School District – SD43) permite que espere mais um ano para ela começar. E isto é particularmente beneficial para as crianças que fazem aniversário depois de setembro.

Costumo dizer que, se a Valentina tivesse nascido de 40 semanas e 2 dias, ela já seria de janeiro, ou seja, as chances dela ser a mais nova da classe são grandes.
Em março, o  jornal Vancouver Sun publicou uma matéria interessantíssima sobre a ligação entre transtornos de atenção e a idade das crianças. A matéria mostra que, das crianças “diagnosticadas” com ADHD (Attention Deficit and Hyperactivity Disorder) são normalmente as crianças mais novas da turma. Por que? Muito provavelmente porque numa turma onde a diferença pode ser de até um ano, o grau de atenção e concentração pode variar demais.

Como esperar que uma criança de 4 anos e meio tenha o mesmo nível de concentração que o coleguinha que tem quase 6 anos e está na mesma sala? Parece óbvio, mas não é. Muitas crianças começam a escola novinhas e não tem problemas, mas imagino que possa ser a exceção.

Eu mesma fui uma criança adiantada em relação aos meus colegas. No começo, foi fácil, como costuma ser mesmo. Porém, aos poucos, as dificuldades começaram: ficava de recuperação todo ano até que, na 5a. série, repeti. E sinceramente, foi a melhor coisa. Mudei de escola, e não fiquei mais de recuperação até o colegial.

Outra coisa que me preocupa é bullying. Será que o fato dela ser a mais nova da turma não poderia causar problemas com as outras crianças? Ela vai ser mais imatura que os coleguinhas, talvez estes não tenham paciência com ela ou achem-na muito “infantil” pra eles. Tá, são suposições, eu sei. Nada disso pode acontecer, ou pode acontecer mesmo mais tarde, não temos como adivinhar.

Ontem estava lendo uma matéria edição de março da Today’s Parents justamente sobre isso, se era válido esperar mais um ano. E a grande maioria dos pais e especialistas entrevistados concorda que sim, é melhor esperar. Os motivos, além dos já citados, vão da maturidade emocional até a necessidade da soneca à tarde e o estresse de ficar o dia todo na escola, sem descanso. Por outro lado, muitos pais justificam a entrada no kindergarten como um rito de passagem para a “escola de verdade”, na 1a. série. Dizem que o kindergarten é como se fosse uma creche pra crianças maiores, que não há imposições acadêmicas e que, claro, tem o fator econômico, já que os pais economizam na creche (que pode chegar a mais de CAD$1500 por mês aqui em Vancouver).
Claro que o fator dinheiro mexe, e muito, com nossas convicções. Mas é um ano. Não estamos falando de gastar uma fortuna por mais 10 anos, mesmo porque apesar da escola ser gratuita, ainda há o “after school program”, para crianças de até 12 anos, cujos pais trabalham o dia todo e não podem buscá-los às 3 da tarde. E isso também custa dinheiro, na faixa de CAD$400 por mês.
Vou observando a pequena ao longo deste ano e ver como ela amadurecendo. Pode ser que até ano que vem, eu mude de idéia e ache que ela está pronta pra começar a escola “de verdade”…

Dia Mundial da Conscientização do Autismo

O Dia Mundial do Autismo, anualmente em 2 de abril, foi criado pela Organização das Nações Unidas, em 18 de Dezembro de 2007, para a conscientização acerca dessa questão. No primeiro evento, em 2 de abril de 2008, o Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, elogiou a iniciativa do Catar e da família real do país, um dos maiores incentivadores para a proposta de criação do dia, pelos esforços de chamar a atenção sobre o autismo.
No evento de 2010, a ONU declarou que, segundo especialistas, acredita-se que a doença atinja cerca de 70 milhões de pessoas em todo o mundo, afetando a maneira como esses indivíduos se comunicam e interagem.
No dia 4 de abril de 2012 em todo o mundo , haverá iluminação em azul de locais especiais, como o Cristo Redentor no Rio de Janeiro.
O tema pode ser acompanhado no site da Mundo Azul: www.mundoazul.com.br

Que língua ela fala?

Essa é uma pergunta que sempre me fazem. A Valentina fala inglês ou português? Fala farsi? Acho que posso dizer que ela fala “valentinês”: é uma mistura de inglês e português que, a primeira vista, soa uma babel de sons.

A primeira língua dela é inglês, sem sombra de dúvida. As frases vêm primeiro em inglês, misturada com palavras em português. Na escola e com o pai, só inglês. Comigo, mistura tudo.
Outro dia, logo após o retorno da minha mãe pro Brasil, ela perguntou pro pai: “daddy, where’s grandma?” e, na mesma hora, virou pra mim “mamãe, where’s vovó?”. A construção é inglês, mesmo que as palavras sejam na língua da mamãe: “I want pôr roupa e go lá fora”.

É um trabalho de formiguinha mesmo… lemos muito em português, coloco músicas brasileiras, vou conversando sempre em português, mas quando ela passa quase 11 horas do dia dela ouvindo inglês, brincando em inglês, interagindo em inglês, é complicado imaginar ou mesmo supor que o português fosse a primeira língua. Outro dia, ela brigou comigo quando perguntou o que era tal parte do corpo. Eu disse que era cotovelo e ela retrucou com um “não, mami, it’s elbow!”. Expliquei que era elbow em inglês e cotovelo em português. Se ela entendeu? Não sei.
Estou começando a mostrar que existem duas línguas: inglês, que ela conversa com o mundo, inclusive o pai, e português, que é a língua da mamãe.

Não sei se é cedo pra isso, afinal, ela só tem 3 anos, mas confesso que a “predileção”, ainda que naturalmente esperada, pela outra língua chateia um pouquinho. É o lado afetivo do idioma, como a Flávia bem descreveu. É a minha cultura, minha vida, como eu me conheço.

Passo boa parte do dia falando em português, escrevendo em português que, quando vejo minha filha brigar que não é cotovelo, é elbow, me acende a luzinha vermelha. Já pensou ir pro Brasil e ela não entender os tios, os primos, a avó?

Já com farsi, vejo que ela entende alguma coisa e fala uma ou outra palavra. Marido não faz tanta questão que ela seja fluente quanto eu, então fala com ela em farsi mas não sempre. Na maioria das vezes, é em inglês mesmo. Ele mesmo decidiu que é “uma língua muito complicada”.

Estou aproveitando que ela está na fase dos “porquês” e de querer saber o que é tudo. Não basta dizer que o objeto tal é uma cadeira, tenho que explicar que aquele negocinho ali embaixo é o parafuso que segura a rodinha pra fazer a cadeira deslizar.

Me pego pensando nas palavras, em como explicar de modo que ela entenda e, ao mesmo tempo, dando a oportunidade de introduzir novas palavras no vocabulário dela. Às vezes, vejo que ela não entendeu tal coisa e preciso repetir tudo em inglês. E depois repito mais uma vez em português. Se ajuda eu não sei, mas acabou que virou um hábito de sempre que falo algo em inglês com ela, repito a mesmíssima coisa em português.

Acho que só o tempo vai dizer se estou acertando nisso ou não. Espero que sim.

8 de Março – Dia Internacional da Mulher

“Porque somos mulheres e mães, erguemo-nos contra esse crime.
Não pensamos apenas nos corpos dilacerados de nossos próximos, pensamos também no assassinato de almas (…), que ameaça tudo quanto semeamos no espírito de nossos filhos, tudo o que lhes transmitimos e que constitui a herança mais preciosa da cultura da humanidade.
É a consciência da solidariedade internacional, da fraternidade dos povos.
Se nós, mulheres e mães, levantamo-nos contra o massacre, não é porque, por egoísmo e fraqueza, não sejamos incapazes de grandes sacrifícios por um grande ideal.
Passamos pela dura escola da vida na sociedade capitalista e, nessa escola, tornamo-nos combatentes.”
Clara Zetkin (5 de julho de 1857 – 20 de junho de 1933)

E a escola?

Com 3 anos, Valentina mudou de escola. Antes, ela ficava em uma creche, que funcionava na casa de uma senhora. Aqui, são chamadas de “home/family daycare”. São licenciadas, seguem toda uma série de regras do governo e são inspecionadas regularmente.

Na creche antiga, eram cerca de 10 crianças, entre 11 meses e 4 anos e meio. Turma mista, multi-série. 2-3 adultos (a dona, uma assistente e uma estudante de pedagogia) pra eles. A sensação é de casa mesmo. Todo mundo se conhece, turma pequena. Quando a Valentina começou lá, aos 10 meses e meio, era a solução ideal. Preço que cabe no bolso (embora caro, claro), um ambiente menor e sem a idéia de “escolinha”, que eu achava muito cedo. As vantagens eram grandes: perto de casa, fornecia toda a comida (de café-da-manhã e lanches ao almoço) e fraldas, então não precisava me preocupar com isso.

Valentina foi crescendo e, claro, super cheia de energia. Eu a pegava quase 6 da tarde e ela ainda a mil por hora, o que me fez pensar que eles não estavam gastando muita energia durante o dia. Juntando a isso, algumas coisinhas foram me incomodando (passeios ao McDonald’s sem avisar antes, foi lá que ela conheceu a pizza, o cachorro-quente e o miojo, alguns desentendimentos com a dona – me fazia sentir uma mãe de primeira viagem que não sabe de nada), e comecei a pensar que estava na hora de mudar.

Em dezembro começamos a adaptação na escola nova. Escolinha de verdade, nos moldes de como conhecemos no Brasil. As professoras são chamadas de Sra. (Miss Emma, Miss Suni e Miss Peache) e não é mais a “tia” (antes era a “tia” Noori). São bastante crianças, 25, o que implica em menos atenção individual e mais independência. Há um projeto pedagógico e tem muuita atividade, desenho, brincadeira livre, fantasia, circle time, passeios, playground. E sem TV (que era outra coisa que me incomodava também).

Tirei o mês de férias para poder me dedicar a isso. Lembro de como foi ruim a adaptação dela na primeira vez – Valentina estava em plena Ansiedade da Separação e eu não soube trabalhar isso direito; foram dois meses até o dia em que ela não chorou pela primeira vez ao deixá-la na creche.

As duas primeiras semanas foram péssimas, com ela chorando mesmo após a gente ficar praticamente a manhã inteira com ela. Depois vieram os feriados de natal e ano-novo e ela só voltou em janeiro. Mais uns dias de choro e no 3o. dia, ela simplesmente olhou pra mim e disse “tchau, mami”. Sem choro nem nada. E desde então tem sido assim, há um mês.

E tenho notado ela mais tranquila, com mais rotina… mais interessada em livros. Toda noite, temos lido de 3 a 4 livros antes de deitar, hábito que ela descobriu na nova escola. Ela mesma diz que gosta da escola. No final do dia, quando vou buscá-la, ela até briga pra não sair de lá (“I want to play with my amigos”). Claro que tivemos uns dois dias de meio-choro (coincidentemente nos dias em que ela não dormiu muito bem, acordou resfriada e de nariz entupido), mas depois passou, do nada.

Com sorte, lá ela ficará os próximos dois anos, pelo menos, até começar a escola “de verdade”…

Três Anos

Há 3 anos, me tornei mãe de uma princesinha linda. Hoje essa menina está cada dia mais fofa, esperta, carinhosa. Adoro o jeito como ela me chama de “mamáe”, bate altos papos com a gente. Tem opinião pra tudo. Cheia de energia, não pára um segundo, muita saúde. Tem a risada mais linda do mundo. 
Essa é a minha menina Valentina. Parabéns, minha princesa. Mami e baba te amam muito, muito, muito!

Essas crianças têm super-poderes ou o quê?

Sexta-feira fomos até Abbotsford. Fica a cerca de uma hora de casa, e é bem mais frio por aquelas bandas do que em Vancouver.

Ganhamos ingressos para ver o espetáculo do Disney on Ice. Este ano o show é do Toy Story 3. Nem preciso dizer que a pequena amou, né?

Pois bem, saí mais cedo do trabalho, para poder estar lá à 6 da tarde e pegar os ingressos. Acontece que ninguém avisou que os portões só abriam às 6:30. E lá ficamos, meia-hora, plantados no frio e esperando os portões abrirem.

Eu, morrendo de frio, e o Kam, morrendo e meio. Valentina? Nem aí.

E a #menasmain aqui esqueceu de levar luvas pra ela. As mãozinhas g-e-l-a-d-a-s, já quase roxas e ela nem tchuns. Até coloquei minhas luvas nela, mas não ficaram nem 5 minutos. Arrancou tudo. E isso, porque nem queria ficar com o gorro.

Alguém me explica que super-poder é esse que essas crianças têm pra não sentir frio?

Frio? Que é isso? Sou canadense, oras!

O desfralde

Primeiro, foi por volta dos dois anos. Comprei um peniquinho, que ela adorava ficar pondo na cabeça. Mas na hora do vamos ver era um tal de tacar o penico pro outro lado do banheiro, dizendo que não queria. Resolvi deixar de lado e esperar o verão, quando ela teria 2 anos e meio.

Chegou o verão e, em agosto, começamos a tentar de novo, com as fraldas pull-ups da Dora e das Princesas Disney. Pra ajudar, comprei outro penico, o das Princesas, todo rosa.

Depois de ler “The No-Cry Potty Training Solution“, da Elizabeth Pantley, vi que ela estava me dando todos os sinais. Comprei alguns livros pra ela também:

O primeiro foi o “Lilly’s Potty“, sobre uma menininha que foge pela casa porque não quer ir ao banheiro, mas que no fim, vai e fica super feliz.

Depois, comprei um outro com fotos de menininhas e penicos/redutores reais. Ela adorou porque tem um monte de  “big girls” dizendo que não usam mais a fralda.

Fomos devargazinho… deixava ela com a pull-ups e alternava com a calcinha, em casa, aumentando o tempo com calcinha. Foi quando notei que ela quase nunca molhava a fralda à noite. Foi o sinal de que ela estava pronta!

De uma semana pra cá, acho que deu um “click” nela e simplesmente aposentamos qualquer fralda ou pull-up, nem pra dormir. E ela fica tão orgulhosa! :razz: :razz:

Agora, estamos saindo de casa sem fralda também. Já fomos no supermercado, sem acidentes! E realmente, quando a criança tá pronta, o desfralde é rápido, simples e não, não é sofrido.

É, minha menininha tá crescendo…..


 



É cada uma…

Cena 1:

Fiz pão de queijo em casa. Valentina, olhando as bolinhas na assadeira, decidiu que eram ovos.
Ela: Ovo!
Eu: Não, Valentina. É pão de queijo, não é ovo.
Ela: Páo queso?
Eu: Isso. Pão de queijo!
Ela: ovo queijo!
Eu: …..

 

Cena 2:

Com a chegada do friozinho, tirei do armário as meia-calças da Valentina, para que ela possa continuar usando os vestidos que tanto adora.

Mostrei pra ela e perguntei o que era isso. Ela disse que era calça.

Eu se não parecia uma meia. Ela olhou e disse “meia”.

Aí expliquei era uma meia-calça. Ela não teve dúvidas: todo dia pede pra pôr a “calça-meia”…. ;-)

Pavor de lavar a cabeça. O quê eu eu faço?

Cá estou eu precisando de ajuda com dona Valentina. De um tempo pra cá (quase 1 ano) tem sido cada vez mais difícil lavar a cabeça dela. Ela simplesmente tem um ataque de nervos toda vez que tento lavar. Não estou falando de manha simples, mas de pavor. Hoje mesmo, foi ela sentir a água encostando no cabelo dela, que ela PULOU da banheira, gritando, chorando muito, completamente agarrada em mim, tentando sair da banheira (escalando a parede). A muito custo consegui acalmá-la, mas não consegui lavar a cabeça. Já tentei um monte de coisas mas nada deu certo:

  • entro na banheira com ela pra tomarmos banho juntas
  • deixo ela lavar a minha cabeça
  • damos banho e lavamos a cabeça dos brinquedos dela
  • mostrei livros sobre o assunto (inclusive um que comprei semana passada sobre um bebê que adora banho mas chora na hora de lavar a cabeça)
  • mostro desenhos e comento quando o personagem favorito dela tá lavando a cabeça
  • uma amiga minha já tentou dar banho

E em todos os casos, só de comentar isso ela já fica completamente tensa, para de falar de falar na hora.

Ela tava dando trabalho pra entrar na banheira, agora melhorou, brinca numa boa no banho. O problema é na hora de lavar a cabeça. Hoje o stress foi tão grande que chorei de nervoso. Não sei mais o que eu faço.

 

UPDATE: Continuamos na mesma. Já tentei de tudo quanto é jeito, chuveirinho, chuveirão, baldinhos, deixar ela mesma molhar, o pai, outro banheiro, outro horário, conversar, mostrar vídeos, música, livros.

Da última vez, ela decidiu molhar o cabelo sozinha. Chorando HORRORES, mas molhou e passou o shampoo. Agora nem isso. Levei na piscina e se divertiu um monte, nem parece a mesma criança. Vai entender?

30 meses de muito amor

Esse pequena, que até outro dia desses mal ficava em pé sozinha, agora é toda independente:

- Dispensou o cadeirão. Adora sentar na cadeira do Baba e comer conosco. E Baba teve que mudar de lugar, rs.

- Ajuda a escolher entre a fralda ou a pull-ups. Estamos caminhando a passos de tartaruga por aqui no quesito do desfralde. Mas não tenho muita pressa, não. Deixo ela indo no ritmo dela.

- Está começaaaaaando a curtir (forçação no começando, detalhe) o “potty time”. O livro da menininha que foge pela casa pra não ir no banheiro tem ajudado bastante.

- Diz que “I want tirar blusa”. Tenta tirar, se rebola, dança pela sala toda, mas tira. E fica toda orgulhosa depois!

- Diz que quer comer “I want eu quero”: cucumber/pepino, banana, apple/maçã, yogurte. Assim, tudo misturado.

- Pega o iPad pra ligar pra vovó. “I want vovó″, e enche o iPad de abraços e beijos. Tá certo que a paixão dura 5 segundos antes dela sair correndo feito doida pela sala, mas ela adora a vovó.

- Tá uma delícia pra conversar. Fala tudo, tá sempre rindo e correndo. Haja energia! Ela diz que brincou na tia Noori, fala que quer ir passear, diz se caiu (por isso o roxo na perna), dá bom-dia e tchau pro Eithor, diz pro pai que “I miss you”.

- Falando em energia, vou te falar. Dá umas 7 da noite aqui em casa e essa menina sai correndo feito doida pela casa. E corre, e corre, e corre, e corre…

- Tem deixado escovar o dente direitinho. E ainda chama o pai pra ele escovar os dentes do irmão (err, do Eithor).

- Não tem dado piti pra ir dormir. Depois dos dentes escovados, fala boa-noite, dá beijinho e sobe na nossa cama. Tá certo que pode levar mais de uma hora até ela dormir de vez, mas sem escândalos.

- Tá usando a “peta” cada vez menos. Cortei durante o dia, só usa na soneca mesmo e à noite.  Até um tempo atrás, era a primeira coisa que ela pedia quando eu chegava na creche, agora já não pede mais. Quando pede, relembro que a peta é só pra dormir e ela diz “okei, mami”, antes de tentar o pai, claro.

- Aliás, estou me surpreendendo quanto a isso. Achei que fosse mais difícil dela se desapegar, mas estamos melhorando. Ontem, ela achou uma no caminho, chupou por 2 minutos e me entregou. Nem perguntou por ela até a hora de dormir.

Nem parece que tenho uma menininha de só 2 anos e meio aqui. Conta, pula, ri, corre, cheia de energia, sempre sorridente e cheia de opinião. Mas que delícia que é essa menininha aqui! ;-)

Educação financeira, quem tem?

Você foi educado financeiramente? Quer dizer, além daquela mesada e do famoso “dinheiro não dá em árvore”, que mais seus pais lhe ensinaram?

Eu descobri que não sou educada financeiramente. Sei que não devo estourar meu cartão de crédito e sei que devo gastar dentro dos meus limites. Mais, e o que mais? Tenho uma dificuldade imensa em lembrar pagamentos, saber quanto estou devendo no banco, planejar pra fazer alguma coisa, como viajar.

Aqui em casa estamos passando por um momento de aperto. Mesmo não fazendo nada de extravagante, como viajar ou comer em locais caros, o dinheiro não está dando. Pagamos as contas e não sobra mais nada. Depois de muitos meses frustados com isso, resolvemos tomar as rédeas da situacão. A primeira coisa que fizemos foi contactar um consultor financeiro do Credit Counselling Society. É um serviço gratuito, onde o consultor analisa todos os seus gastos.

É importante ressaltar que uma conversa em casal antes da reunião é super importante. O próprio consultor mencionou o que tem casal que descobre “segredos” só nessas horas…
O nosso plano ficou assim:

1. Criar uma tabela com todos os gastos do mês. Pode ser uma tabela conjunta, pra família, como pode-se usar um desses aplicativos disponíveis para iphone, ipad e android. O importante aqui é criar o hábito de anotar tudo o que a gente gasta, desde aquele cafezinho no intervalo do trabalho, até as contas de todo mês.
É chato? É. É difícil de lembrar? Sim. Mas a gente acostuma. O Kam faz isso há anos e eu comecei no mês passado.

2. Reveja seus gastos. Tá devendo no cartão mas tem separado dinheiro pra poupança? Pare de ecomomizar na poupança e use o dinheiro pra pagar o cartão. A interrupção será por uns meses, mas no final vai ser uma dívida a menos pra te tirar o sono.

3. Aquele café não precisa ser cortado. Mas dá pra diminuir. Aqui em casa, o que eu fiz foi comprar uma cafeteira (daquelas de cápsulas) e faço meu café com leite pro trabalho. Uma vez na semana eu me dou um café fora. E dá pra pegar um tamanho menor, né?

Ainda assim continua devendo? Veja os gastos do parceiro. Se ele/ela puder contribuir no pagamento da dívida, tanto melhor. Contanto, porém, que não fique ressentimentos do tipo “estou cortando o MEU café pra pagar a SUA dívida”. Segundo o consultor, é o que mais acontece: casal fica com ressentimentos, gerando problemas afetivos e quando se vê, o casamento acabou por causa dessas dívidas.

4. Cartão de crédito: precisa mesmo ter a carteira recheada de cartão de todas as bandeiras? Se contarmos os cartões que temos, o limite dá quase o dobro do meu salário anual. Preciso mesmo de uma dívida deste tamanho? Cortamos os cartões e deixamos o básico, dando preferência aos que tem taxa de juros mais baixa. Por exemplo, aqui varia entre 5,99% e 20% ao ano, da mesma bandeira, só muda o banco emissor.

O meu objetivo aqui é poder eliminar as dívidas e conseguir economizar um dinheirinho pra ir Brasil…. Quem sabe ano que vem não estou tomando sol em terras brasilis? :-)

A lição que eu tirei da consulta foi que ainda tenho muito a aprender e que quero que a Valentina tenha mais sorte nesse sentido. Pai e mãe financeiramente educados tem mais chances de ter filhos financeiramente inteligentes. O que a gente não quer é que ela aprenda isso na porrada como nós.

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